Melancolia de Verão

 

George Frederic Watts - Ellen Terry ('Choosing') oil on strawboard mounted on Gatorfoam, 1864

 

Delgado violino de Nunquam
Às sombras d’esta oca amargura
Fizera florir aelinos-nūsquam
Rebentos de constante tristura;

“Nas venturas ternuras virão”
digo às cálidas chuvas do estio
que entardecem na cor de açafrão
suspirando perpétuo vazio;

Mas tão quedas tais dunas de mim,
ascendidas no ermo onde estou,
vão contando-me as gotas carmim
tão vertidas no abismo que sou.

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Do latim:"Nunquam" (nunca)
"Aelinos" (canto fúnebre)
"Nusquam" (lugar nenhum)

Sahra Melihssa

Escritora e Poetisa, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sou Anfitriã do projeto Castelo Drácula e minha literatura é rara, excêntrica e inigualável. Meu vocábulo é lapidado, minha literatura é lânguida e mágica, dedico-me à escrita há mais de 20 anos e denomino-a “Morlírica”. Na alcova de meu erotismo, exploro o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo meus leitores em um imersivo deleite — apaixonada pelo tema, criei Lasciven para publicar autores que compartilham dessa paixão. No túmulo de meus escritos, desvelo um terror, horror e mistério ímpares, cheios de profundidade psicológica e de poética absurda — é como uma valsa com a morte. Ler-me é uma experiência, uma vivência para além da leitura em si mesma; e eu te convido a se permitir fascinar.

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