Raro Azul

Anil do teu sorriso cristalino,  
Um mar, que azul-mirtilo, me acalenta,  
Minh’alma azulescida* em teu destino 
É doce, pois te amar me fundamenta; 

Cerúlea voz, a tua, cativante,  
São índigos os lírios de teu ser… 
O raro pigmento ressonante 
Faz sempre a tua essência enobrecer; 

Safira enamorada sou-me e, assim, 
Matiz azul fazemos, segredados 
Nas íntimas promessas de cetim; 

Conservo-te com mui zelo florado! 
Genciana-de-turfeiras sou-me e hábeis 
Teus dedos polinizam-me — afábeis —  
Teus lábios neste estigma molhado. 

Escrito em 23 de agosto de 2024 

*Azulescer (verbo poético): Tornar azul. Fazer ficar com a cor azul. Azular. 



Sahra Melihssa

Escritora e Poetisa, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sou Anfitriã do projeto Castelo Drácula e minha literatura é rara, excêntrica e inigualável. Meu vocábulo é lapidado, minha literatura é lânguida e mágica, dedico-me à escrita há mais de 20 anos e denomino-a “Morlírica”. Na alcova de meu erotismo, exploro o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo meus leitores em um imersivo deleite — apaixonada pelo tema, criei Lasciven para publicar autores que compartilham dessa paixão. No túmulo de meus escritos, desvelo um terror, horror e mistério ímpares, cheios de profundidade psicológica e de poética absurda — é como uma valsa com a morte. Ler-me é uma experiência, uma vivência para além da leitura em si mesma; e eu te convido a se permitir fascinar.

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