Mal Devenir
Aflitos estão, mergulhados n'ausência | dormindo no véu do sonhar nebuloso | guiando o viver na ilusão-reticência, | cativos, em vão, do torpor deleitoso…
Salvator Rosa ( 1615-1673 ) - L'Umana Fragilità
Aflitos estão, mergulhados n’ausência
dormindo no véu do sonhar nebuloso
guiando o viver na ilusão-reticência,
cativos, em vão, do torpor deleitoso;
As flores do alvor, em licor escarlate,
respingam sinais, menosprezam-nas, tolos…
Semblante vital d’um triste calafate
vedando, tão só, p’ra sorver desconsolos…
São eles os quais, pertencentes ao mundo,
respiram, fiéis, decadência vestal,
e vão sucumbir em valores, no fundo,
repletos de fel… no vazio imortal.
Pressinto as outonais aragens frias | No âmago e às janelas, devagar… | O belo movimento em pradarias | Tão símeis aos meus sonhos — meu lugar;…
Kalimba lacrimosa em noite fria: | Sonido de lamúria em languidez, | Se o toque lhe conduz e acaricia | Silêncios mui se prostram — placidez...
À noite, tilintam... | Entre a breve garoa; | E os brilhos longínquos, | Iguais se tilintam... | No firmamento sereno. | Tradições e esperanças: | Tesouros de vida,…
Floresça em direção ao vivo sol… | Que o lume da manhã, o gris frescor, | Conduzem quietude ao teu lençol | De cândido conforto e tenro ardor;...
Memórias d’estas mil alcovas lôbregas, | Perlustro os epitáfios, os semblantes, | Há brandos anjos, murchas rosas sôfregas, | À morte: Os meus silêncios lacrimantes…
Cinéreas nuvens, frio — e a quietude, | A fina chuva, o aroma: há sopa quente | Nos prédios, casas, lares: placitude; | Debaixo, em cobertores — quiescente;
Por vezes em meus sonhos turbulentos | Sentires do passado me retornam, | São como frágeis sombras, tenros ventos | Que espargem às paisagens que me ornam;…
Efígies
Teimosia de luto, calada | fundamenta somente o vazio… | eu vislumbro o silêncio, nevada, | na pureza da ausência de brio; | Na paisagem que fúnebre canta…
Teimosia de luto, calada
fundamenta somente o vazio…
eu vislumbro o silêncio, nevada,
na pureza da ausência de brio;
Na paisagem que fúnebre canta,
questionando me vejo, confusa,
de quem é a tragédia, a manta
sobre o corpo debaixo da musa?
Mas por vezes o escuro cintila…
Nada vejo ou escuto, ventila,
o perfume de areia, de morte;
A permuta das almas murmura:
“Condenada no ciclo d’agrura
habitando-se em dores-consorte”.
Nas grotas d’uma lôbrega passagem, | A balça gris e sôfrega, que à vista, | Ornava em medo fúnebre a viagem | Aos versos d’um plangente sonurista;…
Pressinto as outonais aragens frias | No âmago e às janelas, devagar… | O belo movimento em pradarias | Tão símeis aos meus sonhos — meu lugar;…
Kalimba lacrimosa em noite fria: | Sonido de lamúria em languidez, | Se o toque lhe conduz e acaricia | Silêncios mui se prostram — placidez...
À noite, tilintam... | Entre a breve garoa; | E os brilhos longínquos, | Iguais se tilintam... | No firmamento sereno. | Tradições e esperanças: | Tesouros de vida,…
Floresça em direção ao vivo sol… | Que o lume da manhã, o gris frescor, | Conduzem quietude ao teu lençol | De cândido conforto e tenro ardor;...
