Inconfidente
Loureio tua tredice, doce anímia… | Ingênua aleivosia amargurada! | Dou lírios à cobiça, alogamia, | Caráter, tão só, teu — apedantada…
Loureio tua tredice, doce anímia…
Ingênua aleivosia amargurada!
Dou lírios à cobiça, alogamia,
Caráter, tão só, teu — apedantada…
Esqueça-me, ó anímia, balaclava
No amor que produzi — afetuoso…
Esqueça-me, por cada uma palavra
Por que comigo, amásio defraudoso?
Olvides teus espelhos que me efigem!
Anímia, quis, por tanto, compreender…
E vis, os teus maneios, não me atingem;
Não mais, tal como outrora — a saber —
Serás sincera a mim, virgem falaz?
Eu temo que, p’ra ti, seja fugaz,
Enquanto, para mim, doa esquecer…
Escrito em 7 de setembro de 2024
Animia (substantivo poético de dois gêneros): Aquele que imita, mímico.
Efigir (verbo poético): Fazer representar a imagem de alguém em algo.
Defraudoso (Adjetivo poético): Enganoso, fraudulento, decepcionante.
Palavras criadas por Sahra Melihssa
Intermúndio
Eclipsar esta sujeição tu pretendes? | Ilusão de que na prece te acalmarás | Da nulidade perpétua que entendes | Ser a única entidade que amarás? | Dê-lhe o corpo viril que te ascendes…
Roberto Ferri, Vanitas (2014)
Eclipsar esta sujeição tu pretendes?
Ilusão de que na prece te acalmarás
Da nulidade perpétua que entendes
Ser a única entidade que amarás?
Dê-lhe o corpo viril que te ascendes
Projete o ego virtuoso que te falta
Luz negrume no espírito acendes
Ao passo que a guilhotina se solta;
Obsessão ao tal calvário venéreo
Qual morres para que seja etéreo
Às mãos da escuridão tão dura
Retinas ao humano cerne contido
Apática às argúcias do sentido
Carícia mórbida em brandura.
Loureio tua tredice, doce anímia… | Ingênua aleivosia amargurada! | Dou lírios à cobiça, alogamia, | Caráter, tão só, teu — apedantada…