Inconfidente

Loureio tua tredice, doce anímia… 
Ingênua aleivosia amargurada! 
Dou lírios à cobiça, alogamia, 
Caráter, tão só, teu — apedantada… 

Esqueça-me, ó anímia, balaclava 
No amor que produzi — afetuoso… 
Esqueça-me, por cada uma palavra 
Por que comigo, amásio defraudoso

Olvides teus espelhos que me efigem! 
Anímia, quis, por tanto, compreender… 
E vis, os teus maneios, não me atingem; 

Não mais, tal como outrora — a saber —  
Serás sincera a mim, virgem falaz? 
Eu temo que, p’ra ti, seja fugaz, 
Enquanto, para mim, doa esquecer… 

Escrito em 7 de setembro de 2024 

Animia (substantivo poético de dois gêneros): Aquele que imita, mímico.
Efigir (verbo poético): Fazer representar a imagem de alguém em algo.
Defraudoso (Adjetivo poético): Enganoso, fraudulento, decepcionante.
 
Palavras criadas por Sahra Melihssa



Sahra Melihssa

Escritora e Poetisa, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sou Anfitriã do projeto Castelo Drácula e minha literatura é rara, excêntrica e inigualável. Meu vocábulo é lapidado, minha literatura é lânguida e mágica, dedico-me à escrita há mais de 20 anos e denomino-a “Morlírica”. Na alcova de meu erotismo, exploro o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo meus leitores em um imersivo deleite — apaixonada pelo tema, criei Lasciven para publicar autores que compartilham dessa paixão. No túmulo de meus escritos, desvelo um terror, horror e mistério ímpares, cheios de profundidade psicológica e de poética absurda — é como uma valsa com a morte. Ler-me é uma experiência, uma vivência para além da leitura em si mesma; e eu te convido a se permitir fascinar.

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