Poesias, Sonuras, Amor Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Amor Sahra Melihssa

Nosso Momento

Tocar-me o dorso aquece-me e, talvez, | Nas flébeis amarguras de meu ser | Resida algum remanso em lucidez | ‘vivado pelo afago ao noutecer… 

Tocar-me o dorso aquece-me e, talvez, 
Nas flébeis amarguras de meu ser 
Resida algum remanso em lucidez 
‘vivado pelo afago ao noutecer… 

Mãos tuas, régias, ásperas, amante 
Dedicam-se tal como o mar à lua 
E sabe ser intenso e confortante 
À tez que sempre treme a ti tão nua; 

Carícias me conduzem à brandura 
E leves os meus olhos vão cerrando 
Vigília se amainando à conjuntura 

Que tanto me conforta apaziguando 
E logo pouco importa os meus horrores, 
Quaisquer que sejam minhas as vis dores, 
Um toque teu tão só me vem curando. 



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Raro Azul

Anil do teu sorriso cristalino,  | Um mar, que azul-mirtilo, me acalenta, | Minh’alma azulescida* em teu destino | É doce, pois te amar me fundamenta; ...

Anil do teu sorriso cristalino,  
Um mar, que azul-mirtilo, me acalenta,  
Minh’alma azulescida* em teu destino 
É doce, pois te amar me fundamenta; 

Cerúlea voz, a tua, cativante,  
São índigos os lírios de teu ser… 
O raro pigmento ressonante 
Faz sempre a tua essência enobrecer; 

Safira enamorada sou-me e, assim, 
Matiz azul fazemos, segredados 
Nas íntimas promessas de cetim; 

Conservo-te com mui zelo florado! 
Genciana-de-turfeiras sou-me e hábeis 
Teus dedos polinizam-me — afábeis —  
Teus lábios neste estigma molhado. 

Escrito em 23 de agosto de 2024 

*Azulescer (verbo poético): Tornar azul. Fazer ficar com a cor azul. Azular. 



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Promessa de Solstício

Amado, esta invernia quando vem, | Na tua serenidade apaziguante, | Almejo o aconchego que nos tem | Somente em nosso leito lacrimante;…

Amado, esta invernia quando vem,
Na tua serenidade apaziguante,
Almejo o aconchego que nos tem
Somente em nosso leito lacrimante;

No peito teu deitar-me aquecida
E penso: a eternidade fulgurante
Protege nosso amor e faz da vida
Promessa de um só vínculo constante;

Tu me és tenro perfume de memórias
Em tanto formidáveis, por cuidado,
És lume, amor, pr’a toda a nossa história…

Segredas-me que estás propositado
A ouvir-me parolando as minhas juras,
Zelando, assim, sereno a mi’a candura…
Promete sempre estar, pois, ao meu lado?



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O Restaurador de Livros

Sorinne, apressada, adentrou a biblioteca pensativa; não queria ter assustado sua adorável…

Sorinne, apressada, adentrou a biblioteca pensativa; não queria ter assustado sua adorável amiga Anne e até tentou retornar ao quarto dela para se desculpar, mas Anne já havia partido. Sorinne temia estar imersa em tristes desesperanças que ressoavam amargamente por cada uma de suas falas. Então, respirou fundo por causa da sensação infeliz e voltou-se ao centro do ambiente, avistou um homem. As costas dele eram largas, vestia-se elegante, parecia atento às escrituras d'algum livro já debilitado. Sorinne não se lembrava de ter avistado aquelas costas, não pareciam familiar, então aproximou-se. Bisbilhotou. Mãos viris e grandes foram distinguidas segurando uma agulha e fios de linha. No rosto do forasteiro um tipo específico de monóculo com três lentes espessas, as quais facilmente se intercalavam por meio de uma mecânica inovadora. De súbito, o homem viu Sorinne que, até então, fora profundamente furtiva; o susto tênue fez com que a agulha furasse seu dedo e Sorinne, prestativa, não conseguia parar de pedir-lhe desculpas enquanto buscava fiapos de tecido para envolver o ferimento.

Não te preocupas, está tudo bem, veja, um sangue de nada. Há de cicatrizar antes mesmo que voltes com um curativo.

Perdoe-me, senhor, estava eu tão curiosa para saber o que tu fazias com este exemplar e, por estares concentrado, hesitei em interrompê-lo. — Fitzwilliam sorriu.

Como uma Dama profundamente instruída, temeste que eu o estivesse ferindo? — As palavras do Dom trouxeram um natural e límpido semblante feliz à Sorinne.

De certa forma… O que o senhor fazia?

