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Arvohreomor

O Sol, um ponto pálido no céu | Azúleo-gris, opaco e tão brumoso; | Pinheiros, névoa negra como um véu… | N’orvalho d’um dilúculo moroso;…

O Sol, um ponto pálido no céu
Azúleo-gris, opaco e tão brumoso;
Pinheiros, névoa negra como um véu…
N’orvalho d’um dilúculo moroso;

Caminho cujo rumo esvanecido
Norteia-me os meus passos n’esta relva,
Profundo-me silente no esquecido
Arbóreo melancólico da selva;

Paisagem que recorro se adormeço,
Que vejo se mi’as pálpebras se fecham
Efúgio meu que tanto tenho apreço…

Tão só no solo dela se apetrecham
Crisântemos plantados por deidades…
Ó leva-me, na morte, à tua verdade
Floresta cujos banzos nunca flecham…



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Sonurista da Morte

Nas grotas d’uma lôbrega passagem, | A balça gris e sôfrega, que à vista, | Ornava em medo fúnebre a viagem | Aos versos d’um plangente sonurista;…

Nas grotas d’uma lôbrega passagem,
 A balça gris e sôfrega, que à vista,
 Ornava em medo fúnebre a viagem
 Aos versos d’um plangente sonurista;

Lagura enegrecida e nau minguada,
 Um’áura tão morbígera envolvia
 Minh’alma dolorida e desgraçada,
 Enquanto ele, em poema, me pre’nchia

Seu canto-recitar… Ó! Que tristura!
 A cada rima, de algo eu me esquecia
 Sumindo, n’aflição de mi’a fissura…

“Bem-vindo ao fim” — ouvi e pertencia
 Ao ser de manto negro na paragem,
 Olhei o sonurista, uma miragem?
 Um mármore, tão só, me conduzia.



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Notúrnea

Dois breus s’escondem brandos n’este olhar | Transitam, sobretudo, em rubras rosas, | Às vezes, lhanos, tenros, a expressar | Paixões intensas, dores perigosas… 

Dois breus s’escondem brandos n’este olhar 
Transitam, sobretudo, em rubras rosas, 
Às vezes, lhanos, tenros, a expressar 
Paixões intensas, dores perigosas… 

Negrumes íris fitam-nos silentes, 
Profundas tal o abismo mortuário, 
Portal por onde Lúcifer, ardente, 
Perdeu-se enfraquecido e solitário… 

Escuros são da noite nectáreos 
Lacrimam mel sublime de tristura, 
Em trevas nos seduz, sempre sombráreos… 

Estão semicerrados em ternura… 
Assim reduzem toda a luz cegante, 
Abrigam-se em negror vil, delirante, 
Nuumita lapidada por fissura. 



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Íntima Tristura

Pressinto as outonais aragens frias | No âmago e às janelas, devagar… | O belo movimento em pradarias | Tão símeis aos meus sonhos — meu lugar;…

Pressinto as outonais aragens frias
No âmago e às janelas, devagar…
O belo movimento em pradarias
Tão símeis aos meus sonhos — meu lugar;

Saudosa alma silente e melancólica,
Efêmeros ocasos: meu langor…
No onírico resido e quão simbólica
A vida é n’esta gênese do alvor…

Quão índigo o pulsar do coração…
Quiçá no sopro frígido eu entenda
Qu’estou fadada a tal introversão…

Protejo-me em exílio e a minha senda
Compr’ende-me a lhaneza tão soturna
E o méleo riso e a tenra fé noturna,
A sós, sob minha lôbrega oferenda…



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Vinho & Ausência

Do vinho que deixaste na tua ausência | Recordo-me do gole, seco e rubro… | Da amarga nicotina em decadência | Do beijo que me deste em triste outubro… 

Do vinho que deixaste na tua ausência 
Recordo-me do gole, seco e rubro… 
Da amarga nicotina em decadência 
Do beijo que me deste em triste outubro… 

Perverso o teu olhar que a mim dardeja 
Deixaste vinho e ausência e, sobretudo, 
A morte que mui sei, tão ímpia almeja 
Cingir-se em mim na cama e no veludo… 

Por falta do teu toque amargurado, 
Na ausência que deixaste no meu vinho, 
Um gole, que me baste, aromantado 

Do sândalo —  almíscar — sal marinho 
Demais impregnado na saudade, 
Um roubo da mi’a pouca sanidade, 
Torturo-me a saber que estás sozinho… 



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Manancial

Est’água é Deus, fluída ao corpo e tão vital... | Portanto basilar à fauna e flora, | À sede, alívio vívido — espiral | De grã poder e simples a quem chora... 

