Envolver
Desperta-me e se achega teso e arfante | No leito de paixão que nos pertence… | Atrita-se ao que a ti faz-se abundante, | Arqueio, pois tão fácil me convence…
Desperta-me e se achega teso e arfante
No leito de paixão que nos pertence…
Atrita-se ao que a ti faz-se abundante,
Arqueio, pois tão fácil me convence…
Envolve meu pescoço com tua mão…
Desliza, aperta firme mi’a cintura…
Desvia do caminho co’ambição
A peça fina e rubra em bel costura…
Encaixa… como sabe… devagar…
Sussurra-me a sentir-te bem profundo…
Prazer… mais, mais, assim… movimentar…
Um sopro de tão cálido segundo…
Meus olhos se abrem súbitos… faz frio…
É má tal solidão qual sou servil…
Um sonho que em volúpia é tão fecundo.
Desvelo
Perfume de tez, tórrido desejo; | Teus olhos na penumbra mui silente… | Assim, tão devagar, bem forte almejo… | Murmuras rijo, amor, em mi’a torrente…
Perfume de tez, tórrido desejo;
Teus olhos na penumbra mui silente…
Assim, tão devagar, bem forte almejo…
Murmuras rijo, amor, em mi’a torrente…
As mãos conduzem firmes… teu sadismo…
Um sopro d’infinita alacridade…
Sabeis qu’este meu ser, em fanatismo,
Anseia teu domínio e bestidade…
Porém, tão só, nos seios meus, amor…
Tu vens sorver estranho à essência tua,
Tão plácido em afagos pelo ardor…
Comum ao teu dispor, eu sempre nua,
Aguardo tua efígie de agressor…
Sussurras a paixão, viril fervor…
E todo o teu desvelo continua!
Vetiver
Fragrância em tua tez tanto me instiga, | Provoca-me o sorriso, m’entorpece… | Fleumático e febril, viril me intriga… | Estímulo notívago, me aquece…
Fragrância em tua tez tanto me instiga,
Provoca-me o sorriso, m’entorpece…
Fleumático e febril, viril me intriga…
Estímulo notívago, me aquece…
Co’as mãos em teus cabelos gris, afago,
Enlaço-te e ao teu peito, terno e quente,
Repouso sob o aroma que naufrago
Entoando amor em juras eloquentes;
Diz sim, resvalo o toque e, vultuoso,
— Olência de avidez que ébria me faz —
Permites prolongar, afetuoso,
— Eflúvio de fascínio pertinaz… —
Mantenho-me centrada à cinesia…
Aguardo o éter puro d’ambrosia…
Pupilas dilatadas… tão salaz…
Santidade
Sou tão só a tua missiver cujo desejo venéreo escorre translúcido entre as pernas. Escrevo-te cartas de fascínio lascivo, entretanto, queria…
Sou tão só a tua missiver cujo desejo venéreo escorre translúcido entre as pernas. Escrevo-te cartas de fascínio lascivo, entretanto, queria eu estar sobre teu corpo, encaixando tua rigidez no meu interior. Queria eu beijá-lo com a língua salivante e a garganta bem aberta… quão sórdido é estares distante, entretanto, ainda escrevo e sei que desperto a tua atenção n’estes instantes. Diga-me, amor, ela conduz-te com as mãos tal como eu? Sob óleo de rosa negra, acariciando-te intensa e cuidadosa, todo o teu corpo arrepiado — eu me lembro. Dizias-me da unicidade da minha massagem em tua túrgida vontade, era verdade?
Enquanto corrigias as provas lôbregas dos teus alunos medíocres, sorvi teu membro, escondida. Tu és um homem cheio de saberes, amor, por isso fascina-te minhas cartas. A erudição erótica que guia o teu fervor. Ela, ela não te dá o que tenho… ainda insistes, entretanto, a vestir-se com esta máscara de bom-homem. Ah, mas tu és tão mal… vil, se posso dizer. Fechavas teu punho quando já dentro da minha carne e socava com um prazer inominável; seus olhos ardiam, sua face era demoníaca. “Fisting”, certo? Quem se importa com o termo? Talvez tu, que sabe tão bem todos eles, cada fetiche, cada diferente forma de explorar o prazer.
Agora, rezas sob o altar. Beijas a tua santa. Curioso é o quão “correto” te tornaste. Embora ainda leias minhas cartas e, vez ou outra, responde-me tão somente com a palavra: “mais”. Dou-te mais, amor, excita-me corromper a tua sacra existência.
