Poesias, Sonuras, Sonuras Posteratas Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Sonuras Posteratas Sahra Melihssa

Saudade

Nos lagos da saudade há tenro orvalho | De lágrimas nativas do meu ser… | Oníricas venturas são-me atalhos | P’ra sôfrega distância combater…

Queridos leitores

Esta é a minha primeira Sonura Posterata. Com imenso carinho desejo que a leitura lhes seja aprazível e que a estreia da Póstera seja marcante. Sintam-na em seus significados mais intuitivos e que a saudade que grita em seus corações, possa se preencher de sentido durante a leitura.

Com ternura, Sahra Melihssa

Nos lagos da saudade há tenro orvalho
De lágrimas nativas do meu ser…
Oníricas venturas são-me atalhos
P’ra sôfrega distância combater…

Versículo d’ausência na escritura
Murmura-me as vis mágoas da lembrança,
Esculpo a fronte tua — em minh’agrura — 
No mármore de dor e temperança…

Clamando ao teu revir — rezo exaurida…
A dádiva que aos astros eu mendigo
Enquanto calcifico-te à mi’a vida…

Privei-me à calidez, meu frio jazigo
‘rrefece-me as artérias langorosas,
Que mórbida fortuna, assim danosa…
Empulha da paixão que em ti persigo…

Contudo é verossímil certo fado
De horror, temor — estranho e tão calado…
Quiçá me aquerencie ao mor perigo:
Perder-te para o tempo desalmado.



Leia mais
Artigos, Morlirismo, Sonuras Sahra Melihssa Artigos, Morlirismo, Sonuras Sahra Melihssa

Sonuras e suas Pósteras: Significado e Sentido

O caminho da Sonura iniciou-se em fevereiro de 2021; tenho o registro d’esta ideia em meus arquivos, disponíveis em meu site também. Cingida por significados…

Queridos leitores

Estamos em mais um marco para a Poética Morlírica: a Sonura Posterata. Aos meus raros leitores melancólicos e núridos, escrevi este artigo sobre as Pósteras para que possam apreciar e, sobretudo, inspirar-se no deleite poético que elas oferecem. Aproveitei para atualizar a História da Sonura que pode ser lida aqui — junto com a explicação de como escrevê-las. Desejo, com ímpeto, que as Pósteras encontrem lugar no coração sensível de meus leitores, tal como encontrou no meu.

Com ternura, Sahra Melihssa

O caminho da Sonura iniciou-se em fevereiro de 2021; tenho o registro d’esta ideia em meus arquivos, disponíveis em meu site também. Cingida por significados profundos, sentidos que me tocavam e me levavam ao desvelamento da poética através do som, do lirismo e da “nura” com sua significação melancólica, esta forma fixa de poema foi se aprimorando ao longo dos quatro anos seguintes.

Nunca dei como completa a constituição da Sonura, pois eu sabia que ela se transformaria tal como eu me transformo, pois é vinculada a mim — sua estrutura é parte da alma que reside no meu corpo. A Sonura deve ser cinesia, metamorfose e, sendo parte indissociável do Morlirismo — que viera depois dela, sim, entretanto, ela já o possuía mesmo desconhecendo seu nome—; a Sonura precisa de espaço para ser. Para manifestar seus modos-de-ser.

Pela expressão da cinesia sonora e silente, do movimento como característica, decidi por criar o que chamo de “Póstera” para Sonuras cujos quinze versos não comportam a totalidade sentimental do autor. Trata-se de um quarteto extra, com suas rimas mais musicais, em elo com os versos 12 e 15 da estrofe anterior e, também, externando rimas únicas. Sonuras com Póstera são chamadas de “Sonura Posterata” — remete à escrita das composições na música clássica, justamente pela importância de seu som.

A minha primeira Sonura Posterata foi a “Saudade”, também nomeada de “Opus: Saudade — Sonura Posterata nº1”. Mais uma homenagem à música clássica; gosto de pensar que Sonuras e Sonuras Posteratas são pequenas músicas aos corações, espíritos e lábios silenciados. A Opus: Saudade — nº1 pode ser lida abaixo, na íntegra.