Memórias d’estas mil alcovas lôbregas, | Perlustro os epitáfios, os semblantes, | Há brandos anjos, murchas rosas sôfregas, | À morte: Os meus silêncios lacrimantes…
Cinéreas nuvens, frio — e a quietude, | A fina chuva, o aroma: há sopa quente | Nos prédios, casas, lares: placitude; | Debaixo, em cobertores — quiescente;
Por vezes em meus sonhos turbulentos | Sentires do passado me retornam, | São como frágeis sombras, tenros ventos | Que espargem às paisagens que me ornam;…
Regressão Lastimosa
Solidão, com perpétuas ternuras, | adentrando silente, prostrada, | simulando que sempre, funduras, | estivera presente, deixada; | Por constantes desejos estive…
Edvard Munch - Nude (1913)
Solidão, com perpétuas ternuras,
adentrando silente, prostrada,
simulando que sempre, funduras,
estivera presente, deixada;
Por constantes desejos estive
esforçando-me como nutriz…
esculpindo morada, sustive,
um sentido: fazê-la feliz;
Entretanto se vai, sobremodo,
ausentando-se neste seu modo
e voltando depois, com tristuras…
Quem me dera sentir que pertence,
que comigo, perene, mantém-se,
sem deixar fraquejar estruturas.
Nas grotas d’uma lôbrega passagem, | A balça gris e sôfrega, que à vista, | Ornava em medo fúnebre a viagem | Aos versos d’um plangente sonurista;…
Pressinto as outonais aragens frias | No âmago e às janelas, devagar… | O belo movimento em pradarias | Tão símeis aos meus sonhos — meu lugar;…
Kalimba lacrimosa em noite fria: | Sonido de lamúria em languidez, | Se o toque lhe conduz e acaricia | Silêncios mui se prostram — placidez...
À noite, tilintam... | Entre a breve garoa; | E os brilhos longínquos, | Iguais se tilintam... | No firmamento sereno. | Tradições e esperanças: | Tesouros de vida,…
Floresça em direção ao vivo sol… | Que o lume da manhã, o gris frescor, | Conduzem quietude ao teu lençol | De cândido conforto e tenro ardor;...
Memórias d’estas mil alcovas lôbregas, | Perlustro os epitáfios, os semblantes, | Há brandos anjos, murchas rosas sôfregas, | À morte: Os meus silêncios lacrimantes…
Cinéreas nuvens, frio — e a quietude, | A fina chuva, o aroma: há sopa quente | Nos prédios, casas, lares: placitude; | Debaixo, em cobertores — quiescente;
Por vezes em meus sonhos turbulentos | Sentires do passado me retornam, | São como frágeis sombras, tenros ventos | Que espargem às paisagens que me ornam;…
Lancinura
sinto mundos febris, | sinto imenso e agudo | dor no peito, amiúdo: | meus plangores ardis… | sentimento-agonia, | sinto tanta torrente | que se verte, cadente, | a ilusão de euforia…
Francesco Hayez (1791–1882) - Mary Magdalene as a hermit (1833) DETALHE
sinto mundos febris,
sinto imenso e agudo
dor no peito, amiúdo:
meus plangores ardis…
sentimento-agonia,
sinto tanta torrente
que se verte, cadente,
a ilusão de euforia…
sinto muito e pressinto:
decadência e martírio
penumbral sentinela;
aqui dentro, distinto…
se me fosse um delírio
não teria sequela.
5 de janeiro de 2021
“Lancinura” é uma palavra criada por mim para representar a sensação que atravessa os metros d’este Soneto. Significa o mesmo que “Lancinante”, contudo o termo ascende-se às profundezas do âmago pela vogal “U” mais grave que se estende por maior tempo. Além disso, “nura” faz referência ao termo “nullus” que em latim significa “nada” ou “coisa alguma”; isso porque sentir muito é olhar para o abismo do ser — o Nada que nos constitui — e que pulsa continuamente.