Saudade & Solidão
Aprecio tua inteligência, todas elas; desde tua clareza mental a respeito do mundo, até a tua amplitude emocional. Assim, quando te sinto imerso em mim na lascívia…
Aprecio tua inteligência, todas elas; desde tua clareza mental a respeito do mundo, até a tua amplitude emocional. Assim, quando te sinto imerso em mim na lascívia que te pertence, pareço possuir um tesouro inestimável em minhas mãos. Conduzo minha voz mansa em teus ouvidos porque agradar-te é o mesmo que preservar este tesouro que possuo. Então teus olhos semicerrados confessam todos os teus desejos para mim. Amor… comigo serás sempre amado da forma que for mais agradável para ti. Diga-me o que queres, eu farei; nos nossos mais íntimos instantes, darei o que queres e como quiseres — e sei que almejas assim, teu cuidado guia toda a minha confiança.
Uma noite antes de ver-te naquele doze de setembro, conduzi meus sonhos — ou induzi — para antecipar o nosso fascinante encontro. Então vi-te num imenso campo de trigo, sim, trigo, não me indagues a razão; mas a cena era linda. O trigo, pelo sol, estava intensamente dourado e refletia nos teus olhos castanhos. Tua pele reluzia de maneira ímpar, talvez fosse o ápice da primavera onde o sol tem em sua composição uma melancolia própria que fulge quaisquer boas memórias. E tu sorrias, tal como fizeste na noite anterior enquanto te inundavas de mim, dentro do mim, na calidez que somente nós dois produzimos. Um sorriso viril de imensurável venustidade. Não sei ao certo como te amo, no entanto, é um amor que se expande n’uma perpétua eternidade.
O sonho não durou muito, após o teu belo sorriso, despertei com saudades; por sorte o veria no dia seguinte e, confesso-te, minha maior realização naquela noite, além da tua presença simplesmente, fora o beijo que deste em mim, aquele beijo em minha vulva, os grandes lábios na tua língua, produzindo sensações de êxtase singular. Beijaste por um longo tempo, envolvendo o pequeno botão da flor que orvalha por ti; e n’uma súbita explosão de prazer, segurei teus cabelos e forcei teu rosto contra minha íntima carne, minha pele, a tez mélea que tu devoras. Assim foi meu primeiro orgasmo, na tua boca — e sei que te lembras, sei que apreciaste, pois sorriste de tal maneira surreal em fascínio quando viu minhas forças exaurirem e todos os meus músculos relaxarem sobre nossa cama.
Não queria que teus negócios exigissem tanto da tua presença longe de mim; sustento-me te ouvindo ao telefone todas as noites — suporto pelas tulipas entregues em nosso lar toda a semana, mandadas por ti. E tudo porque te almejo mais pela saudade, um tipo de ausência que não consegue romper o nosso elo feito com a força de mil diamantes. E te escrever é sempre agradável, mesmo debaixo da solidão, perto dos livros, avistando o lago da janela. Volte apressado… quero mais um beijo, desta vez duplo; da tua boca em minha vulva, da minha boca em teu plenitúrgido sexo. Eu amo assim, deitada na cama, para ter-te na completude de minha garganta enquanto teu sêmen adentra-a e meu corpo convulsiona de tesão. Promete vir o mais rápido possível? Queria te enviar esta carta, quem sabe com notas de meu perfume esguichado pelas páginas — aquele de cerejeira que me deste — e enviar com ela uma foto provocativa tirada com a câmera instantânea; todavia, terá de ser mesmo um e-mail, somente dessa vez. Ando sob carências de um arrefecimento desconhecido, sem energia, apenas saudade e solidão.
Espero-te amor, sempre.
Com ternura, tua dulcífera ninfa.
Rui Mansur - Parte 1
Seus olhos jamais se perderiam em minha memória, ainda que o tempo se regozijasse na tarefa do esquecimento. Contudo, a noite solitária era estranha e fria, meu âmago se calava como um pássaro morto enquanto tudo o que eu sentia era medo…
Seus olhos jamais se perderiam em minha memória, ainda que o tempo se regozijasse na tarefa do esquecimento. Contudo, a noite solitária era estranha e fria, meu âmago se calava como um pássaro morto enquanto tudo o que eu sentia era medo. Eu não estava pronta para olhar as íris que perfuravam minhas retinas naquele instante. Eu tremia. Eu sabia, inclusive, que poderia ter sido evidente o meu tremor, pois que o arrepio brincava em minha pele e se fazia visível em meus braços. À princípio tudo o que fiz foi silêncio, o silêncio parecia durar a eternidade, mas o homem que guardava tão vívido o meu semblante não parecia hesitar, ele não parecia abalado. Decerto sorria detrás da máscara, a maldita máscara… ou seria bendita? Graças a ela a minha feição de transtorno podia se manifestar sem restrições, sem perigos. E naquele instante, com o coração disparado como se eu corresse uma maratona, travei minha respiração enquanto minha pele esquentava como uma febre perigosa.
