Ttrttrom
Enquanto no convés observava | Revolto o mar estranho parecia, | A negra tempestade se agravava, | Um som horripilante s’espargia…
Enquanto no convés observava
Revolto o mar estranho parecia,
A negra tempestade se agravava,
Um som horripilante s’espargia…
As nuvens ondulavam, vento em fel,
E o leme por mil vultos s’envolvia;
De súbito, no infindo, atroz e bel:
Voragem de astros, morbo-anomalia!
Às vigas me prendi, águas s’ergueram
E às nuvens se fundiram em voluta!
Brutal sopro e os cordames desprenderam…
Ingente besta o céu e o mar desfruta!
Nós, pasmos, avistamos sua vil forma…
Rachada a embarcação na plataforma
Morreram, menos eu, sob loucura…
N'alcova em solinura eu m'afligia, | Terror de pesadelos: abundante! | Nesta umbra-consciência algo plangia | Em mórbido sonar arrepiante...
Nas minhas vis oníricas vivências, Estive em profundezas obscuras, Foi dentre o arvoredo de imanências, Que vi medrar assombros e loucuras, […]
No erguer-se do luar alcantilado | Crocita um corvo enquanto sou lamúria,…
Vestida em damanoute enegrecida | Desperta e dos sonhares esquecida | Na muda…
Órbitas saltadas por tal horrífico, Manhã fria como o cadáver deitado, Um som à mente penetra sombrífico, Que o rubi líquido verte alarvado; […]
Era bálsamo, era sorrateiro | Olhos turvos — citrino penumbral | Era dia, e mesmo dia, era hospedeiro | D’uma noite tão mórbida e abissal;…
Próxima à escuridão, lá, vislumbrei | Tão cintilantes pontos, verde-água; | Era tanto pavor aos que deixei | Debaixo da loucura — estranha frágua; | Gritos por alarde ao…
Ambígua presença, amedrontas, | Amas-me ó vil criatura? | Canta-me o mal que me contas! | És doce horror, minha agrura; | Guardei-te os olhos tão vítreos…
Agoníria
N'alcova em solinura eu m'afligia, | Terror de pesadelos: abundante! | Nesta umbra-consciência algo plangia | Em mórbido sonar arrepiante...
N'alcova em solinura eu m'afligia,
Terror de pesadelos: abundante!
Nesta umbra-consciência algo plangia
Em mórbido sonar arrepiante.
O choro era vazio e aterrador
Mas nunca o despertar me bem-dizia;
Cruel me simulava — Ó vil horror! —
No cômodo em bizarra noite fria;
Eterno retornar do lacrimar
A cada um só segundo mais agudo
Refém d'um hediondo ilusionar
N'alcova, condenada sobretudo,
E quando finalmente a me surgir
O sol duma manhã, meu grão-vizir,
Um logro — qu'inda durmo em meu veludo.
Escrito em 20 de agosto de 2024
Agoníria (substantivo poético feminino): Pesadelo sufocante que ilusionar o despertar para enganar a mente e mantê-la aprisionada no plano onírico.
Enquanto no convés observava | Revolto o mar estranho parecia, | A negra tempestade se agravava, | Um som horripilante s’espargia…
N'alcova em solinura eu m'afligia, | Terror de pesadelos: abundante! | Nesta umbra-consciência algo plangia | Em mórbido sonar arrepiante...
Nas minhas vis oníricas vivências, Estive em profundezas obscuras, Foi dentre o arvoredo de imanências, Que vi medrar assombros e loucuras, […]
No erguer-se do luar alcantilado | Crocita um corvo enquanto sou lamúria,…
O Lago Sombrio
Nas minhas vis oníricas vivências, Estive em profundezas obscuras, Foi dentre o arvoredo de imanências, Que vi medrar assombros e loucuras, […]
Nas minhas vis oníricas vivências
Estive em profundezas obscuras,
Foi dentre o arvoredo de imanências
Que vi medrar assombros e loucuras
E lembro-me d'um sonho recorrente:
Um lago de nascente em uma gruta
Envolto um arvoredo contundente
Que canta e rega em morte quem escuta;
É nele que perdura algum jazigo
E deste seu negrume exala medo
De outroras, guarda horrores lá consigo…
N’um úmido silêncio, horror-enredo,
Escuro como o abismo, é tão medonho!
Receio, pois pressinto a cada sonho
Que logo externará o seu segredo.
Enquanto no convés observava | Revolto o mar estranho parecia, | A negra tempestade se agravava, | Um som horripilante s’espargia…
N'alcova em solinura eu m'afligia, | Terror de pesadelos: abundante! | Nesta umbra-consciência algo plangia | Em mórbido sonar arrepiante...
Nas minhas vis oníricas vivências, Estive em profundezas obscuras, Foi dentre o arvoredo de imanências, Que vi medrar assombros e loucuras, […]
No erguer-se do luar alcantilado | Crocita um corvo enquanto sou lamúria,…
Vestida em damanoute enegrecida | Desperta e dos sonhares esquecida | Na muda…
Órbitas saltadas por tal horrífico, Manhã fria como o cadáver deitado, Um som à mente penetra sombrífico, Que o rubi líquido verte alarvado; […]
Era bálsamo, era sorrateiro | Olhos turvos — citrino penumbral | Era dia, e mesmo dia, era hospedeiro | D’uma noite tão mórbida e abissal;…
Próxima à escuridão, lá, vislumbrei | Tão cintilantes pontos, verde-água; | Era tanto pavor aos que deixei | Debaixo da loucura — estranha frágua; | Gritos por alarde ao…
Ambígua presença, amedrontas, | Amas-me ó vil criatura? | Canta-me o mal que me contas! | És doce horror, minha agrura; | Guardei-te os olhos tão vítreos…
A Entidade, Annor: O Encontro
No erguer-se do luar alcantilado | Crocita um corvo enquanto sou lamúria,…
No erguer-se do luar alcantilado
Crocita um corvo enquanto sou lamúria,
Assusto-me e o percebo afortunado,
Pois voa contra o vento da penúria;
Ao leito o meu sombrífero sonhar
Desvela-se à mi’a fronte lentamente,
Um cântico, porém, junto ao nevar
Desperta-me e a lareira queima ardente;
“Que o fogo se acendera repentino?”
Clamei seguindo à porta da sacada,
Ninguém d’entre os pinheiros, nem o hino…
Silêncio tão perpétuo “Fui brindada
Co’as sombras de m’ia mente solitária”,
Mas ouço, no rompante… mortuária…
Atrás de mim… presença murmurada…
Enquanto no convés observava | Revolto o mar estranho parecia, | A negra tempestade se agravava, | Um som horripilante s’espargia…
N'alcova em solinura eu m'afligia, | Terror de pesadelos: abundante! | Nesta umbra-consciência algo plangia | Em mórbido sonar arrepiante...
Nas minhas vis oníricas vivências, Estive em profundezas obscuras, Foi dentre o arvoredo de imanências, Que vi medrar assombros e loucuras, […]
No erguer-se do luar alcantilado | Crocita um corvo enquanto sou lamúria,…
Enquanto no convés observava | Revolto o mar estranho parecia, | A negra tempestade se agravava, | Um som horripilante s’espargia…