Outonal Lua Cheia
Desperta no crepúsculo silente
Olhei pela janela o frio outono
A brisa que versava o sol poente
Ornava mi’a paisagem como em sonho…
No peito um dolorido “nunca mais”
Pousava devagar contando histórias,
As quais, melancolias e aveleirais,
E amor, de lume infindo, nas memórias;
O índigo-cristal no firmamento
E um pranto calmamente a se verter
“Quão belo e assim efêmero momento…”
A noite iluminou-se e pude ver
Tão pálida e ofuscante, Dama Lua,
Um toque em minha tez, tão livre e nua,
Nascida p’ra acolher a dor do ser.
Escaldas, Sol, de modo pálido | Melódicos sons de calada, | Fervendo-me o âmago cálido | A lágrima minha é brumada; | ‘Que queres de mim, ó sazão!…
Há de chover hoje, à tarde, | Este sopro tão tenro segreda | Cá o sol pobrezinho não arde | Seu adeus gradativo arvoreda; | Ó azul melancólico, cante! | As nuvens se unem, me basta…
Escritora e Poetisa, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sou Anfitriã do projeto Castelo Drácula e minha literatura é rara, excêntrica e inigualável. Meu vocábulo é lapidado, minha literatura é lânguida e mágica, dedico-me à escrita há mais de 20 anos e denomino-a “Morlírica”. Na alcova de meu erotismo, exploro o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo meus leitores em um imersivo deleite — apaixonada pelo tema, criei Lasciven para publicar autores que compartilham dessa paixão. No túmulo de meus escritos, desvelo um terror, horror e mistério ímpares, cheios de profundidade psicológica e de poética absurda — é como uma valsa com a morte. Ler-me é uma experiência, uma vivência para além da leitura em si mesma; e eu te convido a se permitir fascinar.
O Sol, um ponto pálido no céu | Azúleo-gris, opaco e tão brumoso; | Pinheiros, névoa negra como um véu… | N’orvalho d’um dilúculo moroso;…