Poesias, Sonuras, Sagrado Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Sagrado Sahra Melihssa

Manancial

Est’água é Deus, fluída ao corpo e tão vital... | Portanto basilar à fauna e flora, | À sede, alívio vívido — espiral | De grã poder e simples a quem chora... 

Est’água é Deus, fluída ao corpo e tão vital... 
Portanto basilar à fauna e flora, 
À sede, alívio vívido — espiral 
De grã poder e simples a quem chora... 
 
Est’água é Deus, arcano flúmen: cura; 
Orvalho da manhã, bel natureza, 
Se jaz no evaporar, volta na chuva, 
Três dias sem tua glória: morbideza... 

O símbolo do puro e da abundância, 
Nascemos nela imersos, preservados... 
Est’água é, na memória, a proba infância; 

É Deus, fonte primeva, procurado 
N'algures do universo, pois é vida! 
Pecado é óleo, é cisco, e água ferida 
Dilúvio faz p’ra sermos restaurados. 

Escrito em 30 de setembro de 2024 



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Centelha

Tornou-se o lacrimar a chuva minha | E o corpo meu que em medo se convinha | Nas águas puras…

Leveil du coeur (1892), por William-Adolphe Bouguereau (1825-1905)

Tornou-se o lacrimar a chuva minha
E o corpo meu que em medo se convinha
Nas águas puras logo se banhou
Dos antros pesadelos despertou
E a vida se ascendeu pr’o meu rogar
Gotículas translúcidas do amar
Dulcífera a tristura, então, se fez
As dores em adeus — em escassez
Enquanto d’este flúmen veio a fé
E n’ela a mi’a esperança em sã maré
Por onde uma missiva foi-me entregue
Trazendo-me a lembrança que se segue:
Um lume do Teu rosto ao meu olhar.



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Yeshuah

Ardor d’algures pulsa em sofrimento | Nas sombras de tua imagem sacrossanta, | No peito o lacrimar d’um instrumento | De mor silente essência espelha, encanta...

 

Regina Angelorum (1900) e Pietà (1876), por William-Adolphe Bouguereau (1825 – 1905)

 

Ardor d’algures pulsa em sofrimento
Nas sombras de Tua imagem sacrossanta,
No peito o lacrimar d’um instrumento
De mor silente essência espelha, encanta...

Quem és senão um sopro postremeiro
D’uma alma de esperança terminal
Que entreve a Tua verdade, ó Mensageiro
Das honras mais humanas – és vital;

Nas balças sob as trevas ou clareiras,
Memória do sepulcro e das figueiras,
Hás dentro d’um talvez tanto ideal...

Por isso choro a morte e o renascer
E choro o nascimento, o infindo amor,
A fábula d’outrora em vir a ser
O lídimo acalmar da minha dor.



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