— Sophia? — aquela voz, agora mais grave do que há dez anos, atravessou o precipício entre nós e espargiu em meu coração, fez com que a pulsação acelerasse num ritmo ainda mais tenebroso. Respirei o mínimo, para não desmaiar. Sentia um amargor vindo da tão clara incapacidade de me comunicar como um ser humano civilizado, custei respondê-lo e ele, graciosamente, elegante como sempre, apenas se fazia espontâneo e tranquilo. — Lembra de mim? — acrescentou, tudo sumiu ao nosso redor e eu apenas o enxergava, vívido, como um ser absorvido pela imensidão de si mesmo; senti uma dor pequena e estortegada, tudo porque minha mudez nos constrangia.
— Ahm… — gemi, ou apenas vocalizei, sem razão aparente, sem motivo, eu estava me esforçando para ser quem eu deveria ser em uma situação inusitada; meu erro, entretanto, foi apreender aquele momento como apenas e tão somente “inusitado”; eu estava afetada, eu estava assustada, não era só um reencontro daqueles em que sorrimos, relembramos e nos despedimos felizes e nostálgicos. Deveria ser, mas, não era para mim. — Claro… — respondi com dificuldade eterna. Ele pareceu mais tranquilo quando o respondi, eu não o notei apreensivo antes, porém, quando o vi mais relaxado, percebi que antes estava tenso. Não era mesmo apenas um reencontro comum, ainda mais pela onda abusiva que corroía meu corpo excitado e transtornado.
— Quanto tempo… Como você está? Conseguiu se formar direitinho? — ele indagava enquanto um frio me envolvia perigoso. Esfreguei meus braços devagar, fechei a porta da geladeira que até aquele momento estivera aberta, porque pouco antes daquela situação horrenda, eu estava apenas escolhendo um sabor de sorvete para adoçar e gelar a noite, quem me diria que o frio viria de outro lugar, numa dança obscura com a febre mais promíscua jamais olvidada... Fiquei de frente ao meu passado, respirei fundo.
— Sim… estou bem… é… no ensino médio sim, mas ainda estou no superior… — Minha resposta, era nítida, estava cheia de insegurança. Era terrível a sensação! — Como... Como você me reconheceu? — Perguntei sem pensar muito a respeito. Ele desviou seu oceano-olhar que ainda era — e como não seria? — tão azul quanto o fim de uma tarde nublada, acinzentado a depender de quem ele está olhando.
— Sinceramente? Eu não faço ideia... Passei por você, seus olhos atentos às geladeiras, tive a impressão de que já tinha visto esses olhos... — Silêncio… Nossos olhos não se desgrudavam naquele momento, mesmo à distância. — Busquei com afinco na memória…. e então Sophia me veio à mente. Resolvi arriscar. — Como eu poderia processar aquela explicação? Eu não poderia, porque seus olhos a mirar meu rosto pálido eram árduos, dominadores, tórridos como o verão de 1999, quando o vi adentrar a sala de aula pela primeira vez… Eu apenas não conseguia entender o porquê de estar tão mais frio a cada segundo, enquanto tudo era calidez, talvez fosse culpa daquele silêncio que fazia morada em meu caos, um pouco mais da música sem ondas sonoras batendo contra minha ansiedade. — Bem, quer tomar um café? Sei que é tarde para isso, mas acho que eles têm chocolate quente aqui também. — Rui estendeu sua mão direita, tocou meu braço esquerdo e o acariciou como se fôssemos íntimos. Eu apenas fiquei estática. — Você está fria… e arrepiada… É bom tomar algo quente.
Fria… arrepiada… Seu toque trouxe algo mais do que isso. Seu toque, mãos quentes, grandes como eram quando tocavam em meu caderno apontando detalhes matemáticos quais eu me esforçava para entender apenas para impressioná-lo. Eu tinha quinze, ele talvez tivesse uns trinta… Era ótimo amá-lo em segredo, meu maior erro foi ter acreditado que a confiança em minhas amizades era baseada em provas concretas de real afeto e bem-querer. Malditas traíras… contaram ao professor que eu o amava… Eu não podia esquecer o quão traumatizante foi aquilo; senti a vergonha de toda a humanidade concentrada dentro de mim. Apesar disso, ainda o amei por um tempo, mesmo já não vendo o seu rosto, já que ele não ficara mais na escola, pois era um professor temporário. Rui Mansur… ele ainda me excitava como antes e… muito mais… porque, afinal, eu já sabia muito bem o que era a excitação e o que poderia ser feito para saná-la, sabedorias que na juventude nunca são bem esclarecidas.
— Eu… não sei… — Respondi com toda a veracidade da minha alma. Eu não sabia se deveria ou não aceitar aquele convite.
