Hermético Bioma

Raríssimos cristais d’olhos chorosos 
Regaram-me o jardim do peito e a dor 
Nascera envolta n’água, pois ditosos 
Langores deram vida à ave Candor* 

Que ninho tenro e lírico fizera 
N’este âmago dorido, e o coração 
Pulsar em canto lôbrego viera 
P’ra dar sentido à minha solidão; 

D’orvalho lacrimal à cachoeira: 
Valências p’r’os mais raros desalentos, 
Memórias de amargura n’algibeira 

Que é feita de minh'alma a barlavento 
Propensa à quedabismo* por fortuna 
Do sopro contumaz de tece-dunas, 
Qu’estranha fauna e flora... e que tormento! 

Hermético Bioma, por Sara Melissa de Azevedo (Poesia Lírica; Sonura) - 18 de outubro de 2024 

*Candor é um pássaro negro que reside em meus sonhos, de pequeno porte, longa crista; canto melancólico, longas penas negras com curvas ornamentais nas pontas. Seu nome é em razão de seus olhos profundamente brancos. 

*Quedabismo (substantivo feminino poético): Junção de queda+abismo; representa a queda de forma poética, indicando a sua profundidade e, consequentemente, a dor que ela causa. Essa queda é simbólica, geralmente atrelada às agruras e ou ardores da complexidade humana. 



Sahra Melihssa

Escritora e Poetisa, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sou Anfitriã do projeto Castelo Drácula e minha literatura é rara, excêntrica e inigualável. Meu vocábulo é lapidado, minha literatura é lânguida e mágica, dedico-me à escrita há mais de 20 anos e denomino-a “Morlírica”. Na alcova de meu erotismo, exploro o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo meus leitores em um imersivo deleite — apaixonada pelo tema, criei Lasciven para publicar autores que compartilham dessa paixão. No túmulo de meus escritos, desvelo um terror, horror e mistério ímpares, cheios de profundidade psicológica e de poética absurda — é como uma valsa com a morte. Ler-me é uma experiência, uma vivência para além da leitura em si mesma; e eu te convido a se permitir fascinar.

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