Somente uma Póstera pode ser adicionada à Sonura — esta é a regra atual; dada a complexidade de análise do som rítmico, pois não a construí de forma neutra, ela está intimamente vinculada à última estrofe da Sonura e, portanto, o que viria a posteriori, não teria espaço para este elo sem que a repetição de rimas se desse — e este repetir poderia ser desagradável, uma vez que a Póstera usa três, das quatro rimas, respectivamente a 1ª, 3ª e 4ª, com a mesma sílaba poética final. Talvez, sobretudo, a 2ª rima da Póstera, sendo igual aos versos 12 e 15 da Sonura, pudesse abrir uma segunda Póstera, porém, vem-me a dúvida: Ser-se-ia eternamente repetida as rimas 12 e 15? Se não, afinal, como soltá-la? Em razão destas dúvidas, reafirmo que, por enquanto, somente uma Póstera pode ser adicionada às Sonuras.

Substanciada, enfim, por quatro versos; a Póstera segue o ritmo 2/6/10 como de costume às Sonuras. Suas rimas, todavia, são HHFH — por que tais letras para representá-las? É simples, abaixo está a estrutura da Sonura. Cada letra representa uma sílaba poética final obrigatória. Se a letra se repete, é porque a sílaba poética deve repetir-se; se, não obstante, a letra se difere, significa que a sílaba poética deve diferir das demais. Em suma, a sílaba poética final em A não pode ser repetida em B, nem em F ou H; ela só pode estar na posição A.

1º Quarteto
Nos la²gos da sauda⁶de há tenro orva¹⁰lho(A: alho)
De lá²grimas nati⁶vas do meu ser¹⁰… (B: er)
Oní²ricas ventu⁶ras são-me ata¹⁰lhos (A: alhos)
P’ra sô²frega distâ⁶ncia combater¹⁰… (B: er)

2º Quarteto
Versí²culo d’ausê⁶ncia na escritu¹⁰ra (C: ura)
Murmu²ra-me as vis má⁶goas da lembran¹⁰ça, (D: ança)
Escul²po a fronte tua⁶ na minh’agru¹⁰ra — (C: ura)
Em már²more de dor⁶ e temperan¹⁰ça… (D: ança)

1º Terceto
Claman²do ao teu revir⁶ — rezo exauri¹⁰da… (E: ida)
A dá²diva que aos as⁶tros eu mendi¹⁰go (F: igo)
Enquan²to calcifi⁶co-te à mi’a vi¹⁰da… (E: ida)

3º Quarteto
Privei²-me à calidez⁶, meu frio jazi¹⁰go (F: igo)
‘rrefe²ce-me as arté⁶rias langoro¹⁰sas, (G: osas)
Que mór²bida fortu⁶na, assim dano¹⁰sa… (G: osas)
Empu²lha da paixão⁶que em ti persi¹⁰go… (F: igo)

5º Quarteto (Póstera)
Contu²do é verossímil certo fa¹⁰do (H: ado)
De horror², temor — estranho e tão cala¹⁰do… (H: ado)
Qui
çá²me aquerencie ao mor peri¹⁰go: (F: igo)
Per
der²-te para o tempo desalma¹⁰do. (H: ado)

Note que há certas sílabas e letras conectadas por sublinhado, isto acontece porque vogais podem se unir formando uma única sílaba poética. Leia os versos em voz alta para notar esta junção, caso não consiga compreender apenas com a explicação. Uma sílaba poética pode conter até três vogais consecutivas, como se pode notar em 5º Quarteto, estrofe 3ª: “aquerencie ao”. Por questão sequencial, a letra “o” não se fundiu ao “iea”.Mas estas são virtudes singelas que pertencem aos poetas, e em cada poeta uma virtude pode nascer de sua própria maneira. Verdades absolutas pertencem aos deuses, não aos humanos. Explico somente por se tratar da minha construção preferida para Sonuras e, agora, para Pósteras. Estudo as sonoridades para que sejam agradáveis, sempre transmitindo sentimentos e emoções.

