Arvohreomor
O Sol, um ponto pálido no céu | Azúleo-gris, opaco e tão brumoso; | Pinheiros, névoa negra como um véu… | N’orvalho d’um dilúculo moroso;…
O Sol, um ponto pálido no céu
Azúleo-gris, opaco e tão brumoso;
Pinheiros, névoa negra como um véu…
N’orvalho d’um dilúculo moroso;
Caminho cujo rumo esvanecido
Norteia-me os meus passos n’esta relva,
Profundo-me silente no esquecido
Arbóreo melancólico da selva;
Paisagem que recorro se adormeço,
Que vejo se mi’as pálpebras se fecham
Efúgio meu que tanto tenho apreço…
Tão só no solo dela se apetrecham
Crisântemos plantados por deidades…
Ó leva-me, na morte, à tua verdade
Floresta cujos banzos nunca flecham…
Notúrnea
Dois breus s’escondem brandos n’este olhar | Transitam, sobretudo, em rubras rosas, | Às vezes, lhanos, tenros, a expressar | Paixões intensas, dores perigosas…
Dois breus s’escondem brandos n’este olhar
Transitam, sobretudo, em rubras rosas,
Às vezes, lhanos, tenros, a expressar
Paixões intensas, dores perigosas…
Negrumes íris fitam-nos silentes,
Profundas tal o abismo mortuário,
Portal por onde Lúcifer, ardente,
Perdeu-se enfraquecido e solitário…
Escuros são da noite nectáreos
Lacrimam mel sublime de tristura,
Em trevas nos seduz, sempre sombráreos…
Estão semicerrados em ternura…
Assim reduzem toda a luz cegante,
Abrigam-se em negror vil, delirante,
Nuumita lapidada por fissura.
Hermético Bioma
Raríssimos cristais d’olhos chorosos | Regaram-me o jardim do peito e a dor | Nascera envolta n’água, pois ditosos | Langores deram vida à ave Candor*…
Raríssimos cristais d’olhos chorosos
Regaram-me o jardim do peito e a dor
Nascera envolta n’água, pois ditosos
Langores deram vida à ave Candor*
Que ninho tenro e lírico fizera
N’este âmago dorido, e o coração
Pulsar em canto lôbrego viera
P’ra dar sentido à minha solidão;
D’orvalho lacrimal à cachoeira:
Valências p’r’os mais raros desalentos,
Memórias de amargura n’algibeira
Que é feita de minh'alma a barlavento
Propensa à quedabismo* por fortuna
Do sopro contumaz de tece-dunas,
Qu’estranha fauna e flora... e que tormento!
Hermético Bioma, por Sara Melissa de Azevedo (Poesia Lírica; Sonura) - 18 de outubro de 2024
*Candor é um pássaro negro que reside em meus sonhos, de pequeno porte, longa crista; canto melancólico, longas penas negras com curvas ornamentais nas pontas. Seu nome é em razão de seus olhos profundamente brancos.
*Quedabismo (substantivo feminino poético): Junção de queda+abismo; representa a queda de forma poética, indicando a sua profundidade e, consequentemente, a dor que ela causa. Essa queda é simbólica, geralmente atrelada às agruras e ou ardores da complexidade humana.
Maçã Cítrica
O fruto suculento aos lábios meus… | Amável, tanto cítrico, doçura | De sumo, assim, sublime; que aos museus | Seria, bem decerto, uma obra pura…
O fruto suculento aos lábios meus…
Amável, tanto cítrico, doçura
De sumo, assim, sublime; que aos museus
Seria, bem decerto, uma obra pura…
Orgânico, porém, não poderia
Ficar longe d’um vivo paladar,
Rosado, orbicular, vês? Quem diria?
Que pude degustá-lo e, então, amar…
E amei, na intensidade mais vestal…
Rostindo, com carícias, fruição…
No entanto, que tristura, é sazonal…
E adeus me dera em cálido verão,
Beirando, pois, de março, as grandes chuvas
Faz tempo que o troquei por méleas uvas,
Mas é setembro e sei que voltarão.