— Vamos… não sou mais seu professor de matemática… Não vou te dar uma prova oral sobre raiz e porcentagem — ele sorriu, percebi pelos seus olhos. A prova oral que eu queria era outra, e a máscara não escondia a fascinante expressão de alegria de Rui, por que talvez tenha pensado o mesmo? Não pode ser… lembro de repreender meus pensamentos naquele momento. Sorri de volta, por educação, a tensão existia, mas o cuidado, o carinho que envolvia aquele homem, simplesmente era impossível não ficar à vontade ao lado dele. Caminhamos juntos pelo mercado, passos lentos, só nós dois existíamos ali; seu corpo não estava distante e a cada pronunciar de suas palavras, eu sentia mais e mais desejo.
— Você está… trabalhando em alguma escola da região? — questionei.
— Agora na universidade de USFOR. — Ao ouvi-lo, expressei supresa com sinceridade, mas disfarcei. A USFOR era a maior universidade do país, decerto uma honra para ele poder fazer parte do corpo docente, no entanto, era a mesma Universidade que a minha, pois naquela semana eu havia concretizado minha transferência, uma vez que me mudei para o meu novo apartamento. Mesmo assim, minhas aulas seriam em um prédio completamente diferente, isso me aquietou bem rápido, a sorte de não unirem exatas com humanas. Preferi me abster de imaginar a possibilidade de encontrá-lo outra vez.
— Parabéns! É um grande passo — congratulei e o olhei nos olhos, virando-me sutilmente de lado; pela primeira vez eu busquei o oceano de suas retinas, intencionalmente, eu estava me acostumando com o desconforto pela vergonha de tê-lo tão perto depois de tudo o que vivenciamos naqueles tempos.
— Obrigado, Sophia… — Meu nome em seus lábios me faziam novamente perder o controle; novamente me arrepiei e dessa vez ele com certeza percebeu, olhou para meus braços e depois inclinou suavemente sua cabeça, fechou ligeiramente seus olhos num semicerrar bem sutil. Mesmo assim, mesmo que a cada instante meu anelo por ele ascendesse drasticamente, pouco depois tudo desmoronava como um monte imensurável de lama feita da memória de minha humilhação… Aquele dia… O meu segredo… Aquele era… era meu único segredo… e de repente eu estava nua, sendo julgada no meio de um campo de futebol lotado — era o que eu sentia —; desde então evitei tudo isso, todavia, como eu devia ter previsto, quando se evita demais alguma coisa — com esse esforço exagerado —, essa coisa tende a ressurgir frequentemente para te torturar.
Chegamos ao café. Pedimos bebidas quentes no balcão, sentamo-nos em uma mesa pequena. Não ficamos frente a frente, estávamos pendendo para à esquerda, de forma tênue, já que a mesa possuía três cadeiras..
— Não se assuste — disse Rui ao retirar a sua máscara — maldita pandemia! Eu o vi… perfeitamente… ele estava ainda mais elegante. Fascinante em sua beleza viril. — Como pode ver, me tornei grisalho nesses dez anos e essa expressão facial de velho cansado foi um brinde agregado. — Ele sorri galanteador. E me olha nos lábios e depois nos olhos.
— Você não está com cara de velho… — afirmo sem pensar — Quero dizer… — desvio meu olhar —Não é um problema também estar com cara de velho… — Explico, mas sinto-me confusa, retiro minha máscara devagar e bebo meu chocolate quente e olho os arredores. Não bastasse a incapacidade de socializar, eu ainda estava visceralmente excitada somente pela presente do senhor Mansur.
— Sophia? — Ele me chama. Olho para seu rosto, ele estava concentrado no meu. Logo sua mão direita toca minha perna, ele toca com cuidado e força, eu não esperava, e eu não entendi aquele súbito toque tão quente… Mãos quentes e firmes, mesmo ainda cuidadosas. Eu estava queimando e pelo seu toque em minha perna eu estava em combustão — mesmo ainda morrendo de frio. — Essa sua perna não para de balançar, você não está confortável, não é?
Nem eu mesma percebi que estava assim tão agitada. Rui sem dúvida estava sentindo o meu desejo, porque continuava me olhado fixo, meu nervosismo evidenciava tudo para ele, como uma grande janela aberta. O que eu poderia dizer? O que eu poderia fazer? Era sempre assim, algo o fazia sempre saber o que eu guardava de segredo sobre ele. — Se quiser posso ir embora — ele diz, com a voz mais baixa.