Que ardor… Cri na mendaz ilusão | Teus olhos negros na escuridão | Fisgados por entre…
Perdura ainda o tal do isolamento? | Ou só mantém-se a regra para mim? | Se saio vejo tantos n'um momento | Sorrindo e rindo em goles de festim; | Alguns até que…
Intermúndio
Eclipsar esta sujeição tu pretendes? | Ilusão de que na prece te acalmarás | Da nulidade perpétua que entendes | Ser a única entidade que amarás? | Dê-lhe o corpo viril que te ascendes…
Roberto Ferri, Vanitas (2014)
Eclipsar esta sujeição tu pretendes?
Ilusão de que na prece te acalmarás
Da nulidade perpétua que entendes
Ser a única entidade que amarás?
Dê-lhe o corpo viril que te ascendes
Projete o ego virtuoso que te falta
Luz negrume no espírito acendes
Ao passo que a guilhotina se solta;
Obsessão ao tal calvário venéreo
Qual morres para que seja etéreo
Às mãos da escuridão tão dura
Retinas ao humano cerne contido
Apática às argúcias do sentido
Carícia mórbida em brandura.
Nihilen
Amor… guardarás algo dos momentos? | Das tenras amarguras que criamos | Às loucas vãs mentiras que contamos | Meu rosto trará amenos fragmentos?…
Stephen Mackey - Meniscus
Amor… guardarás algo dos momentos?
Das tenras amarguras que criamos
Às loucas vãs mentiras que contamos
Meu rosto trará amenos fragmentos?
Querido… vês o abismo melancólico?
O pranto rarefeito e tão contínuo?
Por quanto fingiremos o imo ingénuo
Temendo um só futuro não bucólico?
Já não sei o que te escrevo n’esta estrofe
E odeio tua falsa e vítrea apóstrofe
Ao meu discurso fraco, inexistente…
Do vinho o sangue cálido te escarra!
Do escarro o vinho cálido se esbarra
No oculto verso, um grito inconsciente.
Que ardor… Cri na mendaz ilusão | Teus olhos negros na escuridão | Fisgados por entre…
Amor… guardarás algo dos momentos? | Das tenras amarguras que criamos | Às loucas vãs mentiras que contamos | Meu rosto trará amenos fragmentos?…
A morada do austero pranto \ é o desaguar que recidivo | indaga-te pravo e ablativo: | “Vais desejá-la se a água-manto | cobri-la o rosto em pálida ternura?…
Soneto d’Enfaro
Por mais que eu tanto insista na tendência | Debaixo das possíveis esperanças | Dezembro é-me d'angústia as alianças | Firmando um casamento por clemência…
Mateo Cerezo the Younger - Magdalena (17th century)
Por mais que eu tanto insista na tendência
Debaixo das possíveis esperanças
Dezembro é-me d’angústia as alianças
Firmando um casamento por clemência;
Perdão senhores, santos, cada fé;
Estou refém dos pobres pensamentos
Culpados são, pois, trazem tal maré
À vista d’um horror por sacramentos;
Qu’estejam crendo, não vou me importar
Eu mesma invejo o vosso atenuar
Às cousas abismais d’esta existência;
Sucumbam aos anfêmeros afagos
Das rasas mãos do tempo, truques vagos,
Pois nada disso afasta a decadência.
Nas grotas d’uma lôbrega passagem, | A balça gris e sôfrega, que à vista, | Ornava em medo fúnebre a viagem | Aos versos d’um plangente sonurista;…
Pressinto as outonais aragens frias | No âmago e às janelas, devagar… | O belo movimento em pradarias | Tão símeis aos meus sonhos — meu lugar;…
Kalimba lacrimosa em noite fria: | Sonido de lamúria em languidez, | Se o toque lhe conduz e acaricia | Silêncios mui se prostram — placidez...
À noite, tilintam... | Entre a breve garoa; | E os brilhos longínquos, | Iguais se tilintam... | No firmamento sereno. | Tradições e esperanças: | Tesouros de vida,…
Floresça em direção ao vivo sol… | Que o lume da manhã, o gris frescor, | Conduzem quietude ao teu lençol | De cândido conforto e tenro ardor;...