Dei luz a duas Sonuras Posteratas até o instante d’este artigo; eu as sinto bastante sólidas e, por esta razão, estou compartilhando detalhes. A Póstera emergiu de súbito, confesso; inspirei-me em demasia nos poemas de um caríssimo amigo, Ricardo Zanella — e faço questão de mencioná-lo, pois, quando nos inspiramos em pessoas que temos grande afeto, é honra poder reforçar esta inspiração. Zanella é poeta raro e algumas de suas trovas possuem tornadas, estrofes conseguintes ao poema principal. É bem similar a Póstera, mas com outro ritmo, outra essência. Ao ler seu versificar fascinante, vinha-me o pensamento: “E se a Sonura pudesse ter uma tornada ou algo semelhante que lhe fosse adicionada?” — meu objetivo era que fosse uma cauda poética, um retorno da ideia central, uma conclusão mais sonora ou uma abertura indagativa. O Morlirismo exige uma profundidade que, talvez, uma estrofe a mais pudesse prolongar tal abismo sentimental — se fosse preciso.

Aprecio pensar a Póstera como um elã após o êxtase poético da Sonura. Coloco-a em itálico justamente para dar tal impressão. Ainda preciso construir mais delas, para que suas verdades se manifestem através de minhas palavras; para que eu a compreenda com abertura e esmero. Pois, para mim, tudo o que é criado pelas minhas mãos e pela minha mente, tem vida! E essa vida é morlírica — e eu, como criadora, tenho a obrigação de criar vínculos duradouros com minhas criaturas; vínculos de respeito e admiração.

Dou boas-vindas à Póstera, que ela possa sentir que este é seu lar morlírico. Que tenha vivências fascinantes e terríficas ao lado das Sonuras e que ela possa habitar todo o universo construído ao seu redor. Esta é mais uma parte inestimável do caminho de minha poética, um marco inesquecível. Sinto-me realizada e feliz! Empolgada para escrever mais e sempre mais. Continuo carregando comigo uma fé indestrutível, a qual traduzo n’uma frase simples: “A Poesia vai salvar o mundo”.



Leia mais
Poesias, Sonuras, Especial de Natal Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Especial de Natal Sahra Melihssa

Sonura de Natal

Que sempre, se pudesse, aqui ficar | Os tempos tão felizes de Natal… | As luzes, os docinhos, o aquietar… | E todo o amor que surge cordial…

Que sempre, se pudesse, aqui ficar
Os tempos tão felizes de Natal…
As luzes, os docinhos, o aquietar…
E todo o amor que surge cordial…

Seria um doce sonho ao coração
Que hesita n’este mundo amargurado
E afaga-se em cuidado e mansidão
Mantendo-se em espera  —  imaculado…

Minh’alma tanto se é sentimental,
Pois chora no findar dos ventos tais
Rogando ser eterno o sazonal…

Mas sabe que o gengibre e as catedrais,
E as nozes mui crocantes, as cerejas…
E o amor, perdurarão — assim se enseja
No cerne, tal as frutas em cristais.



Leia mais
Poesias, Sonuras, Existencial Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Existencial Sahra Melihssa

O Teatro Perfeito

Perfeito, o Teatro — e nele a decadência | As máscaras são telas luminosas | Personas em suas tantas aparências | Roteiro de ventura confragosa;…

Perfeito, o Teatro — e nele a decadência
As máscaras são telas luminosas
Personas em suas tantas aparências
Roteiro de ventura confragosa;

Perfeito, o Teatro — e nele aplauso algum,
Cortinas fecharão só uma vez
E o peso do tecido em cada um
Trará o ato final da Morte à tez;

Perfeito, o Teatro — e nele a mentira
As máculas, as lágrimas em vão
E a busca por calar a eterna ira

Que emerge do Teatro ao coração
Somente pr’a verdade lancinante:
A peça e seus atores delirantes
Estão ao palco como a cova ao chão.



Leia mais
Poesias, Sonuras, Existencial Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Existencial Sahra Melihssa

Ouroboros

A névoa do passado é melancólica | Lembranças d’este outrora se dispersam: | O outono e sua Maçã tanto simbólica, | O inverno e a solitude que se versam…

A névoa do passado é melancólica
Lembranças d’este outrora se dispersam:
O outono e sua Maçã tanto simbólica,
O inverno e a solitude que se versam…

Não sei sobre o que espero das janelas,
Porém tanto observo que a neblina
Revela mais que o sopro à acesa vela
Da vida passadiça em sua rotina…

A carta que redijo ao meu futuro,
Os monstros da mi’a própria consciência,
O alívio de prazeres prematuros…

Percebo se tratar de condolência
À efêmera medula em sua verdade:
A bruma é uma espiral-infinidade
E estou fadada à eterna recorrência.



