Poesias, Sonuras, Cólera, Morte Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Cólera, Morte Sahra Melihssa

A Bruxa e o Cadáver

— Levanta-te morbígero cadáver! | Teus olhos vítreos pálidos reluzem! | Odor de morte antiga que paláver | Sem verbo zumbi horrores que conduzem;…

Bruxa
— Levanta-te morbígero cadáver! 
Teus olhos vítreos pálidos reluzem! 
Odor de morte antiga que paláver 
Sem verbo zumbi horrores que conduzem; 

— Caminhe n’esta terra aromantada 
De lágrimas e sangue, a flor do mal 
Que brota putrefata e delicada 
Disposta a todo crime mais brutal! 

Cadáver
— Devolva-me à morte, bruxa amarga! 
Que vida humana alguma me apetece! 
Jurei beijar meus vermes, cá me larga! 

— Devoto sou ao crânio, pela prece, 
E à úmida madeira do caixão 
E à paz d’este meu hirto coração… 
A vida imunda, sei, não me merece. 



Leia mais
Poesias, Cólera Sahra Melihssa Poesias, Cólera Sahra Melihssa

Ossos do Conviver

Ora, a infância passara  — vedes? | Verteríeis os prantos infantes | se o pretérito fosse, às sedes, | o presente de água-instante, | entretanto…

 

The Potato Ears - Vincent van Gogh, April-May 1885

 

Ora, a infância passara  — vedes?
Verteríeis os prantos infantes
se o pretérito fosse, às sedes,
o presente de água-instante, 

entretanto este tempo aligeira!
Perdereis relevância, atentai!
Dos aprôvos de vossa poeira
e dos julgos vos digo: minguai! 

Vossa tese é só manigância!
Se mi'a letra causar-vos a ânsia,
estarei no prazer eremita; 

E se faço poema com isso,
é em nome do verso e não disso
que vós tendes na língua maldita.

 
 
Leia mais
Poesias, Cólera Sahra Melihssa Poesias, Cólera Sahra Melihssa

Egressão

Comparar-vos jamais, em sentidos, | co'os carvalhos mirrados no ermo | ou co'os vultos, na encosta, doridos | em retorno infindável do enfermo;…

 

Edvard Munch - Jurisprudence (1887)

 

Comparar-vos jamais, em sentidos,
co’os carvalhos mirrados no ermo
ou co’os vultos, na encosta, doridos
em retorno infindável do enfermo;

Ser-me-ia atitude insalubre
aos carvalhos e vultos honestos
que preservam-se puros e nobres
afastados dos homens funestos;

Sois, se cores, o cinza enfadonho!
e se fordes sonido —  medonho!
Cultivei-vos o apreço pascácio…

Vislumbrei-me de novo no abismo,
iludi-me com vosso humanismo
e a beleza do falso palácio.

Leia mais