Est’água é Deus, fluída ao corpo e tão vital... 
Portanto basilar à fauna e flora, 
À sede, alívio vívido — espiral 
De grã poder e simples a quem chora... 
 
Est’água é Deus, arcano flúmen: cura; 
Orvalho da manhã, bel natureza, 
Se jaz no evaporar, volta na chuva, 
Três dias sem tua glória: morbideza... 

O símbolo do puro e da abundância, 
Nascemos nela imersos, preservados... 
Est’água é, na memória, a proba infância; 

É Deus, fonte primeva, procurado 
N'algures do universo, pois é vida! 
Pecado é óleo, é cisco, e água ferida 
Dilúvio faz p’ra sermos restaurados. 

Escrito em 30 de setembro de 2024 



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Soledade

Kalimba lacrimosa em noite fria: | Sonido de lamúria em languidez, | Se o toque lhe conduz e acaricia | Silêncios mui se prostram — placidez...

 

Foto de Sara Melissa de Azevedo

 

Kalimba lacrimosa em noite fria: 
Sonido de lamúria em languidez, 
Se o toque lhe conduz e acaricia 
Silêncios mui se prostram — placidez... 

Ouvir-te é calmaria e desalento, 
Miúdo regozijo, colo e leito, 
Conforto de pesar, sopro do vento, 
Sonura que assimila a dor do peito... 

Kalimba, quão sensível me percebo... 
Por vezes m’espaireço refletindo 
Que o mundo, porventura, é só placebo... 

 E às vezes tudo está coexistindo, 
Enquanto em minha mente um universo 
É só, pedaço ímpar, submerso, 
N’um tanto que silente vou sentindo... 

Escrito em 22 de setembro de 2024 



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Hermético Bioma

Raríssimos cristais d’olhos chorosos | Regaram-me o jardim do peito e a dor | Nascera envolta n’água, pois ditosos | Langores deram vida à ave Candor*…

Raríssimos cristais d’olhos chorosos 
Regaram-me o jardim do peito e a dor 
Nascera envolta n’água, pois ditosos 
Langores deram vida à ave Candor* 

Que ninho tenro e lírico fizera 
N’este âmago dorido, e o coração 
Pulsar em canto lôbrego viera 
P’ra dar sentido à minha solidão; 

D’orvalho lacrimal à cachoeira: 
Valências p’r’os mais raros desalentos, 
Memórias de amargura n’algibeira 

Que é feita de minh'alma a barlavento 
Propensa à quedabismo* por fortuna 
Do sopro contumaz de tece-dunas, 
Qu’estranha fauna e flora... e que tormento! 

Hermético Bioma, por Sara Melissa de Azevedo (Poesia Lírica; Sonura) - 18 de outubro de 2024 

*Candor é um pássaro negro que reside em meus sonhos, de pequeno porte, longa crista; canto melancólico, longas penas negras com curvas ornamentais nas pontas. Seu nome é em razão de seus olhos profundamente brancos. 

*Quedabismo (substantivo feminino poético): Junção de queda+abismo; representa a queda de forma poética, indicando a sua profundidade e, consequentemente, a dor que ela causa. Essa queda é simbólica, geralmente atrelada às agruras e ou ardores da complexidade humana. 



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Agoníria

N'alcova em solinura eu m'afligia, | Terror de pesadelos: abundante! | Nesta umbra-consciência algo plangia | Em mórbido sonar arrepiante...

N'alcova em solinura eu m'afligia,  
Terror de pesadelos: abundante! 
Nesta umbra-consciência algo plangia 
Em mórbido sonar arrepiante. 
 
O choro era vazio e aterrador 
Mas nunca o despertar me bem-dizia; 
Cruel me simulava — Ó vil horror! — 
No cômodo em bizarra noite fria; 
 
Eterno retornar do lacrimar 
A cada um só segundo mais agudo 
Refém d'um hediondo ilusionar 
 
N'alcova, condenada sobretudo,  
E quando finalmente a me surgir 
O sol duma manhã, meu grão-vizir,  
Um logro — qu'inda durmo em meu veludo. 

