Poesias, Sonuras, Onírico, Sombrio Sahra Melihssa Poesias, Sonuras, Onírico, Sombrio Sahra Melihssa

Sínfora d’Envocação

As treze sinfonias tocarão | Ardor da Morte pútrida —  evocada | De face em fleuma — sopro de aguilhão | Um canto de langor à dor cessada;...

 

Marino Lenci

 

As treze sinfonias tocarão 
Ardor da Morte pútrida —  evocada 
De face em fleuma — sopro de aguilhão 
Um canto de langor à dor cessada; 

Allegro em tumular sigilo oculto 
Das letras, valsa a Lúcifer, o anjo 
 — Adagio, uma sonura que sepulto 
Em rosas escarlates n’um arranjo; 

Então, no silencim, às três do alvor 
No círculo uma lírica sonante 
Minuetto raro emerge em esplendor 

Erguendo-se, finale, tão flamante 
Em sangue, era o Diabo, estupefato! 
Colérico! Esclareço: “Foi o gato! 
De negros pêlos, olhos rutilantes!”. 

Escrito em 31 de agosto de 2024 

Sínfora (substantivo feminino poético): Sinfonia macabra. Composição musical para orquestra, em formato de sonata, com teor obscuro e sombrio. 



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O Chamado

Ó fardo este infinito penumbral | Uivando seu silêncio que me amarga | Às vísceras, o medo sepulcral, | Isola-me na prece - minha adarga; | Serena imensidão, revela o peito,…

 

Nicola Samorì, Valle umana (Malafonte), 2018

 

Ó fardo este infinito penumbral
Uivando seu silêncio que me amarga
Às vísceras, o medo sepulcral,
Isola-me na prece — minha adarga;

Serena imensidão, revela o peito, 
Debaixo desta noite, sussurrando
Que os ares tão sombrios são-me o leito
O qual hei de jazer-me suplicando;

Mas como eu poderia imaginar
Que os ventos do obscuro abominar
Buscavam servilismo etéreo e pleno

E n’ávida aflição que estive tanto
Tangível me rendi regada ao pranto
Tomei do algar das sombras o veneno.

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Vilviren

Luz pálida nos frios cantos | Memórias de mudos prantos | Rubro líquido sobre a mesa | E a taça-cristal — reluz atro — | Partida em silêncio — o rastro…

 

Raven, Vera Velichko

 

Luz pálida nos frios cantos
Memórias de mudos prantos
Rubro líquido sobre a mesa

E a taça-cristal — reluz atro —
Partida em silêncio — o rastro
Da única vela inda acesa;

A mortalha da noite — o leito —
A vil solidão sem despeito
À presa que jaz na alfombra,

O vão entre os ossos do torso
Nenhum fragmento-remorso
Habita o agouro da sombra.

 
 
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