Leia mais
Poesias, Sonuras, Existencial, Verbo-Ente Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Existencial, Verbo-Ente Sahra Melihssa

Vivo por ela

Escrevo. Bem além do que ressinto | Ou sinto ou do que vejo. Muito mais. | Escrevo por questão da alma, do instinto, | Do sonho mais que as sombras factuais!

Escrevo. Bem além do que ressinto
Ou sinto ou do que vejo. Muito mais.
Escrevo por questão da alma, do instinto,
Do sonho mais que as sombras factuais!

Não tenho musa ou fé ou inspiração,
Escrevo em dor, talvez, por coisa alguma…
Preciso, e não há o luxo da omissão!
Escrevo à solidão que me acostuma;

É belo e, sobretudo, passarinho…
Às vezes voa às nuvens soldoradas
E, n’outras, preso em cárcere, sozinho.

Eu escrevo… e quando a morte inconsolada
Bater à porta d’esta alcova minha…
Com vasta calma irei-me à escrivaninha…
“Adeus” — escreverei — “muito obrigada”.



Leia mais
Poesias, Sonuras, Erotismo Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Erotismo Sahra Melihssa

Envolver

Desperta-me e se achega teso e arfante | No leito de paixão que nos pertence… | Atrita-se ao que a ti faz-se abundante, | Arqueio, pois tão fácil me convence…

Desperta-me e se achega teso e arfante
No leito de paixão que nos pertence…
Atrita-se ao que a ti faz-se abundante,
Arqueio, pois tão fácil me convence…

Envolve meu pescoço com tua mão…
Desliza, aperta firme mi’a cintura…
Desvia do caminho co’ambição
A peça fina e rubra em bel costura…

Encaixa… como sabe… devagar…
Sussurra-me a sentir-te bem profundo…
Prazer… mais, mais, assim… movimentar…

Um sopro de tão cálido segundo…
Meus olhos se abrem súbitos… faz frio…
É má tal solidão qual sou servil…
Um sonho que em volúpia é tão fecundo.



Leia mais
Poesias, Sonuras, Erotismo Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Erotismo Sahra Melihssa

Desvelo

Perfume de tez, tórrido desejo; | Teus olhos na penumbra mui silente… | Assim, tão devagar, bem forte almejo… | Murmuras rijo, amor, em mi’a torrente… 

Perfume de tez, tórrido desejo; 
Teus olhos na penumbra mui silente… 
Assim, tão devagar, bem forte almejo… 
Murmuras rijo, amor, em mi’a torrente… 

As mãos conduzem firmes… teu sadismo… 
Um sopro d’infinita alacridade… 
Sabeis qu’este meu ser, em fanatismo, 
Anseia teu domínio e bestidade… 

Porém, tão só, nos seios meus, amor… 
Tu vens sorver estranho à essência tua, 
Tão plácido em afagos pelo ardor… 

Comum ao teu dispor, eu sempre nua, 
Aguardo tua efígie de agressor… 
Sussurras a paixão, viril fervor… 
E todo o teu desvelo continua! 



Leia mais
Poesias, Sonuras, Mágoas Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Mágoas Sahra Melihssa

Mágoa

Jamais imaginei te carregar | Na forma e substância d’esta mágoa, | No peito que se assola por lembrar, | Rendido ao desalento e morto em frágua… 

Jamais imaginei te carregar 
Na forma e substância d’esta mágoa, 
No peito que se assola por lembrar, 
Rendido ao desalento e morto em frágua… 

Não mera, a solidão, vai torturando… 
De ti que outrora esteve aqui tão perto… 
Insisto em questionar, mas até quando? 
Os olhos teus na tela assolam certos… 

Tão certos d’esta tua indiferença, 
Afirmam-me teu riso sem saudade… 
Embriago-me da tua malquerença… 

No excesso a overdose que me invade… 
Teu jeito que desprezo, mas amei… 
Mi’a raiva qu’era chama… apaguei… 
Em cinzas fico sob a tua vaidade. 



