Instantes 02

 

The Pride of Dijon. (1879) William John Hennessy

 

Não terei clemência frente ao espelho que reluz toda a minha nadificante existência, pois este é o sentimento mais medíocre, ou pelo menos um dos mais medíocres.

Autopiedade não leva a nenhum lugar, tens razão. – Entreolharam-se e Jasmine sorriu.

O que fazes aqui, Edwarden? O arrebol desfalece o dia e logo haverá névoa, nenhuma flor do jardim estará à vista.

Ora, pois, que vim por uma flor em específico. – Ele toca suavemente o rosto de Jasmine. — E esta não se ofusca na neblina, ao contrário, aflora assim que nela se ascendem os segredos do anoitecer.

Desconheço tal espécie... – Jasmine volta-se à paisagem desviando seu vívido olhar do semblante de seu amado. Edwarden se aproxima outra vez.

Trata-se d’uma rara espécie a qual reside em teu espelho e faz jardim n’este teu ser – ele sussurra.

Sahra Melihssa

Escritora e Poetisa, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sou Anfitriã do projeto Castelo Drácula e minha literatura é rara, excêntrica e inigualável. Meu vocábulo é lapidado, minha literatura é lânguida e mágica, dedico-me à escrita há mais de 20 anos e denomino-a “Morlírica”. Na alcova de meu erotismo, exploro o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo meus leitores em um imersivo deleite — apaixonada pelo tema, criei Lasciven para publicar autores que compartilham dessa paixão. No túmulo de meus escritos, desvelo um terror, horror e mistério ímpares, cheios de profundidade psicológica e de poética absurda — é como uma valsa com a morte. Ler-me é uma experiência, uma vivência para além da leitura em si mesma; e eu te convido a se permitir fascinar.

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