Alguém verá esta noite, que estrelada,
A sós vislumbro em toda a imensidão?
E mesmo que a perceba agraciada
Compreende seu sabor de solidão?
Alguém, sentindo a aragem tão sutil,
Enquanto a escuridão é mui soturna,
Talvez encontre lá, sentidos mil,
Os quais estão, p’ra mim, na fé sonurna...
Ó, quanta vastidão, do firmamento,
Assombra, pois, infinitesimal,
Mui faz do meu haver — triste relento;
Soterro-me em vazio adagial...
— O sopro d’uma vida passadiça —
Andar errante à sombra fronteiriça
Das horas no relógio arterial.
O caminho da Sonura iniciou-se em fevereiro de 2021; tenho o registro d’esta ideia em meus arquivos, disponíveis em meu site também. Cingida por significados…
Sou última nascida em sangue e cinzas | Carrego a carapaça de osso e fúria, | Amálgama d’outrora em boas-vindas | À Vila Séttimor em sua lamúria;…
Que sempre, se pudesse, aqui ficar | Os tempos tão felizes de Natal… | As luzes, os docinhos, o aquietar… | E todo o amor que surge cordial…
Balão festivo, alegra o entardecer! | Refulge níveo e vai no sopro-vento; | Menina que o observa a perceber | Que o escuro vem estranho e nevoento…
Perfeito, o Teatro — e nele a decadência | As máscaras são telas luminosas | Personas em suas tantas aparências | Roteiro de ventura confragosa;…
A névoa do passado é melancólica | Lembranças d’este outrora se dispersam: | O outono e sua Maçã tanto simbólica, | O inverno e a solitude que se versam…
Escrevo. Bem além do que ressinto | Ou sinto ou do que vejo. Muito mais. | Escrevo por questão da alma, do instinto, | Do sonho mais que as sombras factuais!
Nos lagos da saudade há tenro orvalho | De lágrimas nativas do meu ser… | Oníricas venturas são-me atalhos | P’ra sôfrega distância combater…