Memórias d’estas mil alcovas lôbregas, | Perlustro os epitáfios, os semblantes, | Há brandos anjos, murchas rosas sôfregas, | À morte: Os meus silêncios lacrimantes…
Cinéreas nuvens, frio — e a quietude, | A fina chuva, o aroma: há sopa quente | Nos prédios, casas, lares: placitude; | Debaixo, em cobertores — quiescente;
Por vezes em meus sonhos turbulentos | Sentires do passado me retornam, | São como frágeis sombras, tenros ventos | Que espargem às paisagens que me ornam;…
Elucubração
Mesmo estando ainda exausta | Prezo ao exílio próprio de mim | Prostrada ao cavar d’esta crusta | À angústia do abismo carmim; | Às veras dos sonhos devastados…
Daniel Murtagh - Kate
Mesmo estando ainda exausta
Prezo ao exílio próprio de mim
Prostrada ao cavar d’esta crusta
À angústia do abismo carmim;
Às veras dos sonhos devastados,
Sentidos ergueram-se a sorrir
Com seus rostos transfigurados
Por tal melancolia em vil devir;
Assim se foram os elos puros
E da música só a lira aos escuros
Sepultou-se em seus tristes versos,
Fenecido está agora o afã tolo,
Ah… se me servissem de consolo
Os lânguidos restos submersos.
Nas grotas d’uma lôbrega passagem, | A balça gris e sôfrega, que à vista, | Ornava em medo fúnebre a viagem | Aos versos d’um plangente sonurista;…
Pressinto as outonais aragens frias | No âmago e às janelas, devagar… | O belo movimento em pradarias | Tão símeis aos meus sonhos — meu lugar;…
Kalimba lacrimosa em noite fria: | Sonido de lamúria em languidez, | Se o toque lhe conduz e acaricia | Silêncios mui se prostram — placidez...
À noite, tilintam... | Entre a breve garoa; | E os brilhos longínquos, | Iguais se tilintam... | No firmamento sereno. | Tradições e esperanças: | Tesouros de vida,…
Floresça em direção ao vivo sol… | Que o lume da manhã, o gris frescor, | Conduzem quietude ao teu lençol | De cândido conforto e tenro ardor;...
Memórias d’estas mil alcovas lôbregas, | Perlustro os epitáfios, os semblantes, | Há brandos anjos, murchas rosas sôfregas, | À morte: Os meus silêncios lacrimantes…
Cinéreas nuvens, frio — e a quietude, | A fina chuva, o aroma: há sopa quente | Nos prédios, casas, lares: placitude; | Debaixo, em cobertores — quiescente;
Por vezes em meus sonhos turbulentos | Sentires do passado me retornam, | São como frágeis sombras, tenros ventos | Que espargem às paisagens que me ornam;…
Phainesthai
Limiares d’uma vasta imensidão | Indagações à vida, impertinentes, | Traços de indolência em infusão | Alegorias aquém, inconscientes…
Edelfelt, Albert (1854-1905) - Playing the piano
Limiares d’uma vasta imensidão
Indagações à vida, impertinentes,
Traços de indolência em infusão
Alegorias aquém, inconscientes;
Que tudo, se noite, quer fulgor
Eles volvem aos brandos ninhos
Lares que amenizam rubra dor
Compreensão do fruto do alinho;
Mesmo qu’inda vagante e infeliz
O velar paternal à fundura-cicatriz
Arroga-se do imortal pertencimento,
Assim, sendo, acolho-me quente
Ao destemor do luzir benevolente
Berço inócuo d’inabalável alento.
Enquanto Dormes
A morada do austero pranto \ é o desaguar que recidivo | indaga-te pravo e ablativo: | “Vais desejá-la se a água-manto | cobri-la o rosto em pálida ternura?…
Le Buveur d'absinthe - Edouard Manet - cerca de 1859
A morada do austero pranto
é o desaguar que recidivo
indaga-te pravo e ablativo:
“Vais desejá-la se a água-manto
cobri-la o rosto em pálida ternura?
