Agoníria

N'alcova em solinura eu m'afligia,  
Terror de pesadelos: abundante! 
Nesta umbra-consciência algo plangia 
Em mórbido sonar arrepiante. 
 
O choro era vazio e aterrador 
Mas nunca o despertar me bem-dizia; 
Cruel me simulava — Ó vil horror! — 
No cômodo em bizarra noite fria; 
 
Eterno retornar do lacrimar 
A cada um só segundo mais agudo 
Refém d'um hediondo ilusionar 
 
N'alcova, condenada sobretudo,  
E quando finalmente a me surgir 
O sol duma manhã, meu grão-vizir,  
Um logro — qu'inda durmo em meu veludo. 

Escrito em 20 de agosto de 2024 

Agoníria (substantivo poético feminino): Pesadelo sufocante que ilusionar o despertar para enganar a mente e mantê-la aprisionada no plano onírico.



Sahra Melihssa

Escritora e Poetisa, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sou Anfitriã do projeto Castelo Drácula e minha literatura é rara, excêntrica e inigualável. Meu vocábulo é lapidado, minha literatura é lânguida e mágica, dedico-me à escrita há mais de 20 anos e denomino-a “Morlírica”. Na alcova de meu erotismo, exploro o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo meus leitores em um imersivo deleite — apaixonada pelo tema, criei Lasciven para publicar autores que compartilham dessa paixão. No túmulo de meus escritos, desvelo um terror, horror e mistério ímpares, cheios de profundidade psicológica e de poética absurda — é como uma valsa com a morte. Ler-me é uma experiência, uma vivência para além da leitura em si mesma; e eu te convido a se permitir fascinar.

Anterior
Anterior

Florescer Melancólico

Próximo
Próximo

Sê Éden