— Não quero… — respondo rápido, como um sopro. Quero pedir para que ele não tire as mãos de mim. — Quero dizer… — hesito — Não precisa ir… só estou um pouco nervosa porque não te vi desde aquele dia… na escola…
— Lembro bem daquele dia… — Rui deixa de tocar minha perna, ela esfria mais do que antes… — Aquelas suas amigas infernizaram a minha vida. — Confessou e bebeu o chocolate logo em seguida. — Elas provavelmente não te contaram o que eu disse a elas, um sermão de meia hora sobre não revelar segredos dos outros, ainda mais dos amigos. Depois eu soube que você estava chorando no intervalo. — Rui respirou fundo e me olhou mais próximo. — Fui atrás de você, mas a Sandra me pegou no meio do caminho para falar sobre as provas… Queria ter te dito que estava tudo bem… Ainda fui surpreendido com o retorno do Gilson, sequer me despedi de você. — Rui se ajustou em sua cadeira, ficou ainda mais perto de mim, eu sabia que provavelmente teria um orgasmo se ele se aproximasse um pouco mais.
— Achei que você tinha ido embora por minha causa… — revelei.
— Jamais… Quero dizer… Não era um problema para mim que uma aluna me amasse, o problema seria eu amá-la de volta — ele disse semissorrindo — Eu não sou o tipo de cara que se apaixona por adolescentes, eu apenas fiquei frustrado com a cara de pau das suas amigas e por isso eu queria te consolar de alguma forma, pelo menos dizendo que estava tudo bem e que eu não tinha achado aquilo ridículo, eu não achava seu amor ridículo.
— Fiquei mesmo com essa impressão — confessei novamente e tomei meu último gole de chocolate. Rui ficou me encarando por alguns momentos.
— Você mudou bastante… — Seus olhos passearam sobre mim… — Mas seu olhar ainda é igual… Doce e gentil... — Sorrio para ele e levanto-me devagar, ele faz o mesmo.
— Eu preciso ir agora — Se eu não fosse embora… eu tinha medo do que poderia acontecer. A forma como falou comigo devagar, o modo como me disse ter um olhar doce e gentil, mordendo sutilmente os lábios, quase imperceptível… Eu não conseguia mais… — Mas… foi ótimo te reencontrar. — Eu falei…. Eu não sabia se de fato tinha sido ótimo. Rui me cumprimentou com um leve abaixar de cabeça, não deixava de me olhar e agora, sem máscara, parecia me causar mais vontade e mais vergonha.
— Foi um prazer te reencontrar. Bom saber que você não me odeia. — Ele brinca. Se inclina um pouco para mim, sorri, fala ainda mais baixo. — Acredite ou não, isso me perseguia bastante.
Isso o perseguia? Por quê? Fiquei sem reação outra vez. Eu quase não respirava, de novo.
— Perseguia? — Repeti como que para assimilar, mas é claro que o Sr Mansur aceitou a indagação.
— Sim… Por empatia e…
— Ah sim… claro… desculpe a pergunta — desviei o olhar, interrompi-o porque sabia que a minha pergunta tinha sido tola, eu me sentia uma criança em busca de migalhas de afeição — Bem, até logo professor. — Rui sorriu.
— Até logo, aluna. — Respondeu para me provocar. Eu apenas sorri enquanto estava enxarcada de desejo por ele.
Não comprei nada naquele dia. Esqueci meu carrinho de compras e apenas não voltei atrás. Eu queria tanto vê-lo de novo que meu desejo era nunca mais encontrá-lo, se é que esse paradoxo é possível. Meu corpo era a manifestação pura do desejo e apenas quando meu coração se acalmou, cerca de duas horas depois, eu consegui relaxar no banho e depois na cama, sentindo a excitação enquanto relembrava do toque quente de Rui e fantasiava como poderia ser o seu corpo, o seu sexo… Qual seria o tamanho, a vultuosidade… quão quente poderia ficar dentro de mim… O quanto poderia preencher a minha boca… Rui estava ainda mais belo agora, mais velho e mais forte… Seu olhar estava mais seguro, mais erótico… Não era aquele olhar de professor cansado… ou eu estava tão apaixonada que apenas enxergava o que eu queria enxergar? Eu não sabia. Esperei ter sonhos com ele naquela noite, mas apaguei rápido e profundo depois de uma intensa e rápida masturbação. Queria os lábios de Rui, faria tudo por isso.
Incontrolável
Eu te sentia, mesmo à distância. E me envolvia aos meus lençóis enquanto o luzir lunar adentrava a minha janela. Pálpebras fechadas, olhos lacrimejantes, pois tamanha era a minha vontade, eu podia sentir tuas…
Nota Secreta, por Janusz: Ela deita sozinha em sua cama e seu desejo por ele era como um pesar em sua alma. Ela podia senti-lo, como uma inquietação, um torpor, um formigamento em seu corpo. Ela queria senti-lo dentro dela, profundamente. Estava desesperada por seu toque, fechava os olhos e podia ouvi-lo dizer: "Agora, fique de joelhos e comporte-se". Ele dava a ela aquilo que ela mais queria, ser desejada.
