Desperta no crepúsculo silente
Olhei pela janela o frio outono
A brisa que versava o sol poente
Ornava mi’a paisagem como em sonho…
No peito um dolorido “nunca mais”
Pousava devagar contando histórias,
As quais, melancolias e aveleirais,
E amor, de lume infindo, nas memórias;
O índigo-cristal no firmamento
E um pranto calmamente a se verter
“Quão belo e assim efêmero momento…”
A noite iluminou-se e pude ver
Tão pálida e ofuscante, Dama Lua,
Um toque em minha tez, tão livre e nua,
Nascida p’ra acolher a dor do ser.
Escaldas, Sol, de modo pálido | Melódicos sons de calada, | Fervendo-me o âmago cálido | A lágrima minha é brumada; | ‘Que queres de mim, ó sazão!…
Há de chover hoje, à tarde, | Este sopro tão tenro segreda | Cá o sol pobrezinho não arde | Seu adeus gradativo arvoreda; | Ó azul melancólico, cante! | As nuvens se unem, me basta…
Doce noite tão soturna canta | Como o flúmen verte o pranto santo | Mui serena aquece em negra manta | Doce noite... tenra... triste encanto... | Leva sonhos para o lado escuro…
O Sol, um ponto pálido no céu | Azúleo-gris, opaco e tão brumoso; | Pinheiros, névoa negra como um véu… | N’orvalho d’um dilúculo moroso;…