Escrito em 20 de agosto de 2024 

Agoníria (substantivo poético feminino): Pesadelo sufocante que ilusionar o despertar para enganar a mente e mantê-la aprisionada no plano onírico.



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Sê Éden

Floresça em direção ao vivo sol… | Que o lume da manhã, o gris frescor, | Conduzem quietude ao teu lençol | De cândido conforto e tenro ardor;...

Floresça em direção ao vivo sol… 
Que o lume da manhã, o gris frescor, 
Conduzem quietude ao teu lençol 
De cândido conforto e tenro ardor; 

Floresça sempre douta do qu’é simples 
Se sob a escuridão vir a ficares 
Acalma e regue as raras e absímiles 
Que fazem tu’essência de mil mares; 

Permita-se fanar quando preciso, 
É cedo crer que não renascerás; 
Adube com cautela o paraíso… 

Jardim d’esta tu’alma, então serás 
A lótus e o alvo lírio e a bela rosa, 
E as águas, teu pomar, poema e prosa… 
Silêncio-entardecer vislumbrarás. 

Escrito em 23 de agosto de 2024



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Sonura Aos Mortos

Memórias d’estas mil alcovas lôbregas, | Perlustro os epitáfios, os semblantes, | Há brandos anjos, murchas rosas sôfregas, | À morte: Os meus silêncios lacrimantes…

Memórias d’estas mil alcovas lôbregas, 
Perlustro os epitáfios, os semblantes, 
Há brandos anjos, murchas rosas sôfregas, 
À morte: Os meus silêncios lacrimantes… 

Epígrafes datadas de saudades… 
Soturno violino à sete palmos… 
Pretérito e futuro, ambiguidades… 
Um último versar dos raros salmos… 

Mil sonhos cujo rastro se prostrou… 
O Efêmero é, da vida, a cortesia 
Que dá sabor ao doce que amargou 

Lembrando-nos que houvera poesia, 
E mais um mausoléu longínquo conta: 
No fim aquele alvor sempre desponta”, 
Mas nunca há de brindar-nos c’o ambrosia… 

Escrito em 6 de setembro de 2024 



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Sínfora d’Envocação

As treze sinfonias tocarão | Ardor da Morte pútrida —  evocada | De face em fleuma — sopro de aguilhão | Um canto de langor à dor cessada;...

 

Marino Lenci

 

As treze sinfonias tocarão 
Ardor da Morte pútrida —  evocada 
De face em fleuma — sopro de aguilhão 
Um canto de langor à dor cessada; 

Allegro em tumular sigilo oculto 
Das letras, valsa a Lúcifer, o anjo 
 — Adagio, uma sonura que sepulto 
Em rosas escarlates n’um arranjo; 

Então, no silencim, às três do alvor 
No círculo uma lírica sonante 
Minuetto raro emerge em esplendor 

Erguendo-se, finale, tão flamante 
Em sangue, era o Diabo, estupefato! 
Colérico! Esclareço: “Foi o gato! 
De negros pêlos, olhos rutilantes!”. 

Escrito em 31 de agosto de 2024 

Sínfora (substantivo feminino poético): Sinfonia macabra. Composição musical para orquestra, em formato de sonata, com teor obscuro e sombrio. 



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Raro Azul

Anil do teu sorriso cristalino,  | Um mar, que azul-mirtilo, me acalenta, | Minh’alma azulescida* em teu destino | É doce, pois te amar me fundamenta; ...

Anil do teu sorriso cristalino,  
Um mar, que azul-mirtilo, me acalenta,  
Minh’alma azulescida* em teu destino 
É doce, pois te amar me fundamenta; 

Cerúlea voz, a tua, cativante,  
São índigos os lírios de teu ser… 
O raro pigmento ressonante 
Faz sempre a tua essência enobrecer; 

Safira enamorada sou-me e, assim, 
Matiz azul fazemos, segredados 
Nas íntimas promessas de cetim; 

Conservo-te com mui zelo florado! 
Genciana-de-turfeiras sou-me e hábeis 
Teus dedos polinizam-me — afábeis —  
Teus lábios neste estigma molhado. 

Escrito em 23 de agosto de 2024 

*Azulescer (verbo poético): Tornar azul. Fazer ficar com a cor azul. Azular. 