Escrito em 7 de setembro de 2024
Fada
Penugem de mil cântaros de flor, | Pois feitos de suas pétalas o são, | Tesouro de segredo arcano e cor | Carmim enegrecido…
Water Nymph, 1907 - Paul Swan (American, 1884–1972)
Penugem de mil cântaros de flor,
Pois feitos de suas pétalas o são,
Tesouro de segredo arcano e cor
Carmim enegrecido co' o artesão;
Guardei no meu jardim, e a cerejeira
De orvalho fez enchê-lo a transbordar,
Previ que tombaria e à laranjeira
Levei para o perfume se agregar;
Mais tarde adormeci e um lume leve
Fulgores fez às pálpebras tão minhas
E vi lá no jardim voando breve
Singela criatura e suas asinhas
Sorvendo do licor aromantado
Na beira do meu cântaro rachado,
Depois ornou com luz as tristes pinhas.
Mormaço
Aflige-me o existir se o outono é febre... | Somente em frigidez eu me apaziguo. | Na toca sou as Cinzas de uma lebre | No tórrido caixão de um lar-jaziguo;…
Aflige-me o existir se o outono é febre...
Somente em frigidez eu me apaziguo.
Na toca sou as Cinzas de uma lebre
No tórrido caixão de um lar-jaziguo;
Escalda este meu ser já condenado
Ao lôbrego lugar abrasador
Que faz na tez o inferno anunciado
Nos últimos versículos do horror...
Privando-me dos ventos nos umbrais,
Parece que este mundo não respira...
Um gole d'água, ou chuva, temporais...
Que o Inverno é una musa que me inspira
Enquanto o fumegar deste planeta
Ebuli a minha vida, uma ampulheta
Revela o fim e a morte que me aspira.
Outonal Lua Cheia
Desperta no crepúsculo silente | Olhei pela janela o frio outono | A brisa que versava o sol poente | Ornava m’ia paisagem como em sonho…
Desperta no crepúsculo silente
Olhei pela janela o frio outono
A brisa que versava o sol poente
Ornava mi’a paisagem como em sonho…
No peito um dolorido “nunca mais”
Pousava devagar contando histórias,
As quais, melancolias e aveleirais,
E amor, de lume infindo, nas memórias;
O índigo-cristal no firmamento
E um pranto calmamente a se verter
“Quão belo e assim efêmero momento…”
A noite iluminou-se e pude ver
Tão pálida e ofuscante, Dama Lua,
Um toque em minha tez, tão livre e nua,
Nascida p’ra acolher a dor do ser.
Augúrio d’Inverno
Quão frígido há de ser este solstício…| Sinto os ares regélidos soprando | Mesmo à clausura, em febre, é propício | Que este tempo vil beije-me nefando;…
La Mélancolie (1785) - Louis Jean-François dit aussi Lagrenée, Louis, L'Aîné (Paris, 1725 - Paris, 1805)
Quão frígido há de ser este solstício…
Sinto os ares regélidos soprando
Mesmo à clausura, em febre, é propício
Que este tempo vil beije-me nefando;
Nesta grã solidão, profundamente,
Ouço o aljofre que vítreo faz remanso
À mirrada folhagem putrescente
Núrida¹ sob a paz de seu descanso;
Símil à cavidade do meu peito
Como a viva estranhez deste meu leito
Onde só o coração faz-se escutado…
Tanto pulsa em sonhar n’esta escassez
P’ra que minh’alma em verso delicado
Volte tal o estio volta ensolarado
P’ra sonura ser soneto outra vez.
Elucidário: ¹ Núrido (adjetivo) Que possui profundidade soturna e aspecto sublime.
Ingênuos Sonhos
Nesses tempos, minha única vontade é estar bem longe, próxima a uma floresta densa, com neblina e umidade; numa agradável casa aquecida, com lareira e chocolate quente…
Nesses tempos, minha única vontade é estar bem longe, próxima a uma floresta densa, com neblina e umidade; numa agradável casa aquecida, com lareira e chocolate quente. Eu estaria lendo e ocuparia meus instantes mais aconchegantes na solidão e no silêncio. Às cinco da manhã eu apreciaria a aurora pálida e, no horizonte, um belíssimo rio e uma cachoeira nascida das cordilheiras mais ancestrais. O sol como uma longínqua estrela branca e as sombras dos pinheiros soariam o cântico do vento. Um chá pela manhã com a suavidade da harpa que eu saberia tocar. A melancolia da música atrairia os pássaros negros mais exóticos e todos os tipos de seres mágicos das profundezas dos sonhos. Eu os alimentaria e lhes contaria a história do Nunca...