Eu te sentia, mesmo à distância. E me envolvia aos meus lençóis enquanto o luzir lunar adentrava a minha janela. Pálpebras fechadas, olhos lacrimejantes, pois tamanha era a minha vontade, eu podia sentir tuas mãos que pareciam segurar minha cintura com força, o meu corpo estremecia e meu ser se imergia em temor e prazer, mesmo sob tua ausência cruel. Eu me curvava elevando os quadris e apoiando minhas mãos sobre a cama que ouvia meus gemidos contidos; era uma noite fria, mas eu estava nua. Eu tocava, então, meu clitóris intumescido enquanto elevava ainda mais, curvando minha lombar como se te recebesse profundamente, bem rijo e bem viril, dentro da minha carne. Eu sabia que tu facilmente violentarias a pele do meu corpo com tuas mãos febris, se estivesses comigo, manteria a penetração constante, era justamente isso que eu fantasiava no silêncio do meu sonho consciente.
Nenhum orgasmo alçava-me, pois, eu não queria perder a adrenalina do desejo; um orgasmo é uma morte, um orgasmo é um fim — há nada depois do gozo, por isso eu não chegava ao ápice, apenas imaginava a ti, eu vibrava e chupava meus dedos, sozinha, meus dedos eram o arquétipo do teu falo, meu amor, o falo que te faz o deus que és para mim Não obstante, a carência entre nossos mundos, ornamentava o momento e a memória com uma coroa de flores sepulcral, ainda assim o prazer perdurava e eu me tocava com frenesi, completamente alucinada. E, sabes, eu imaginava-me sentada no chão frio, nua como naquele instante, e tu erguido, todo vestido de cores obscuras, com teu cinto em mãos, pronto para me bater; e neste momento meu oceano interno escorreu entre minhas pernas; pois agrada-me tua violência, agrada-me que me atices e me exponha aos meus limites para depois, na aurora do horizonte em neblina, acaricias-me e diz-me que me amas.
Não há homem como tu; a todos os homens do mundo o meu total desprezo; nenhum deles poderia me tocar como tu fazes; nenhum deles, pois, tenho-te como único, meu Dono, meu Mestre. Disponha-me aos teus proibidos desejos como imaginei naquela noite. Diz-me agora que voltas, hás de escrever-me outra vez? Pois ardo tanto, queimo, incendeio-me no toque e já não suporto mais não ter o teu sexo em mim, abrindo-me, expandindo-me. À esta altura, meu querido, quero até mesmo teu punho fechado socando profundo na minha cona enrubescida.
Com desejo, sempre sua.
Saudade
Quão imensurável é a vontade que verte tão suavemente de minha intimidade, sempre à noite quando me deito, oníricas imagens regam meu adormecer e delas faço aumentar minha calidez até que os sonhos, de fato…
Quão imensurável é a vontade que verte tão suavemente de minha intimidade, sempre à noite quando me deito, oníricas imagens regam meu adormecer e delas faço aumentar minha calidez até que os sonhos, de fato, cheguem; antes deles, no entanto, há tua presença, cujo corpo quente e forte toca-me a cintura que se curva em perfeição; tocas-me também os seios e despertas-me ainda mais delirante. Não hesitas, portanto, a pôr teu falo contra mim, eu o sinto enrijecido à fenda cujo anseio ferve para nós dois. Nossos pijamas confortáveis impedem a penetração súbita, esfregas-te em mim e essa excitação que emerge soa como uma tempestade. Curvo-me para o encaixe perfeito e teu gemer rega a loucura que me invade, tão logo sinto vontade de apanhar de tuas mãos, tão logo sinto vontade de sugar o teu sexo cuja espessura sempre convida minha garganta. É intenso como as chuvas de verão, é como a morte e a vida transmutadas. Estás nesta vívida memória de há poucos dias, meu querido, e já fazes uma falta de tamanha importância; quero mais das tuas mãos que retiram devagar a minha roupa e de teus dedos que buscam cada sulco disponível ao teu prazer.
Quão árduo é não tê-lo neste lugar; enquanto o oceano conversa comigo em suas ondas contínuas, ouço as árvores dançarem nos abismos de si mesmas; percebo que tudo é cinza neste período em que não estou posta à cama, “de quatro”, como dizes, pronta para te sentir — e assim me vem, mais uma vez, uma lembrança, aquela de quando tivemos uma paixão incontrolável no teu carro; sentei com a delícia de mil frutos exóticos, sentei sobre ti e movimentei-me como nunca… ali eu sentia o perfume de teu suor viril mesclado à feminilidade somente minha. Tua rigidez movimentava-se com uma lucidez promíscua e ficamos prestes a gozar por, no mínimo, uma hora. Tomei todo o teu sémen naquela noite, tomaria de novo agora se assim me fosse possível; posso tomá-lo todos os dias como o café da manhã ou a ceia.