Estou restaurando-o. Veja, a capa soltou-se e as primeiras páginas estão inseguras. Com esta agulha curva e mais a linha adequada, costuro e fortifico o exemplar. — Sorinne observava com atenção e fascínio. Fitzwilliam demonstrava seus movimentos delicados, ensinando-a cada um dos passos que fazia para criar os minúsculos nós.

Ó! Tão belo… quão delicado! Um trabalho de grande valor, senhor. — Fitzwilliam deixou suas ferramentas de lado, tirou seu monóculo, limpou suas mãos com um pouco de álcool de seu pequeno frasco ao lado da pilha de livros e estendeu, em cumprimento, sua mão direita.

Sou Fitzwilliam Learvhen — Sorinne tocou a mão de Fitzwilliam e ele beijou o dorso da mão dela.

Muito prazer, senhor Learvhen. Eu sou Sorinne von Phennen.

Por favor, apenas Fitzwilliam. Decerto que o prazer é meu, senhorita Sorinne, se assim posso chamar-te. — Sorinne enrubesceu.

Claro que podes. Vais restaurar toda esta pilha?

Aqui não. Levarei alguns para meu ateliê a pedido de Dom Vonssihren.

Há um exemplar de um romance que tenho grande paixão, ele está tão destruído. Posso mostrar-te?

Decerto que sim! — Sorinne caminhou lentamente até a mais distante das estantes, Fitzwilliam a seguiu. Olhando ao redor não pôde encontrar a escada para que pudesse subir às prateleiras mais altas. 

Está ali, mas, não alcanço. — Fitzwilliam esticou seu braço, sua estatura era suficiente para alcançar o objeto, mas para isso, dado o espaço em que estavam, teve de inclinar-se mais do que devia sobre o corpo de Sorinne. Os segundos que se sucederam causaram, aos dois, grande calidez; a aproximação permitiu-lhes sentir seus perfumes entrelaçados sobre a atmosfera silenciosa, além disso, o toque, a sutil pressão de Fitzwilliam sobre Sorinne de imediato ruborizou-lhes as faces. Com o exemplar em mãos, o senhor Learvhen afastou-se cauteloso.

Aqui... está… — ele disse olhando diretamente aos olhos negros de Sorinne. Ela sentiu-se envergonhada, principalmente porque estava atraída pelo restaurador de livros, algo que há tempos não sentia. — Bem… a capa está bem desgastada… — continuou Fitzwilliam na tentativa de desviar-se da admiração constante que dedicava ao rosto da donzela. — Muitas folhas soltas e… que doloroso! Alguns rasgos entre páginas… — Fitzwilliam analisava com zelo e não deixou de perceber que se tratava de um romance clássico.

—  Ganhei quando jovem, eu estava com quinze anos. Faz um tempo… — Sorinne abraçou-se num tênue gesto de carinho a si mesma — Era de minha mãe… Já li tantas vezes… contudo há tempos receio de tocá-lo, está tão sensível. Precisa de atenção. Quanto ficaria para consertá-lo, senhor Fitzwilliam? — Ele a olhou atento.

Será um presente a uma dama tão delicada e gentil. Levarei junto com os demais e trarei assim que possível.

Não posso aceitar, é o teu trabalho e merece todo o reconhecimento.

Então dê-me um entardecer de outono, o que achas? Junto com uma conversa agradável nos bosques. De maneira alguma te cobrarei quaisquer quartzos por este serviço, o farei com o coração aberto e… — Fitzwilliam hesitou — Pulsante… — Seu tom de voz diminuiu, como se buscasse confidenciar algo. Sorinne tremeu ao ouvir as palavras que, embora inócuas e desprovidas de quaisquer intensões sombrias, traziam à tona a reciprocidade do desejo. Admiraram-se em silêncio e calor por átimos se segundos infinitos até que o som da grave voz de Dom Vonssihren os retirasse da aprazível aproximação. Ambos caminharam até o centro da biblioteca outra vez.

Para Sorinne as excitações tão inocentes que emergiram vívidas em sua alma muito se assemelhavam às sensações dos livros restaurados que, com esmero, eram manuseados e curados para reviverem e, com isso, oferecerem a um leitor, outra vez, o melhor que possuem em si. Ao despedirem-se, Sorinne não hesitou em reforçar sua admiração: “Todo o apuro que dedicas aos livros é algo de digníssimo valor!” — Fitzwilliam sentiu-se lisongeado e manteve seus olhos atentos aos lábios de Sorinne: “Tenho o mesmo afeto e diligência com tudo o que minhas mãos tocam, senhorita” — Revelou. Sorinne saudou-o enquanto sentia o encanto, o arrepio e a paixão que nascia ávida pela vida, assim como uma flor pelo sol, etérea e orvalhando em perpétuo contentamento.