Esconjuro
Escaldas, Sol, de modo pálido | Melódicos sons de calada, | Fervendo-me o âmago cálido | A lágrima minha é brumada; | ‘Que queres de mim, ó sazão!…
Escaldas, Sol, de modo pálido
Melódicos sons de calada,
Fervendo-me o âmago cálido
A lágrima minha é brumada;
‘Que queres de mim, ó sazão!
Que dás-me o horror infecundo?
Retrais-me as pupilas, vazão
De meu existir moribundo;
E ainda o caminho iluminas,
Queres qu’eu veja o destino
Fitando mi’as próprias ruínas;
Assim sob o fel genuíno,
A tão prematura morfina
Eu tomo em pavor morosino.
Aesir
Uma lânguida tristura penetrou-me o âmago e minhas lágrimas nasceram como orvalho da manhã. Eu estava preenchida pelo vazio de modo que toda a extensão…
The Maiden’s Lament - Horace Vernet (1789-1863)
Uma lânguida tristura penetrou-me o âmago e minhas lágrimas nasceram como orvalho da manhã. Eu estava preenchida pelo vazio de modo que toda a extensão abíssica que o comporta fazia completo sentido em minha alma. E aquele ser continuava a olhar-me com seu lúrido semblante tumular. Eu soube, pouco antes, das consequências quais se desvelavam naquele atormentador momento, no entanto custei a acreditar até vivenciá-los, pois que qualquer sã criatura hesitaria assim como eu hesitei e, decerto, na mais pura consciência, qualquer um desconfiaria de sua própria sanidade tal como eu desconfiei no prelúdio de todas as coisas. Mas ali, sendo fitada profundamente por aquelas órbitas solitárias, já não cabia em meu peito quaisquer desconfianças, restava tão somente o vínculo ao desalento.
Devo dizer que ainda não manejo as palavras tal como sei que o farei nas próximas décadas; no entanto há sede e vazio, e as palavras possuem a razão elementar que me permite lembrar o sentido etéreo de minha escolha. A minha escolha; aquela que, por Amor, resistiu a todo o sangue e toda a agonia. Fui guiada por minha intuição desde que Aesir pousara em um dos balaústres, na varanda. Era três horas da manhã. O vi majestoso, de soslaio, imediatamente levantei-me para contemplá-lo de perto. Tratava-se de um pássaro corvino cujas penas possuíam tons violáceos, embora, predominantemente, negros. Seus olhos também eram púrpura e detinham uma reluzente constituição símil às chamas de um tipo de fogo obscuro e cósmico. Fitei-o através da porta, pelo vidro. Tive receio, por segundos, diante a magnitude da ave.
“Olá” — sussurrei ao abrir a porta, um sopro taciturno adentrou a fresta e invadiu-me o corpo como se fosse uma aura — e de fato era, mas eu não sabia. Senti frio e angústia, abracei meus braços em busca de calidez e mirei os detalhes da criatura à minha frente. O pássaro era mais belo do que previsto, suas penas possuíam ornamentos reluzentes em um tipo de cor metálica-violeta e o bico era negro, de ponta afilada, perigosa e, talvez, fatal. Sentei-me à porta após buscar, devagar, a cadeira da escrivaninha. A porta de vidro permaneceu semiaberta, pois diante os detalhes que apreendi, temi um pouco mais, temi que seu acúleo penetrasse meu órgão vital, deste modo não deixei que o espaço fosse suficientemente vasto para que ele pudesse entrar. Era tão belo, tão estranhamente melancólico, não quis deixar de fitá-lo mesmo temerosa.
