La Mélancolie (1785) - Louis Jean-François dit aussi Lagrenée, Louis, L'Aîné (Paris, 1725 - Paris, 1805)
Quão frígido há de ser este solstício…
Sinto os ares regélidos soprando
Mesmo à clausura, em febre, é propício
Que este tempo vil beije-me nefando;
Nesta grã solidão, profundamente,
Ouço o aljofre que vítreo faz remanso
À mirrada folhagem putrescente
Núrida¹ sob a paz de seu descanso;
Símil à cavidade do meu peito
Como a viva estranhez deste meu leito
Onde só o coração faz-se escutado…
Tanto pulsa em sonhar n’esta escassez
P’ra que minh’alma em verso delicado
Volte tal o estio volta ensolarado
P’ra sonura ser soneto outra vez.
Elucidário: ¹ Núrido (adjetivo) Que possui profundidade soturna e aspecto sublime.
Escaldas, Sol, de modo pálido | Melódicos sons de calada, | Fervendo-me o âmago cálido | A lágrima minha é brumada; | ‘Que queres de mim, ó sazão!…
Há de chover hoje, à tarde, | Este sopro tão tenro segreda | Cá o sol pobrezinho não arde | Seu adeus gradativo arvoreda; | Ó azul melancólico, cante! | As nuvens se unem, me basta…
O Sol, um ponto pálido no céu | Azúleo-gris, opaco e tão brumoso; | Pinheiros, névoa negra como um véu… | N’orvalho d’um dilúculo moroso;…