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Rosas

— Por que rosas? — Indagou Lord Mauror. Aruahlis caminhava devagar pelo jardim enquanto tocava com ternura as pétalas…

— Por que rosas? — Indagou Lord Mauror. Aruahlis caminhava devagar pelo jardim enquanto tocava com ternura as pétalas das rosas silvestres. Ela gostaria de explicar ao Lord que aquelas flores lhe traziam um conforto inenarrável, que às noites de setembro, quando maior era o desabrochar daquela espécie, Aruahlis colhia algumas para amolgar até tornarem-se uma pasta pigmentada com óleo natural e, então, ela dispunha tal substância em telas de linho puro formando assim pinturas fascinantes e monocromáticas. No entanto, frente àquele que lhe despertava tanto amor, ela pouco conseguia expressar o que almejava. Mauror, por sua vez, buscava desvelar a essência de sua amada pouco a pouco e se fascinava com o enrubescer do rosto de Aruahlis sempre que se aproximavam.

— Veja, eu trouxe algo. — Aruahlis parou seus curtos passos e fitou as mãos do Lord que estava logo atrás. Nelas havia o que parecia ser sementes. Olharam-se nos olhos em seguida. — Outra espécie que convive muito bem com esta. Plante e descobrirá sua cor. — Explicou ele. Aruahlis sorriu encantada e pegou suavemente as sementes das mãos de Mauror. As mãos tocadas eram como o infinito perfeito.

— Há nenhum presente mais belo que este — sussurrou — e jamais esquecerei de teu gesto, Lord Mauror. — Seguraram as mãos com mais calor.

— Dar-te-ei o jardim mais valioso, com todas as espécies, e tu, como flor mais rara, zelará por todas elas com ternura. A tua ternura que me encanta. — Sussurrou Mauror e, no mesmo instante, ele viu o lacrimar dos olhos de sua amada.



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Entre Mundos

Amor, se amares tu, nos sonhos mil, | Os versos adoçados de tristura | Que afloram de minh'alma feminil | Te juras me visar como escultura? …

Amor, se amares tu, nos sonhos mil,
Os versos adoçados de tristura
Que afloram de minh'alma feminil
Te juras me visar como escultura?

Marfim tão quedo e límpido limar
Tua fonte sacrossanta de paixão,
Irás tecer-me em trovas, teu versar,
No som das rimas doutas, escansão?

Segredo que me encalça bem silente
Saber os teus sigilos sobre nós
Amor, se te convém ser confidente:

Estou à letra tanto e sempre a sós,
Existo tão somente na Sonura,
Afora do viver mundano e atroz
Espero-te em mi'a lira-lar-candura.



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Flúmen de Amor

Amar d’infindas formas, amar…| E verte o meu amor como o mar | Querendo aos seres todos…

Amar d’infindas formas, amar…
E verte o meu amor como o mar
Querendo aos seres todos cingir
Gentil amá-los como o fulgir
Do sol ameno em puro cuidar
Ser água que da sede remir
Calor cá nos meus braços brandar.

Amar d’infindas formas, querer
Nos olhos teus tua alma entender
Histórias mil d’algures contar
E então cantarolando adoçar
A noite que em teu leito se erguer
Os sonhos te envolvendo, o trovar
Do céu da tempestade a fender.

Amar d’infindas formas, alvor
No nosso mais intenso fervor
Desejo de meu vivo clamar
P’ra’s cartas, redigir e versar,
Afagos de desvelo e valor
E toda a angústia vir se anular
No etéreo e raro manto do amor.

Amar com inefável esmero
Acima do julgar tão severo
Que faz o coração lancinar.

Por vezes em meu cerne verbero
Resiste este amor mui sincero
Nos vales d’este humano pecar?

Mas tendo em mansidão relembrar
Que se é lídimo o lume e tão mero
Há nada que o fará se arruinar.



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Elo & Sinfonia

Tenaz opus sonda e cura, | O agravo do agora se cala, | Exornas-me a grã tristura, | Um gesto de benquerença…

The Violin Student (1891), por Stephen Seymour Thomas (1868 - 1956)

Tenaz opus sonda e cura,
O agravo do agora se cala,
Exornas-me a grã tristura,
Um gesto de benquerença
Que, pêsame, cor de opala
Análoga à sepultura
Por onde o violino avença
No amar-te que assim m’embala
Anseias-me na partitura.

Escarpa, os olhinegros cravar,
E a treva do abismo tu vês
Que sou, mas vens afinar
Portento opimo só teu
Abeiro-me em calidez
Cortejas-me no aurorar
Dos sóis do solo imo meu
Enfloro-me em languidez
E luro-me em teu firmar.

Se liro assim intrincada
Estimo quem és, me enlaço,
Mãos tuas, aprumo, enseada
Das águas do pranto lasso
De estar, pois, apaixonada.

