Poesias, Mágoas Sahra Melihssa Poesias, Mágoas Sahra Melihssa

Boldo

Translúcidas as flores espectrais | N’um rosa-gris perpétuo adamantino; | Mi’a lacrima é um orvalho-nunca-mais, | Deságua sob o manto vespertino...

Translúcidas as flores espectrais
N’um rosa-gris perpétuo adamantino;
Mi’a lacrima é um orvalho-nunca-mais,
Deságua sob o manto vespertino...

Memórias de raízes entranhadas
Em terras de umidade e gelidez...
Teu rosto uma mentira que me amarga,
Martírio do meu sonho — embriaguez;

Farol sem luz, ó ínsula dorida,
Pensei que, porventura, houvesse amor...
As nuvens trazem sombras já temidas...

Cai chuva ao rosto meu, feito em clamor;
Podia haver tentado que o jardim
Por nós sobrevivesse ao frio de mim,
Mas, dama... nada cura o dissabor...



Leia mais
Poesias, Sonuras, Mágoas Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Mágoas Sahra Melihssa

Mágoa

Jamais imaginei te carregar | Na forma e substância d’esta mágoa, | No peito que se assola por lembrar, | Rendido ao desalento e morto em frágua… 

Jamais imaginei te carregar 
Na forma e substância d’esta mágoa, 
No peito que se assola por lembrar, 
Rendido ao desalento e morto em frágua… 

Não mera, a solidão, vai torturando… 
De ti que outrora esteve aqui tão perto… 
Insisto em questionar, mas até quando? 
Os olhos teus na tela assolam certos… 

Tão certos d’esta tua indiferença, 
Afirmam-me teu riso sem saudade… 
Embriago-me da tua malquerença… 

No excesso a overdose que me invade… 
Teu jeito que desprezo, mas amei… 
Mi’a raiva qu’era chama… apaguei… 
Em cinzas fico sob a tua vaidade. 



Leia mais
Poesias, Sonuras, Coração Partido, Mágoas Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Coração Partido, Mágoas Sahra Melihssa

Vinho & Ausência

Do vinho que deixaste na tua ausência | Recordo-me do gole, seco e rubro… | Da amarga nicotina em decadência | Do beijo que me deste em triste outubro… 

Do vinho que deixaste na tua ausência 
Recordo-me do gole, seco e rubro… 
Da amarga nicotina em decadência 
Do beijo que me deste em triste outubro… 

Perverso o teu olhar que a mim dardeja 
Deixaste vinho e ausência e, sobretudo, 
A morte que mui sei, tão ímpia almeja 
Cingir-se em mim na cama e no veludo… 

Por falta do teu toque amargurado, 
Na ausência que deixaste no meu vinho, 
Um gole, que me baste, aromantado 

Do sândalo —  almíscar — sal marinho 
Demais impregnado na saudade, 
Um roubo da mi’a pouca sanidade, 
Torturo-me a saber que estás sozinho… 



Leia mais
Poesias, Sonuras, Mágoas Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Mágoas Sahra Melihssa

Inconfidente

Loureio tua tredice, doce anímia… | Ingênua aleivosia amargurada! | Dou lírios à cobiça, alogamia, | Caráter, tão só, teu — apedantada… 

Loureio tua tredice, doce anímia… 
Ingênua aleivosia amargurada! 
Dou lírios à cobiça, alogamia, 
Caráter, tão só, teu — apedantada… 

Esqueça-me, ó anímia, balaclava 
No amor que produzi — afetuoso… 
Esqueça-me, por cada uma palavra 
Por que comigo, amásio defraudoso

Olvides teus espelhos que me efigem! 
Anímia, quis, por tanto, compreender… 
E vis, os teus maneios, não me atingem; 

Não mais, tal como outrora — a saber —  
Serás sincera a mim, virgem falaz? 
Eu temo que, p’ra ti, seja fugaz, 
Enquanto, para mim, doa esquecer… 

Escrito em 7 de setembro de 2024 

Animia (substantivo poético de dois gêneros): Aquele que imita, mímico.
Efigir (verbo poético): Fazer representar a imagem de alguém em algo.
Defraudoso (Adjetivo poético): Enganoso, fraudulento, decepcionante.
 
Palavras criadas por Sahra Melihssa



Leia mais
Poesias, Mágoas Sahra Melihssa Poesias, Mágoas Sahra Melihssa

Intermúndio

Eclipsar esta sujeição tu pretendes? | Ilusão de que na prece te acalmarás | Da nulidade perpétua que entendes | Ser a única entidade que amarás? | Dê-lhe o corpo viril que te ascendes…

 

Roberto Ferri, Vanitas (2014)

 

Eclipsar esta sujeição tu pretendes?
Ilusão de que na prece te acalmarás
Da nulidade perpétua que entendes
Ser a única entidade que amarás?

Dê-lhe o corpo viril que te ascendes
Projete o ego virtuoso que te falta
Luz negrume no espírito acendes
Ao passo que a guilhotina se solta;

Obsessão ao tal calvário venéreo
Qual morres para que seja etéreo
Às mãos da escuridão tão dura

Retinas ao humano cerne contido
Apática às argúcias do sentido
Carícia mórbida em brandura.

Leia mais