“De onde é essa ave?” — pensei. “Parece um tipo de criatura dos sonhos, fantástica, irreal”. A ave parecia serena, seus movimentos eram tão venustos quanto sua aparência. “Agora não estou tão só” — proferi à ave. “Aqui, às vezes, é solitário; não é como se a solidão me perturbasse, mas você, como uma ave solitária tal como me parece ser, entende que, às vezes, faz falta…” — eu disse. Não há razões para eu ter começado um diálogo com aquela criatura, tratava-se de um pássaro, um tanto místico, eu sei, mas ainda assim era um pássaro; eu de fato sentia a solidão e a falta, a ausência corria em meus pulmões e, por vezes, devorava minha energia. Eu recebia visitas semanais e mensais de alguns familiares e amigos, nutríamos uma relação amistosa; ainda assim eu apenas não pertencia. Não havia encaixe e conforto ao lado daqueles quais me criaram e me educaram durante tantos anos; muito menos daqueles quais conheci no decorrer de meu amadurecimento. Todos eram estranhos e eu me sentia, a cada anfemeridade, mais alheia e indiferente e todos eles.
Meu adorável pai com seu austero semblante, era fraco; tão fraco. Seus traumas o faziam, tão somente, um homem comum cuja autoestima se imergia na ilusão de unicidade; minha mãe, tão amável, imersa em fantasmas cujos horrores a faziam morrer em si mesma, dia após dia. Ambos viam-me como um espelho, transformavam-me em si mesmos e, cada palavra a meu respeito que eu lhes direcionava, voltava para mim como sendo propriedade deles, acerca deles, nunca de mim. E o que posso falar sobre meus irmãos e tios e tias e avós? Todos são como fiéis carvalhos, enraizados no pântano de seus entraves e quimeras. Não se diferem de meus colegas e amigos, os quais vivem sedentos de compensação da vida adulta medíocre que são obrigados a levar. “Devo escolher um nome para você, não é?” — falei ao pássaro após um mergulho prolongado em meus reclusos pensamentos. “É isso que fazem os humanos, nomeiam os entes do mundo, coisas e criaturas” — expliquei e suspirei pela atmosfera ainda tão consternada. “Aesir…” — revelei. “É um nome com sonoridade interessante, não acha?” — mais um suspiro. “É isso… Aesir… Este será o seu nome agora”. Levantei-me. “Aesir, eu estou triste como nunca estivera, não poderei lhe fazer companhia. Logo amanhecerá.” — Fui à minha cama e me deitei. “Dizem que o amanhecer traz sempre um recomeço”. Antes de adormecer, lembro-me de ter visto Aesir voar.
Não era como avistar uma belíssima Arara azul ou, ainda, Tucanos ou Flamingos; Aesir era um pássaro obscuro, olhá-lo não trazia somente encanto de modo a ser, a primeira reação do observador, fotografá-lo ou, ainda, na pior das hipóteses, prendê-lo numa espécie de gaiola. Aesir trazia o encanto rubro cujas sensações de fascinação, infelicidade e vazio uniam-se através da morte em uma dança íntima e soturna. Fitá-lo era, tão somente, profundo desejo de fitá-lo e nada mais além das sensações deste etéreo contemplar. Apesar da estável veracidade daquele noturno encontro, ao despertar na manhã seguinte deduzi se tratar de um sonho lúcido e que a mística criatura nascera meramente das nódoas mentais de meu inconsciente ressentido.
Marcescível
Há de chover hoje, à tarde, | Este sopro tão tenro segreda | Cá o sol pobrezinho não arde | Seu adeus gradativo arvoreda; | Ó azul melancólico, cante! | As nuvens se unem, me basta…
Arthur Parton - Boating by moonlight (1878)
Há de chover hoje, à tarde,
Este sopro tão tenro segreda
Cá o sol pobrezinho não arde
Seu adeus gradativo arvoreda;
Ó azul melancólico, cante!
As nuvens se unem, me basta
Que o dia assim seja infante,
Pois ao imo adentro se vasta;
Acinza-se os céus da redoma
Mais um, do outono, sintoma
Aflições que desfloram-se, nuas,
No meu peito há triste carvalho
Em secura, uma prece ao orvalho,
Rega as dores tão minhas, tão cruas…
Noturníesis - Ode
Doce noite tão soturna canta | Como o flúmen verte o pranto santo | Mui serena aquece em negra manta | Doce noite... tenra... triste encanto... | Leva sonhos para o lado escuro…
A Woman at a Fountain with Rising Moon, Ferdinand Knab (1866)
Doce noite tão soturna canta
Como o flúmen verte o pranto santo
Mui serena aquece em negra manta
Doce noite... tenra... triste encanto...
