Cidelly
Ambígua presença, amedrontas,
Amas-me ó vil criatura?
Canta-me o mal que me contas!
És doce horror, minha agrura;
Guardei-te os olhos tão vítreos
Dantes de ires às tumbas
Banhei-te aos sabores mui cítreos
A terra infértil que adubas;
Fiz lá teu eflúvio ameno
Colhi as janelas, sereno,
Pingentes de culpa tardia;
Agora tu assombras meu pranto
Cinérea maldiz-me em espanto
Encarando-me sempre vazia.
N'alcova em solinura eu m'afligia, | Terror de pesadelos: abundante! | Nesta umbra-consciência algo plangia | Em mórbido sonar arrepiante...
Nas minhas vis oníricas vivências, Estive em profundezas obscuras, Foi dentre o arvoredo de imanências, Que vi medrar assombros e loucuras, […]
No erguer-se do luar alcantilado | Crocita um corvo enquanto sou lamúria,…
Vestida em damanoute enegrecida | Desperta e dos sonhares esquecida | Na muda…
Órbitas saltadas por tal horrífico, Manhã fria como o cadáver deitado, Um som à mente penetra sombrífico, Que o rubi líquido verte alarvado; […]
Era bálsamo, era sorrateiro | Olhos turvos — citrino penumbral | Era dia, e mesmo dia, era hospedeiro | D’uma noite tão mórbida e abissal;…
Próxima à escuridão, lá, vislumbrei | Tão cintilantes pontos, verde-água; | Era tanto pavor aos que deixei | Debaixo da loucura — estranha frágua; | Gritos por alarde ao…
Escritora e Poetisa, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sou Anfitriã do projeto Castelo Drácula e minha literatura é rara, excêntrica e inigualável. Meu vocábulo é lapidado, minha literatura é lânguida e mágica, dedico-me à escrita há mais de 20 anos e denomino-a “Morlírica”. Na alcova de meu erotismo, exploro o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo meus leitores em um imersivo deleite — apaixonada pelo tema, criei Lasciven para publicar autores que compartilham dessa paixão. No túmulo de meus escritos, desvelo um terror, horror e mistério ímpares, cheios de profundidade psicológica e de poética absurda — é como uma valsa com a morte. Ler-me é uma experiência, uma vivência para além da leitura em si mesma; e eu te convido a se permitir fascinar.
Enquanto no convés observava | Revolto o mar estranho parecia, | A negra tempestade se agravava, | Um som horripilante s’espargia…