Leia mais
Poesias, Sonuras, Erotismo Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Erotismo Sahra Melihssa

Vetiver

Fragrância em tua tez tanto me instiga, | Provoca-me o sorriso, m’entorpece… | Fleumático e febril, viril me intriga… | Estímulo notívago, me aquece… 

Fragrância em tua tez tanto me instiga, 
Provoca-me o sorriso, m’entorpece… 
Fleumático e febril, viril me intriga… 
Estímulo notívago, me aquece… 

Co’as mãos em teus cabelos gris, afago, 
Enlaço-te e ao teu peito, terno e quente, 
Repouso sob o aroma que naufrago 
Entoando amor em juras eloquentes; 

Diz sim, resvalo o toque e, vultuoso, 
 — Olência de avidez que ébria me faz —  
Permites prolongar, afetuoso, 

— Eflúvio de fascínio pertinaz… —  
Mantenho-me centrada à cinesia… 
Aguardo o éter puro d’ambrosia… 
Pupilas dilatadas… tão salaz… 



Leia mais
Poesias, Sonuras, Cólera, Morte Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Cólera, Morte Sahra Melihssa

A Bruxa e o Cadáver

— Levanta-te morbígero cadáver! | Teus olhos vítreos pálidos reluzem! | Odor de morte antiga que paláver | Sem verbo zumbi horrores que conduzem;…

Bruxa
— Levanta-te morbígero cadáver! 
Teus olhos vítreos pálidos reluzem! 
Odor de morte antiga que paláver 
Sem verbo zumbi horrores que conduzem; 

— Caminhe n’esta terra aromantada 
De lágrimas e sangue, a flor do mal 
Que brota putrefata e delicada 
Disposta a todo crime mais brutal! 

Cadáver
— Devolva-me à morte, bruxa amarga! 
Que vida humana alguma me apetece! 
Jurei beijar meus vermes, cá me larga! 

— Devoto sou ao crânio, pela prece, 
E à úmida madeira do caixão 
E à paz d’este meu hirto coração… 
A vida imunda, sei, não me merece. 



Leia mais
Poesias, Sonuras, Melancólico, Nostalgia Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Melancólico, Nostalgia Sahra Melihssa

Onirialgia

Estive no esplendor d’este lugar | N’algures dos meus sonhos mais serenos | Dormi nos girassóis, ouvi cantar | Os pássaros nas nuvens, contra o vento… 

Estive no esplendor d’este lugar 
N’algures dos meus sonhos mais serenos 
Dormi nos girassóis, ouvi cantar 
Os pássaros nas nuvens, contra o vento… 

Senti saudades… mesmo não vivendo… 
Sem nunca, pois, ter visto o entardecer, 
Clamei ao lusco-fusco, mas s’erguendo 
A noite em sua bel forma fez-me ver… 

Que é tudo um sonho lúcido da pena… 
A tinta que conduz toda uma imagem 
Dos tempos que amei, quando pequena, 

Recônditos profundos e miragens, 
E vivo p’ra trazê-los ao presente… 
Tão doces ilusões da minha mente… 
Longínquas e nostálgicas paisagens… 



Leia mais
Poesias, Sonuras, Sensibilidade Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Sensibilidade Sahra Melihssa

Delicaen

Pungentes os mundanos são à seda | Das pétalas do ser, que quebradiço, | Eu sou por ver-me sempre na vereda | D’um mundo belicoso e tão mortiço…

Pungentes os mundanos são à seda
Das pétalas do ser, que quebradiço,
Eu sou por ver-me sempre na vereda
D’um mundo belicoso e tão mortiço…

O orvalho é p’ra mim chuva profunda
Vertida do infinito celestino,
Portanto um bruto dito m’infecunda,
E o mau, qual for, lancina-me assassino…

Hostil é-me tal mundo e mui me sinto
Ser nada além d’um frágil beija-flor
Que voa, então, precípite ao destino

E teme as mãos humanas, pois há dor…
Fisgado pelo açúcar n’água fria…
Tão fácil pode ser, pela apatia,
Um alvo formidável do horror.



Leia mais
Sonuras, Poesias, Verbo-Ente Sahra Melihssa Sonuras, Poesias, Verbo-Ente Sahra Melihssa

Vehrvorus

Que fosses ente e crer-te eu sempre iria | No alvor rogar-te em puro amor vestal | Que fosses a Verdade, eu saberia…

Que fosses ente e crer-te eu sempre iria
No alvor rogar-te em puro amor vestal
Que fosses a Verdade, eu saberia
Honrar-te os mandamentos contra o mal;

Tivesses santo mármore esculpido
O qual ser tua imagem p'ra adorar
Pingente no meu peito protegido
Discípula em teu nome doutrinar;

Seria à tua palavra dedicada
Embora eu já o seja, equivalente
Seria esta lição me revelada?

