A névoa do passado é melancólica
Lembranças d’este outrora se dispersam:
O outono e sua Maçã tanto simbólica,
O inverno e a solitude que se versam…
Não sei sobre o que espero das janelas,
Porém tanto observo que a neblina
Revela mais que o sopro à acesa vela
Da vida passadiça em sua rotina…
A carta que redijo ao meu futuro,
Os monstros da mi’a própria consciência,
O alívio de prazeres prematuros…
Percebo se tratar de condolência
À efêmera medula em sua verdade:
A bruma é uma espiral-infinidade
E estou fadada à eterna recorrência.
Sou última nascida em sangue e cinzas | Carrego a carapaça de osso e fúria, | Amálgama d’outrora em boas-vindas | À Vila Séttimor em sua lamúria;…
Que sempre, se pudesse, aqui ficar | Os tempos tão felizes de Natal… | As luzes, os docinhos, o aquietar… | E todo o amor que surge cordial…
Balão festivo, alegra o entardecer! | Refulge níveo e vai no sopro-vento; | Menina que o observa a perceber | Que o escuro vem estranho e nevoento…
Perfeito, o Teatro — e nele a decadência | As máscaras são telas luminosas | Personas em suas tantas aparências | Roteiro de ventura confragosa;…
A névoa do passado é melancólica | Lembranças d’este outrora se dispersam: | O outono e sua Maçã tanto simbólica, | O inverno e a solitude que se versam…
Escrevo. Bem além do que ressinto | Ou sinto ou do que vejo. Muito mais. | Escrevo por questão da alma, do instinto, | Do sonho mais que as sombras factuais!
Nos lagos da saudade há tenro orvalho | De lágrimas nativas do meu ser… | Oníricas venturas são-me atalhos | P’ra sôfrega distância combater…