Teu timbre compõe-me o ser
Portanto, que amanteigado,
O afeto e meu bem-querer
Aspiro o vir compassado
Afago teu âmago a arder.

E sendo já o anoitecer
Vibrando-nos resplendor
A aliança a me conceder
Vertendo-te ao seio-rubor.



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Mar Teu

Estás onde? Em meu quente coração! | Assim adormecido e protegido | Sob uma aura esmeralda de emoção | Que lume, como céu deste infinito…

Imagem criada por Sahra Melihssa

Estás onde? Em meu quente coração!
Assim adormecido e protegido
Sob uma aura esmeralda de emoção
Que lume, como céu deste infinito…

E neste meu sonhar tanto plantamos
Palavras mil de amores tão serenos,
Regando-nos às chuvas quais amamos,
Nas pétalas carinhos bem amenos;

Amar-te, Azul, me alegra — é eterno…
Febril estado deste corpo meu…
Teu olhar âmbar é nobre — e fraterno,

Escolho descansar no mar, mar teu,
Que enlevo traz, afasta o triste inverno
E etéreo reluz sobre o torvo breu.

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Lhaneza d’Amore

Encontro o brilho deste olhar que tens | No rumo qual caminho nesta vida | E como estrela-guia, ó!, tu me vens | Destrói-me a triste angústia tão sustida;…

 

Auguste Toulmouche - A couple 1880c

 

Encontro o brilho deste olhar que tens
No rumo qual caminho nesta vida
E como estrela-guia, ó!, tu me vens
Destrói-me a triste angústia tão sustida;

Em mim o teu sorriso faz bom dia
E as horas todas doces soam lindas
E o vento mesmo frio me acolhe e cria
Recanto em nosso amor que nunca finda;

Assim, querido, toda a eternidade
E toda a mais incrível natureza
E — ainda — toda a crível divindade

Se alcançam, perto, os pés de tua grandeza
Decaem, pois jamais na existência
Houvera tanto esmero em gran pureza.

 
 
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Instantes 02

— Não terei clemência frente ao espelho que reluz toda a minha nadificante existência, pois este é o sentimento mais medíocre, ou pelo menos um dos mais medíocres…

 

The Pride of Dijon. (1879) William John Hennessy

 

Não terei clemência frente ao espelho que reluz toda a minha nadificante existência, pois este é o sentimento mais medíocre, ou pelo menos um dos mais medíocres.

Autopiedade não leva a nenhum lugar, tens razão. – Entreolharam-se e Jasmine sorriu.

O que fazes aqui, Edwarden? O arrebol desfalece o dia e logo haverá névoa, nenhuma flor do jardim estará à vista.

Ora, pois, que vim por uma flor em específico. – Ele toca suavemente o rosto de Jasmine. — E esta não se ofusca na neblina, ao contrário, aflora assim que nela se ascendem os segredos do anoitecer.

Desconheço tal espécie... – Jasmine volta-se à paisagem desviando seu vívido olhar do semblante de seu amado. Edwarden se aproxima outra vez.

Trata-se d’uma rara espécie a qual reside em teu espelho e faz jardim n’este teu ser – ele sussurra.

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Leleenvenur

Tens a beleza d'esta chuva | Trazes frescor e bom abrigo | De vida, flora, verde-uva, | Tens uno amor para comigo; | Perfume teu é rio de luzidio | Que como véu às terras úmidas…

 

Antonio Piatti - Rose and Thorn, 1901

 

Tens a beleza d’esta chuva
Trazes frescor e bom abrigo
De vida, flora, verde-uva,
Tens uno amor para comigo;

Perfume teu é rio de luzidio
Que como véu às terras úmidas
Vai guiando o ser-tardio
D’estas belas nuvens túmidas;

Neste teu peito, eu aquecida,
Tuas mãos em minha fronte
Torna a água tão querida
E vem do amor, a nossa fonte.

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Phainesthai

Limiares d’uma vasta imensidão | Indagações à vida, impertinentes, | Traços de indolência em infusão | Alegorias aquém, inconscientes…

Edelfelt, Albert (1854-1905) - Playing the piano

Limiares d’uma vasta imensidão
Indagações à vida, impertinentes,
Traços de indolência em infusão
Alegorias aquém, inconscientes;

Que tudo, se noite, quer fulgor
Eles volvem aos brandos ninhos
Lares que amenizam rubra dor
Compreensão do fruto do alinho;

Mesmo qu’inda vagante e infeliz
O velar paternal à fundura-cicatriz
Arroga-se do imortal pertencimento,

Assim, sendo, acolho-me quente
Ao destemor do luzir benevolente
Berço inócuo d’inabalável alento.

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