Poesias, Sonuras, Melancólico, Nostalgia Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Melancólico, Nostalgia Sahra Melihssa

Onirialgia

Estive no esplendor d’este lugar | N’algures dos meus sonhos mais serenos | Dormi nos girassóis, ouvi cantar | Os pássaros nas nuvens, contra o vento… 

Estive no esplendor d’este lugar 
N’algures dos meus sonhos mais serenos 
Dormi nos girassóis, ouvi cantar 
Os pássaros nas nuvens, contra o vento… 

Senti saudades… mesmo não vivendo… 
Sem nunca, pois, ter visto o entardecer, 
Clamei ao lusco-fusco, mas s’erguendo 
A noite em sua bel forma fez-me ver… 

Que é tudo um sonho lúcido da pena… 
A tinta que conduz toda uma imagem 
Dos tempos que amei, quando pequena, 

Recônditos profundos e miragens, 
E vivo p’ra trazê-los ao presente… 
Tão doces ilusões da minha mente… 
Longínquas e nostálgicas paisagens… 



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Poesias, Existencial, Nostalgia Sahra Melihssa Poesias, Existencial, Nostalgia Sahra Melihssa

Murmúrio

Debaixo d’esta vil tristura | Habito a imensa estafa | E ébria eu n’esta loucura | O vinho me sobra à garrafa; | Estou em delírio, fissura, | O perfume que sinto exala…

 
Nicola Samorì

Nicola Samorì

 

Debaixo d’esta vil tristura
Habito a imensa estafa
E ébria eu n’esta loucura
O vinho me sobra à garrafa;

Estou em delírio, fissura,
O perfume que sinto exala
Tempos d’escola e ternura
Inócua lembrança-opala;

Estou em fascínio, aflição,
Nem sei a razão do sofrer
Mas tardo a ouvir a canção,

Pois que tarda pulsar-me o ser
E a alma que fora ascensão
Declina e se deixa morrer.

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Galardão para minha humanidade

Corpo em vasta poética e flamância | Girassóis escolhidos, mente sã, | Ouço o lago dos sonhos de mia infância… | Ó Verão, dê-me o doce da maçã!…

 

O Sorrow, Katherine Stone

 

Corpo em vasta poética e flamância
Girassóis escolhidos, mente sã,
Ouço o lago dos sonhos de mia infância…
Ó Verão, dê-me o doce da maçã!

Quão suave a alvorada se estendia,
Como o sol aquecia os corações
Era boa a canção do fim do dia
Mesmo em mil amarguras, solidões…

Sempre os quadros da mente — inefáveis — 
Sós serão cenários confortáveis
Neste olhar real do haver vulgar,

Pois vagar pelo áureo imaginável
É razão que mantém-me suportável
Neste Nada que ferve a me chagar.

 
 
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Quanto o tempo resiste na memória?

Ó, dos féis que amarguram o meu cerne | estes ventos pretéritos estão, | pois me guiam n'outrora que concerne | às belezas que nunca voltarão, | mesmo sempre almejando que se eterne,…

 

Skulls Painting - Skull Rose by Alex Rios

 

Ó, dos féis que amarguram o meu cerne
estes ventos pretéritos estão,
pois me guiam n'outrora que concerne
às belezas que nunca voltarão,
mesmo sempre almejando que se eterne,
vejo as sombras da idade em seu clarão,
são-me, tais, a penúria de meu cerne;

Sinto as marcas nascendo em minha fronte,
todo pássaro canta lentamente,
tal nostálgica aura é horizonte,
minha essência parece mais clemente,
peço e rezo que exista alguma fonte
p'ra trazer-me, os prelúdios, ternamente,
plenos ares do estro como ponte;

Mesmo embora eu fosse solitária
— como sou desde então, mas em tristura —
lá havia uma mágica lendária
qual vestia em mim íntegra armadura;

Era árdua, porém, revigorante,
neste agora se faz fastidiosa,
tudo pende em sonhar nadificante,
só o fino lembrar mantém-me airosa.

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