A glória de teu Verbo onipresente
Dizendo “E sou, pois, Deus mesmo que só
No âmago que teu me encontro em nó;
Escreva, que este é Gênesis primente!
"



Leia mais
Sonuras, Poesias, Existencial Sahra Melihssa Sonuras, Poesias, Existencial Sahra Melihssa

Limbo

Circunda-me gris noite, estou tão só… | Por vezes dói, minh’alma s’esvazia | E lembro hei de tornar-me reles pó | Da vida cuja bruma é primazia…

Circunda-me gris noite, estou tão só…
Por vezes dói, minh’alma s’esvazia
E lembro hei de tornar-me reles pó
Da vida cuja bruma é primazia…

Pergunto-me se Deus… ou se o demônio…
Indago-me no afogo d’este mar
De pranto sorumbático e adônio…
Em salmos esta lira há de adentrar?

A voz d’onipotente nunca ouvi…
Dos seus rivais, decerto, muito menos!
Que doce fleuma mórbida — eu cri…

E crendo vi nobreza em tal veneno
Dos tantos em imagem-semelhança…
Um mundo tão cruel… desesperança…
Ausento-me em mim… limbo tão pleno…



Leia mais
Poesias, Sonuras, Existencial Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Existencial Sahra Melihssa

Demasiado Humano

Assim fragmentar-me e à tez sentir, | Aroma, calidez, silêncio a sós… | Desvelo uma clareira do existir | Às cordas d’este tempo em rijos nós…

Assim fragmentar-me e à tez sentir,
Aroma, calidez, silêncio a sós…
Desvelo uma clareira do existir
Às cordas d’este tempo em rijos nós…

A própria companhia que me tenho,
A lôbrega saudade sem porquê,
E mais, toda a memória que mantenho
Retida ao peito frágil — à mercê…

Tão íntimo, tão lânguido, tão meu…
As horas d’este outrora não vivido…
A espera, a fé tão núrida, o breu…

Amálgamas soturnos incendidos
Da gênese à tocante finitude;
Qu’estranha coisa, a vida, que amiúde,
Circunda-se em propósitos partidos.



Leia mais
Poesias, Sonuras, Amor Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Amor Sahra Melihssa

Nosso Momento

Tocar-me o dorso aquece-me e, talvez, | Nas flébeis amarguras de meu ser | Resida algum remanso em lucidez | ‘vivado pelo afago ao noutecer… 

Tocar-me o dorso aquece-me e, talvez, 
Nas flébeis amarguras de meu ser 
Resida algum remanso em lucidez 
‘vivado pelo afago ao noutecer… 

Mãos tuas, régias, ásperas, amante 
Dedicam-se tal como o mar à lua 
E sabe ser intenso e confortante 
À tez que sempre treme a ti tão nua; 

Carícias me conduzem à brandura 
E leves os meus olhos vão cerrando 
Vigília se amainando à conjuntura 

Que tanto me conforta apaziguando 
E logo pouco importa os meus horrores, 
Quaisquer que sejam minhas as vis dores, 
Um toque teu tão só me vem curando. 



Leia mais
Poesias, Sonuras, Terror/Horror Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Terror/Horror Sahra Melihssa

Ttrttrom

Enquanto no convés observava | Revolto o mar estranho parecia, | A negra tempestade se agravava, | Um som horripilante s’espargia…

Enquanto no convés observava
Revolto o mar estranho parecia,
A negra tempestade se agravava,
Um som horripilante s’espargia…

As nuvens ondulavam, vento em fel,
E o leme por mil vultos s’envolvia;
De súbito, no infindo, atroz e bel:
Voragem de astros, morbo-anomalia!

Às vigas me prendi, águas s’ergueram
E às nuvens se fundiram em voluta!
Brutal sopro e os cordames desprenderam…

Ingente besta o céu e o mar desfruta!
Nós, pasmos, avistamos sua vil forma…
Rachada a embarcação na plataforma
Morreram, menos eu, sob loucura…



Leia mais