Melancolia de Outono

 

Victor Gabriel Gilbert (1847 - 1933) - Resting, c.1890

 

Pois que a vida me parece decadente…
Ó! Ser que voa níveo entre flores
Compr’endes poesia em mi’as dores?
Estou já delirando lentamente;

Só n’altura da inefável estação
Emanas tu o bálsamo nectáreo
Criatura de tal rara composição
Reluzes como quartzo solitário;

Quão harmônica é a tua simetria
N’este teu rastro de adorável leveza;
É límpida em graça a cinesia,
Estás longe de sentir a estranheza

Que aquém, anfêmera, cresce
Segredando sua morta sinfonia,
Enquanto a humanidade se aquiesce
Sob a própria, e triste, astenia;

Como bênção daninha é a razão
Que recria teu invólucro de outrora
E faz-me ponderar tua mutação
Vinda ao despertar na certa hora;

Eu que me assemelho me tumulo
 — Ó, como vem pesar de angústia a mente! — 
Na eterna permanência em meu casulo,
Pois que a vida me parece decadente.

 
 
Sahra Melihssa

Escritora e Poetisa, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sou Anfitriã do projeto Castelo Drácula e minha literatura é rara, excêntrica e inigualável. Meu vocábulo é lapidado, minha literatura é lânguida e mágica, dedico-me à escrita há mais de 20 anos e denomino-a “Morlírica”. Na alcova de meu erotismo, exploro o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo meus leitores em um imersivo deleite — apaixonada pelo tema, criei Lasciven para publicar autores que compartilham dessa paixão. No túmulo de meus escritos, desvelo um terror, horror e mistério ímpares, cheios de profundidade psicológica e de poética absurda — é como uma valsa com a morte. Ler-me é uma experiência, uma vivência para além da leitura em si mesma; e eu te convido a se permitir fascinar.

Anterior
Anterior

O Diário de Laurien

Próximo
Próximo

Esconjuro