Leva sonhos para o lado escuro
D’este astro acima mui silente
Leva lá também a dor qu'eu juro:
Era calma, dantes, pouco ardente;
Doce noite, dança, musa minha
Tão venusta ocupa e habita o todo
Nesta sombra só serei rainha!
Não trarei luzir que deixa engodo;
É na treva qual pertenço farta!
E às entranhas d’esta gran penumbra
Deixo a Lira d’este verso-carta.
Outono no.1
Eis, por fim, o Outono... | Frígidas manhãs, | noites de abandono | de todos os afãs; | Das estações: | o sentido; | Do ser, emoções, | de imo luzido;…
Jules Dupre - The Windmill (1859)
Eis, por fim, o Outono...
Frígidas manhãs,
noites de abandono
de todos os afãs;
Das estações:
o sentido;
Do ser, emoções,
de imo luzido;
Eis, por fim, o Outono...
A maçã*, esperança,
Caem folhas, mudança,
aconchego do sono.
*Referência à poesia "Maçã de Outono" escrita por Sara Melissa de Azevedo no ano de 2018.
Suave Lamúria
Lua nívea e cinérea | Tua penumbra m’encanta | Ó, ao Sol, tão etérea! | És puríssima manta; | Teu tenro alumbrar | Feito para o semblante | Não alcança o olhar…
A Noite Estrelada, de Vincent van Gogh (1889)
Lua nívea e cinérea
Tua penumbra m’encanta
Ó, ao Sol, tão etérea!
És puríssima manta;
Teu tenro alumbrar
Feito para o semblante
Não alcança o olhar
Destes grãos petulantes;
Dói-me o peito cansado
Mas sou grão ou semente?
Noite míngua, o fado,
Canta triste e ardente;
Cega busca por deus
Mente humana agitada
Somos vales e nada
Tão perdidos… Adeus…
Nos pesares tão meus
Farei minha morada.
Árduo Ponderar
N'algum lago entre arvoredos | O encontrar da permanência | Das alvas cores da quietude | O orvalhar-se em alvorada;…
Kanashibari Maya Kulenovic (?)
N’algum lago entre arvoredos
O encontrar da permanência
Das alvas cores da quietude
O orvalhar-se em alvorada;
Fenômenos do firmamento
Silenciando o cerne frígido
Em seu aspecto sonante
Frescores da antemanhã…
Dorme ao dorso solitário
Um buscar guiando em ermo
Onde o oásis se desvela
Poente ausência de sentido.
Neesme
Pequeno como um ínfimo grão | Esplendores de fleuma inefável | Na deslumbrante imensidão | Sonha à nuvem do inestimável; | Entona toda a bela tristura…
Study of a dead bird - John Ruskin
Pequeno como um ínfimo grão
Esplendores de fleuma inefável
Na deslumbrante imensidão
Sonha à nuvem do inestimável;
Entona toda a bela tristura
Aos sigilos do áureo clarão
Aurora aos sóis d’abertura
Olhinhos de escuridão;
Quebrante-me o silenciar
Doce e gentil, se vivedouro,
Asas para que saibas voar
Sobre o orvalho-morredouro.
Avis Rara
Colibri, Cântico noturno, Rubi d’ouro soturno, Trove p’ra mim…Colibri, Aos meus umbrais, Tardio n’alma jamais, Inverno de mim;…
Colibri,
Cântico noturno,
Rubi d’ouro soturno,
Trove p’ra mim…
Colibri,
Aos meus umbrais,
Tardio n’alma jamais,
Inverno de mim;
Colibri…
Choras vagante
Sobre a flor errante
Que havia em mim;
Colibri…
A escuridão conduz
Aos lânguos teus
Que dos olhos meus
Deram-te a luz.
ó Colibri… o pranto…
De mil águas, Colibri.
O Sol, um ponto pálido no céu | Azúleo-gris, opaco e tão brumoso; | Pinheiros, névoa negra como um véu… | N’orvalho d’um dilúculo moroso;…