Hás de vestir tua lúbrica bravura
no jazer da flor de teu encanto?”
Sim, que o residir do vil lamento
frente à omissão em pigmento
é a mancha do imo-amianto
que planeias dar à combustão
sepultando, em úmido chão,
um sentimento sacrossanto.
Que ardor… Cri na mendaz ilusão | Teus olhos negros na escuridão | Fisgados por entre…
Amor… guardarás algo dos momentos? | Das tenras amarguras que criamos | Às loucas vãs mentiras que contamos | Meu rosto trará amenos fragmentos?…
A morada do austero pranto \ é o desaguar que recidivo | indaga-te pravo e ablativo: | “Vais desejá-la se a água-manto | cobri-la o rosto em pálida ternura?…
Modernidade
Bem longe no horizonte está minha alma | Sozinha vê todo este pranto ardente | Que transparente desce ao rosto quente | E ecoa langor triste à flora e fauna; | O mundo não é…
Jonelle Summerfield
Bem longe no horizonte está minha alma
Sozinha vê todo este pranto ardente
Que transparente desce ao rosto quente
E ecoa langor triste à flora e fauna;
O mundo não é mesmo como outrora
Nos sonhos de um talvez tanto ideal
No fim nos cobre em máscara vital
Que feita de mentiras nunca chora;
Tomamos nos cristais o vinho-escárnio
Jurando amores ao morto licórnio
À sombra d'uma infância sepultada
Caímos ébrios sobre nossa inglória
Uivando o que por dentro traz memória
Da amarga solidão fundamentada.
Nas grotas d’uma lôbrega passagem, | A balça gris e sôfrega, que à vista, | Ornava em medo fúnebre a viagem | Aos versos d’um plangente sonurista;…
Pressinto as outonais aragens frias | No âmago e às janelas, devagar… | O belo movimento em pradarias | Tão símeis aos meus sonhos — meu lugar;…
Kalimba lacrimosa em noite fria: | Sonido de lamúria em languidez, | Se o toque lhe conduz e acaricia | Silêncios mui se prostram — placidez...
À noite, tilintam... | Entre a breve garoa; | E os brilhos longínquos, | Iguais se tilintam... | No firmamento sereno. | Tradições e esperanças: | Tesouros de vida,…
Floresça em direção ao vivo sol… | Que o lume da manhã, o gris frescor, | Conduzem quietude ao teu lençol | De cândido conforto e tenro ardor;...
Memórias d’estas mil alcovas lôbregas, | Perlustro os epitáfios, os semblantes, | Há brandos anjos, murchas rosas sôfregas, | À morte: Os meus silêncios lacrimantes…
Cinéreas nuvens, frio — e a quietude, | A fina chuva, o aroma: há sopa quente | Nos prédios, casas, lares: placitude; | Debaixo, em cobertores — quiescente;
Por vezes em meus sonhos turbulentos | Sentires do passado me retornam, | São como frágeis sombras, tenros ventos | Que espargem às paisagens que me ornam;…
Tu sabes que acostuma ver que o rosto | Mui gera mais encanto que meus versos? | Que o corpo…
Avis Rara
Colibri, Cântico noturno, Rubi d’ouro soturno, Trove p’ra mim…Colibri, Aos meus umbrais, Tardio n’alma jamais, Inverno de mim;…
Colibri,
Cântico noturno,
Rubi d’ouro soturno,
Trove p’ra mim…
Colibri,
Aos meus umbrais,
Tardio n’alma jamais,
Inverno de mim;
Colibri…
Choras vagante
Sobre a flor errante
Que havia em mim;
Colibri…
A escuridão conduz
Aos lânguos teus
Que dos olhos meus
Deram-te a luz.
ó Colibri… o pranto…
De mil águas, Colibri.
