Delicaen
Pungentes os mundanos são à seda | Das pétalas do ser, que quebradiço, | Eu sou por ver-me sempre na vereda | D’um mundo belicoso e tão mortiço…
Pungentes os mundanos são à seda
Das pétalas do ser, que quebradiço,
Eu sou por ver-me sempre na vereda
D’um mundo belicoso e tão mortiço…
O orvalho é p’ra mim chuva profunda
Vertida do infinito celestino,
Portanto um bruto dito m’infecunda,
E o mau, qual for, lancina-me assassino…
Hostil é-me tal mundo e mui me sinto
Ser nada além d’um frágil beija-flor
Que voa, então, precípite ao destino
E teme as mãos humanas, pois há dor…
Fisgado pelo açúcar n’água fria…
Tão fácil pode ser, pela apatia,
Um alvo formidável do horror.
Suavinura
Um pranto verossímil em meu peito… | Nublados céus sombrios me absorvem… | Sozinha eu silencio, então me deito, | E os sonhos da existência me comovem;…
Um pranto verossímil em meu peito…
Nublados céus sombrios me absorvem…
Sozinha eu silencio, então me deito,
E os sonhos da existência me comovem;
Se houvesse uma razão p’ra ser sensível,
Se um lábio me zombasse espinhento
Seria então, o aperto, bem plausível,
Porém ao meu encontro só relento…
Orvalho do nublar que à noite veio
Contíguo a introversão que acolhe o seio
Da minha tão febril fragilidade…
Se viva estou, mui choro com a lua…
Qualquer sinal de pura inocuidade…
Se vejo flor nascer em minha rua…
Quão fácil é me doer a suavidade…
*Suavinura: Palavra que criei para designar um sentimento sensível, sutilmente triste de aperto e comoção profunda que surge por detalhes que são, geralmente, triviais. VER O DICIONÁRIO
Nos lagos da saudade há tenro orvalho | De lágrimas nativas do meu ser… | Oníricas venturas são-me atalhos | P’ra sôfrega distância combater…