Foto de Sara Melissa de Azevedo
Kalimba lacrimosa em noite fria:
Sonido de lamúria em languidez,
Se o toque lhe conduz e acaricia
Silêncios mui se prostram — placidez...
Ouvir-te é calmaria e desalento,
Miúdo regozijo, colo e leito,
Conforto de pesar, sopro do vento,
Sonura que assimila a dor do peito...
Kalimba, quão sensível me percebo...
Por vezes m’espaireço refletindo
Que o mundo, porventura, é só placebo...
E às vezes tudo está coexistindo,
Enquanto em minha mente um universo
É só, pedaço ímpar, submerso,
N’um tanto que silente vou sentindo...
Escrito em 22 de setembro de 2024
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