Mas agora, por agora, a tua ausência é meu terror mais sombrio, mesmo que te esforces para me preencher de orgasmos à distância, escrevendo deliciosas mensagens ou ligando-me para permitir que tua voz grave ative mais profundamente o flúmen de meu ventre, continuo à deriva da saudade. Há nada que eu pense além de nós, da tua penetração em mim, que começa lenta e se intensifica em um ritmo perfeito; ou mesmo quando dás-me prazer anal, penetrando-me a fenda mais reclusa com a força bruta característica de tua masculinidade. Homens fortes estão morrendo, meu amor, és único e raro, por isso impactas; hoje estão todos os homens debaixo de medos e corrompidos por traumas; tu não és assim, enfrentas teus ardores como um cavaleiro finca a lâmina no inimigo; destróis teus traumas como um impiedoso caçador — e se necessitas de paz e compensação pelo peso que carregas enquanto homem, encontras em mim a tua paz, a fonte do teu alívio.
Não posso continuar a escrever-te, pois estou ardendo. Mande notícias sobre a tua jornada e o teu retorno. Que seja febril a morte da tua falta e abundante o retorno da tua presença; quero tanto receber-te com os lábios abertos, nua, molhada e completamente sedenta tal como estou agora. Quero tanto te receber à noite, quando no ápice do teu anseio, tu me amarras com tuas cordas onde entre teus nós eu me sinto viva e morta. Quero minha carne encarnada, no vermelho do sangue meu, ardendo às custas da tua força, quero queimar a pele enquanto sinto-te tocar em meu ventre. Quero estar no chão, rendida, vendida, prostrada a ti, tua submissa hoje e sempre e a cada dia mais. Volte rápido, volte o mais rápido possível.
Com amor e desejo, sempre sua.
Sonhos
Moroso e calmo como a noite e o silêncio. Vem, toca-me com seus dedos tenros, esqueça o que nos ascende à dor da alma, mate a solidão com a lembrança do meu desejo. Veja que tenho sonhado, diz se você também sonha comigo...
Moroso e calmo como a noite e o silêncio. Vem, toca-me com seus dedos tenros, esqueça o que nos ascende à dor da alma, mate a solidão com a lembrança do meu desejo. Veja que tenho sonhado, diz se você também sonha comigo... Nas visões oníricas te senti penetrar-me na noite passada e hoje apenas finjo que somos esses dois conhecidos. Você sabe pouco desta que busca seus olhos com frequência, decerto porque fora da sua mira e às vistas do mundo onde nunca nos encontramos, eu sou uma mulher sensível que quer tanto o prazer quanto as dores que somente mãos viris proporcionam.
Percebe? Ficamos no abismo de nós quando você não me toca... não queira vestir máscaras comigo, se você não vem próximo, não dá carinho, demonstrando tênue vínculo, pode fácil esvair-se como reminiscência... E eu não quero isso. Raros são os que admiro, raros os que me fascinam — leva um tempo e eles desaparecem como névoa pálida e frígida. Não suma deste ideal, deixa seu corpo dizer a verdade, ainda que seja apenas no segredo de uma realidade alternativa, como a que sonho quando durmo e a que me inquieta quando acordo.
Feita desta fantasia, mesmo sozinha, é impossível não me enganar nessas dunas de inocente vontade. Como reconheço as profundezas dessa tensão? O erotismo tem mesmo as suas faces, posso sentir pulsar longínquo. Guarde agora o seu ego, se possível, minha vontade etérea e tão pura não é esperança, tampouco mundana, é como o primeiro amor de uma criança que, às vezes, se trata apenas de sua pelúcia favorita. Veja que divago, se o faço é porque te quero, mesmo assim como um momento que pode facilmente acabar. Não tem problema.... Começos me assuntam mais do que os fins, pois, em suma, só os inícios são incontroláveis e imprevisíveis. Preparo-me para o nosso fim desde antes de nosso começo, em vista da sua personalidade e da minha. Não nos conhecemos. Deixemos ao sonho o que nunca será real.
Assim, então, penetra-me outra vez, é apenas um sonho, beija-me ao som da chuva que é intensa, úmida como eu. Sinta meu hálito de frescor primaveril e não perca o ritmo do nosso prazer; há um violino distante que toca no momento do meu gozo, eu te abraço porque você está tenso. Você nunca se despede direito. Você nunca me responde direito. E eu sei que, como a chuva, preciso apaziguar; sugo teu sexo pela última vez, no fundo da minha garganta; encontro meus olhos lacrimejando e vejo seu rosto distorcido. Somos o que somos, mentiras desveladas em fragmentos; nunca compartilharemos a verdade de nós e eu que sou frágil, entendo. Você toca minha perna e some como o vento. Um pesadelo que sempre vem pelo vazio que mora no meu peito.
