A Noite Estrelada, de Vincent van Gogh (1889)
Lua nívea e cinérea
Tua penumbra m’encanta
Ó, ao Sol, tão etérea!
És puríssima manta;
Teu tenro alumbrar
Feito para o semblante
Não alcança o olhar
Destes grãos petulantes;
Dói-me o peito cansado
Mas sou grão ou semente?
Noite míngua, o fado,
Canta triste e ardente;
Cega busca por deus
Mente humana agitada
Somos vales e nada
Tão perdidos… Adeus…
Nos pesares tão meus
Farei minha morada.
Nas grotas d’uma lôbrega passagem, | A balça gris e sôfrega, que à vista, | Ornava em medo fúnebre a viagem | Aos versos d’um plangente sonurista;…
Pressinto as outonais aragens frias | No âmago e às janelas, devagar… | O belo movimento em pradarias | Tão símeis aos meus sonhos — meu lugar;…
Kalimba lacrimosa em noite fria: | Sonido de lamúria em languidez, | Se o toque lhe conduz e acaricia | Silêncios mui se prostram — placidez...
À noite, tilintam... | Entre a breve garoa; | E os brilhos longínquos, | Iguais se tilintam... | No firmamento sereno. | Tradições e esperanças: | Tesouros de vida,…
Floresça em direção ao vivo sol… | Que o lume da manhã, o gris frescor, | Conduzem quietude ao teu lençol | De cândido conforto e tenro ardor;...
Memórias d’estas mil alcovas lôbregas, | Perlustro os epitáfios, os semblantes, | Há brandos anjos, murchas rosas sôfregas, | À morte: Os meus silêncios lacrimantes…
O Sol, um ponto pálido no céu | Azúleo-gris, opaco e tão brumoso; | Pinheiros, névoa negra como um véu… | N’orvalho d’um dilúculo moroso;…