As maldades humanas me enojam. Meu corpo é afetado fisiologicamente quando quaisquer injustiças são presenciadas por meus olhos. Não consigo conceber a ignorância…
Nos lagos da saudade há tenro orvalho | De lágrimas nativas do meu ser… | Oníricas venturas são-me atalhos | P’ra sôfrega distância combater…
O caminho da Sonura iniciou-se em fevereiro de 2021; tenho o registro d’esta ideia em meus arquivos, disponíveis em meu site também. Cingida por significados…
Névoa profunda n’um jardim de flores em tons de rosa-empoeirado. Tulipas, girassóis, lírios e sempre-vivas — tudo rosê, como os olhos e os cabelos de Dandeliz…
No escritório, pedi para que Ehllenor deixasse-me a sós com Morgion, para que houvesse o sigilo correto que meu ofício exige. Ela titubeou, como imaginado…
Que sempre, se pudesse, aqui ficar | Os tempos tão felizes de Natal… | As luzes, os docinhos, o aquietar… | E todo o amor que surge cordial…
Contais
Ó! três flores garbosas De seis flores colhidas, Sois as mais morosas Nas nove jarras, findas; S’em doze arbustos vinha Regar de quinze prantos Os caules todos n’uma linha, O verso de…
Ó! três flores garbosas
De seis flores colhidas,
Sois as mais morosas
Nas nove jarras, findas;
S’em doze arbustos vinha
Regar de quinze prantos
Os caules todos n’uma linha,
O verso de dezoito lânguos;
Vinte e uma dores partidas
Vinte e quatro fés ardidas
Paixão profunda e frágil;
Pois há de ver-se doloridas
Vinte e sete pétalas jazidas
Nas retinas em naufrágio.
Criei a palavra “lânguos” para representar a união de três outras palavras: Lânguido, Lôbrego e Lágrima.
Escaldas, Sol, de modo pálido | Melódicos sons de calada, | Fervendo-me o âmago cálido | A lágrima minha é brumada; | ‘Que queres de mim, ó sazão!…
Há de chover hoje, à tarde, | Este sopro tão tenro segreda | Cá o sol pobrezinho não arde | Seu adeus gradativo arvoreda; | Ó azul melancólico, cante! | As nuvens se unem, me basta…
Desperta, menina!
Desperta, menina! | Há sonho que termina, | Mas podes, pois, ainda | Sonhar mais de uma vez; | Desperta, menina! | Pega uma tangerina! | Sente mais d’esta tua vida!…
Desperta, menina!
Há sonho que termina,
Mas podes, pois, ainda
Sonhar mais de uma vez;
Desperta, menina!
Pega uma tangerina!
Sente mais d’esta tua vida!
Aquietes o febril de tua tez;
Desperta, menina!
Vem cá e lá, vem só, sorria!
Se doer, pois, sê bem-vinda,
No verter d’água em fluidez;
Desperta, menina!
Deixe-se entregar, pois finda,
Esta aurora destes dias,
Desfrute a tua lucidez.
Nos lagos da saudade há tenro orvalho | De lágrimas nativas do meu ser… | Oníricas venturas são-me atalhos | P’ra sôfrega distância combater…
Que sempre, se pudesse, aqui ficar | Os tempos tão felizes de Natal… | As luzes, os docinhos, o aquietar… | E todo o amor que surge cordial…
Balão festivo, alegra o entardecer! | Refulge níveo e vai no sopro-vento; | Menina que o observa a perceber | Que o escuro vem estranho e nevoento…
Perfeito, o Teatro — e nele a decadência | As máscaras são telas luminosas | Personas em suas tantas aparências | Roteiro de ventura confragosa;…
A névoa do passado é melancólica | Lembranças d’este outrora se dispersam: | O outono e sua Maçã tanto simbólica, | O inverno e a solitude que se versam…
Escrevo. Bem além do que ressinto | Ou sinto ou do que vejo. Muito mais. | Escrevo por questão da alma, do instinto, | Do sonho mais que as sombras factuais!
Nas grotas d’uma lôbrega passagem, | A balça gris e sôfrega, que à vista, | Ornava em medo fúnebre a viagem | Aos versos d’um plangente sonurista;…