Irreal
Não sei teu nome, mas tu estiveras em meus sonhos esta noite. A escuridão beijava todo o meu quarto e o fervor lânguido incitava minhas lamúrias…
Não sei teu nome, mas tu estiveras em meus sonhos esta noite. A escuridão beijava todo o meu quarto e o fervor lânguido incitava minhas lamúrias. Porventura eu estivesse fragilizada, no entanto, eu bem sei como foi aquilo tudo... tão lúcido. Teu olhar vívido observava-me lascivo, tu estavas do outro lado da rua e, como era um sonho — quão doloroso dizer isso — tudo, com exceção de nós dois, era estranho e vago. Então, caminhei; naquela travessia lenta e silente. Guiada pelos teus olhos como se eu pertencesse às tuas mãos.
Encontramo-nos, frente a frente, e senti o seu toque em minha nuca, conduzindo todas as minhas sensações mais febris. Logo depois, na cintura, puxaste-me contra ti que, rígido, ansiava por mais intimidade. Guiaste-me para o beijo tórrido e úmido, e todo o teu plenitúrgido desejo me estimulava. “Mais...” — eu gemia. Já não estávamos mais ali, de súbito era apenas uma cama, e teu corpo me prensava contra o colchão. Eu implorava... e vi, com a perfeição de uma estátua de marfim, tua penetração profunda e firme, contínua e extasiante. Tu conduzias, com a tua fúria viril, cada vez mais forte. E juro que ouvi o teu gemer, grave em meu ouvido, e despertei quando o prazer já não suportava permanecer no mundo onírico. Acordei trêmula, com o corpo em ápice de luxúria, um orgasmo arrebatador e um desnortear que fez com que eu demorasse alguns minutos para entender o que ocorrera.
Eu desejei que fosse real. No entanto, a solidão sorria para minha alma ofegante. Então decidi escrever-te, mesmo que eu saiba que tua existência é imaterial. Ainda assim, o que senti foi mais do que tangível e se de fato nunca mais o encontrarei vagando pelos meus mais lúcidos sonhos, que assim seja. A eternidade daquele momento nosso já me bastou. Confesso, no entanto, que buscarei teu semblante em todos os rostos que cruzarem meu caminho de agora em diante.
Vontade
Lugares em algures insondáveis, | Tuas mãos que manipulam com ardor... |Se, Dono, tenho as dádivas amáveis | De estar sob teu jugo, por amor,…
Michael Zichy
Lugares em algures insondáveis,
Tuas mãos que manipulam com ardor...
Se, Dono, tenho as dádivas amáveis
De estar sob teu jugo, por amor,
Então resido à alcova do deleite,
Infindo, níveo, doce liquor forte,
Divago e me sorris, sorves do azeite
Na vulva minha e a tez que tem a sorte
Ao manto da dantesca autera essência,
A tua violência em meu prazer
Ó, fira-me, penetra-me... dolência...
Murmura... Sim... Sufoca-me p'ra ver
A lágrima que nasce só por ti,
Imploro açoite como não senti,
Assim faça ao limite eu m'envolver.
Firme Presença
Amor... Quão fascinante a tua firme presença. Vejo em teus olhos um lume sombrio de intensa paixão. Sinto falta e anseio por mais…
Jean-Frédéric Waldeck
Amor... Quão fascinante a tua firme presença. Vejo em teus olhos um lume sombrio de intensa paixão. Sinto falta e anseio por mais. Pouco esperei de nossa noite naquela manhã, é certo que eu compreendia as tuas intenções, todavia, amor, as tuas mãos são maiores do que previ e tua violência mais amável do que ideei. Preferia tê-lo encontrado em LaePasih, mas preferiste me pegar na chegada. Não te questionei e como poderia? Tua voz me obrigava a te obedecer. Senti-me segura contigo, conversávamos naquele carro coisas quais os homens comuns nunca falam. Mas tu, singular, não teme assunto algum.
Não sou capaz de esquecer teu poder viril. Encanta-me ter estado de joelhos aos teus pés e tê-lo beijado longa e profundamente até que me fosse impossível respirar. "Posso facilmente amá-la" — tu disseste enquanto esperávamos no aeroporto. "Isso é algo ruim?" — indaguei-te e tu sorriste com uma seriedade que eu não sei descrever. "Certamente." — respondeste e eu compreendi, amor, que o teu amar é um perigoso dada a abissal intensidade verossímil de teus sentimentos. Naquela cama macia, colocaste-me a sorver de ti, túrgido e imponente. E sorvi. E sorveria toda a noite, como tua mulher, orgulhosa em ter nossa aliança até que a morte nos separe.
Desperta-me e se achega teso e arfante | No leito de paixão que nos pertence… | Atrita-se ao que a ti faz-se abundante, | Arqueio, pois tão fácil me convence…