Poesias, Sonuras, Terror/Horror Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Terror/Horror Sahra Melihssa

Ttrttrom

Enquanto no convés observava | Revolto o mar estranho parecia, | A negra tempestade se agravava, | Um som horripilante s’espargia…

Enquanto no convés observava
Revolto o mar estranho parecia,
A negra tempestade se agravava,
Um som horripilante s’espargia…

As nuvens ondulavam, vento em fel,
E o leme por mil vultos s’envolvia;
De súbito, no infindo, atroz e bel:
Voragem de astros, morbo-anomalia!

Às vigas me prendi, águas s’ergueram
E às nuvens se fundiram em voluta!
Brutal sopro e os cordames desprenderam…

Ingente besta o céu e o mar desfruta!
Nós, pasmos, avistamos sua vil forma…
Rachada a embarcação na plataforma
Morreram, menos eu, sob loucura…



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Agoníria

N'alcova em solinura eu m'afligia, | Terror de pesadelos: abundante! | Nesta umbra-consciência algo plangia | Em mórbido sonar arrepiante...

N'alcova em solinura eu m'afligia,  
Terror de pesadelos: abundante! 
Nesta umbra-consciência algo plangia 
Em mórbido sonar arrepiante. 
 
O choro era vazio e aterrador 
Mas nunca o despertar me bem-dizia; 
Cruel me simulava — Ó vil horror! — 
No cômodo em bizarra noite fria; 
 
Eterno retornar do lacrimar 
A cada um só segundo mais agudo 
Refém d'um hediondo ilusionar 
 
N'alcova, condenada sobretudo,  
E quando finalmente a me surgir 
O sol duma manhã, meu grão-vizir,  
Um logro — qu'inda durmo em meu veludo. 

Escrito em 20 de agosto de 2024 

Agoníria (substantivo poético feminino): Pesadelo sufocante que ilusionar o despertar para enganar a mente e mantê-la aprisionada no plano onírico.



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O Lago Sombrio

Nas minhas vis oníricas vivências, Estive em profundezas obscuras, Foi dentre o arvoredo de imanências, Que vi medrar assombros e loucuras, […]

 

Nas minhas vis oníricas vivências
Estive em profundezas obscuras,
Foi dentre o arvoredo de imanências
Que vi medrar assombros e loucuras

E lembro-me d'um sonho recorrente:
Um lago de nascente em uma gruta
Envolto um arvoredo contundente
Que canta e rega em morte quem escuta;

É nele que perdura algum jazigo
E deste seu negrume exala medo
De outroras, guarda horrores lá consigo…

N’um úmido silêncio, horror-enredo,
Escuro como o abismo, é tão medonho!
Receio, pois pressinto a cada sonho
Que logo externará o seu segredo.

 


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A Entidade, Annor: O Encontro

No erguer-se do luar alcantilado | Crocita um corvo enquanto sou lamúria,…

No erguer-se do luar alcantilado
Crocita um corvo enquanto sou lamúria,
Assusto-me e o percebo afortunado,
Pois voa contra o vento da penúria;

Ao leito o meu sombrífero sonhar
Desvela-se à mi’a fronte lentamente,
Um cântico, porém, junto ao nevar
Desperta-me e a lareira queima ardente;

Que o fogo se acendera repentino?
Clamei seguindo à porta da sacada,
Ninguém d’entre os pinheiros, nem o hino…

Silêncio tão perpétuo “Fui brindada
Co’as sombras de m’ia mente solitária
”,
Mas ouço, no rompante… mortuária…
Atrás de mim… presença murmurada…



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