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Maçã Cítrica

O fruto suculento aos lábios meus… | Amável, tanto cítrico, doçura | De sumo, assim, sublime; que aos museus | Seria, bem decerto, uma obra pura…

O fruto suculento aos lábios meus…
Amável, tanto cítrico, doçura
De sumo, assim, sublime; que aos museus
Seria, bem decerto, uma obra pura…

Orgânico, porém, não poderia
Ficar longe d’um vivo paladar,
Rosado, orbicular, vês? Quem diria?
Que pude degustá-lo e, então, amar…

E amei, na intensidade mais vestal…
Rostindo, com carícias, fruição…
No entanto, que tristura, é sazonal…

E adeus me dera em cálido verão,
Beirando, pois, de março, as grandes chuvas
Faz tempo que o troquei por méleas uvas,
Mas é setembro e sei que voltarão.

Escrito em 7 de setembro de 2024 



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Inconfidente

Loureio tua tredice, doce anímia… | Ingênua aleivosia amargurada! | Dou lírios à cobiça, alogamia, | Caráter, tão só, teu — apedantada… 

Loureio tua tredice, doce anímia… 
Ingênua aleivosia amargurada! 
Dou lírios à cobiça, alogamia, 
Caráter, tão só, teu — apedantada… 

Esqueça-me, ó anímia, balaclava 
No amor que produzi — afetuoso… 
Esqueça-me, por cada uma palavra 
Por que comigo, amásio defraudoso

Olvides teus espelhos que me efigem! 
Anímia, quis, por tanto, compreender… 
E vis, os teus maneios, não me atingem; 

Não mais, tal como outrora — a saber —  
Serás sincera a mim, virgem falaz? 
Eu temo que, p’ra ti, seja fugaz, 
Enquanto, para mim, doa esquecer… 

Escrito em 7 de setembro de 2024 

Animia (substantivo poético de dois gêneros): Aquele que imita, mímico.
Efigir (verbo poético): Fazer representar a imagem de alguém em algo.
Defraudoso (Adjetivo poético): Enganoso, fraudulento, decepcionante.
 
Palavras criadas por Sahra Melihssa



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Tempus Fugit III

Alguém verá esta noite, que estrelada, | A sós vislumbro em toda a imensidão? | E mesmo que a perceba agraciada | Compreende seu sabor de solidão?…

Alguém verá esta noite, que estrelada, 
A sós vislumbro em toda a imensidão? 
E mesmo que a perceba agraciada 
Compreende seu sabor de solidão? 

Alguém, sentindo a aragem tão sutil, 
Enquanto a escuridão é mui soturna, 
Talvez encontre lá, sentidos mil, 
Os quais estão, p’ra mim, na fé sonurna... 

Ó, quanta vastidão, do firmamento, 
Assombra, pois, infinitesimal, 
Mui faz do meu haver — triste relento; 

Soterro-me em vazio adagial... 
— O sopro d’uma vida passadiça — 
Andar errante à sombra fronteiriça 
Das horas no relógio arterial. 



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Promessa de Solstício

Amado, esta invernia quando vem, | Na tua serenidade apaziguante, | Almejo o aconchego que nos tem | Somente em nosso leito lacrimante;…

Amado, esta invernia quando vem,
Na tua serenidade apaziguante,
Almejo o aconchego que nos tem
Somente em nosso leito lacrimante;

No peito teu deitar-me aquecida
E penso: a eternidade fulgurante
Protege nosso amor e faz da vida
Promessa de um só vínculo constante;

Tu me és tenro perfume de memórias
Em tanto formidáveis, por cuidado,
És lume, amor, pr’a toda a nossa história…

Segredas-me que estás propositado
A ouvir-me parolando as minhas juras,
Zelando, assim, sereno a mi’a candura…
Promete sempre estar, pois, ao meu lado?



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Seth

Orquídeas negras tecem a ninguém, | Silêncio aveludado no jardim, | Apresso-me temendo vir alguém | Desperto pelo…

Orquídeas negras tecem a ninguém,
Silêncio aveludado no jardim,
Apresso-me temendo vir alguém
Desperto pelo horror do olor carmim;

Perfiz todo o balcedo estéril e vi
A névoa cinerária se achegando,
Tão tácita espargia — eu m’envolvi…
Sua lôbrega humidade circundando;

Desvelo, cinza e triste vilarejo,
Porém, ao meu espanto, flama à vela
E o som d’um tragimorbo realejo…

Vertigem brusca, bagas de Glïzehla
Nas mãos de humana tez, viril demônio,
Semblante tão terrífico em adônio — 
Não temas teu Arcanjo, bel donzela”.



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