Poesias, Sonuras, Natureza Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Natureza Sahra Melihssa

Arvohreomor

O Sol, um ponto pálido no céu | Azúleo-gris, opaco e tão brumoso; | Pinheiros, névoa negra como um véu… | N’orvalho d’um dilúculo moroso;…

O Sol, um ponto pálido no céu
Azúleo-gris, opaco e tão brumoso;
Pinheiros, névoa negra como um véu…
N’orvalho d’um dilúculo moroso;

Caminho cujo rumo esvanecido
Norteia-me os meus passos n’esta relva,
Profundo-me silente no esquecido
Arbóreo melancólico da selva;

Paisagem que recorro se adormeço,
Que vejo se mi’as pálpebras se fecham
Efúgio meu que tanto tenho apreço…

Tão só no solo dela se apetrecham
Crisântemos plantados por deidades…
Ó leva-me, na morte, à tua verdade
Floresta cujos banzos nunca flecham…



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Maçã Cítrica

O fruto suculento aos lábios meus… | Amável, tanto cítrico, doçura | De sumo, assim, sublime; que aos museus | Seria, bem decerto, uma obra pura…

O fruto suculento aos lábios meus…
Amável, tanto cítrico, doçura
De sumo, assim, sublime; que aos museus
Seria, bem decerto, uma obra pura…

Orgânico, porém, não poderia
Ficar longe d’um vivo paladar,
Rosado, orbicular, vês? Quem diria?
Que pude degustá-lo e, então, amar…

E amei, na intensidade mais vestal…
Rostindo, com carícias, fruição…
No entanto, que tristura, é sazonal…

E adeus me dera em cálido verão,
Beirando, pois, de março, as grandes chuvas
Faz tempo que o troquei por méleas uvas,
Mas é setembro e sei que voltarão.

Escrito em 7 de setembro de 2024 



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Fada

Penugem de mil cântaros de flor, | Pois feitos de suas pétalas o são, | Tesouro de segredo arcano e cor | Carmim enegrecido…

 

Water Nymph, 1907 - Paul Swan (American, 1884–1972)

 

Penugem de mil cântaros de flor,
Pois feitos de suas pétalas o são,
Tesouro de segredo arcano e cor
Carmim enegrecido co' o artesão;

Guardei no meu jardim, e a cerejeira
De orvalho fez enchê-lo a transbordar,
Previ que tombaria e à laranjeira
Levei para o perfume se agregar;

Mais tarde adormeci e um lume leve
Fulgores fez às pálpebras tão minhas
E vi lá no jardim voando breve

Singela criatura e suas asinhas
Sorvendo do licor aromantado
Na beira do meu cântaro rachado,
Depois ornou com luz as tristes pinhas.



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Mormaço

Aflige-me o existir se o outono é febre... | Somente em frigidez eu me apaziguo. | Na toca sou as Cinzas de uma lebre | No tórrido caixão de um lar-jaziguo;…

Aflige-me o existir se o outono é febre...
Somente em frigidez eu me apaziguo.
Na toca sou as Cinzas de uma lebre
No tórrido caixão de um lar-jaziguo;

Escalda este meu ser já condenado
Ao lôbrego lugar abrasador
Que faz na tez o inferno anunciado
Nos últimos versículos do horror...

Privando-me dos ventos nos umbrais,
Parece que este mundo não respira...
Um gole d'água, ou chuva, temporais...

Que o Inverno é una musa que me inspira
Enquanto o fumegar deste planeta
Ebuli a minha vida, uma ampulheta
Revela o fim e a morte que me aspira.



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Outonal Lua Cheia

Desperta no crepúsculo silente | Olhei pela janela o frio outono | A brisa que versava o sol poente | Ornava m’ia paisagem como em sonho…

Desperta no crepúsculo silente
Olhei pela janela o frio outono
A brisa que versava o sol poente
Ornava mi’a paisagem como em sonho…

No peito um dolorido “nunca mais”
Pousava devagar contando histórias,
As quais, melancolias e aveleirais,
E amor, de lume infindo, nas memórias;

O índigo-cristal no firmamento
E um pranto calmamente a se verter
Quão belo e assim efêmero momento…

A noite iluminou-se e pude ver
Tão pálida e ofuscante, Dama Lua,
Um toque em minha tez, tão livre e nua,
Nascida p’ra acolher a dor do ser.



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