Lancinura

Francesco Hayez (1791–1882) - Mary Magdalene as a hermit (1833) DETALHE

sinto mundos febris,
sinto imenso e agudo
dor no peito, amiúdo:
meus plangores ardis…

sentimento-agonia,
sinto tanta torrente
que se verte, cadente,
a ilusão de euforia…

sinto muito e pressinto:
decadência e martírio
penumbral sentinela;

aqui dentro, distinto…
se me fosse um delírio
não teria sequela.

5 de janeiro de 2021

“Lancinura” é uma palavra criada por mim para representar a sensação que atravessa os metros d’este Soneto. Significa o mesmo que “Lancinante”, contudo o termo ascende-se às profundezas do âmago pela vogal “U” mais grave que se estende por maior tempo. Além disso, “nura” faz referência ao termo “nullus” que em latim significa “nada” ou “coisa alguma”; isso porque sentir muito é olhar para o abismo do ser — o Nada que nos constitui — e que pulsa continuamente.

Sahra Melihssa

Escritora e Poetisa, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sou Anfitriã do projeto Castelo Drácula e minha literatura é rara, excêntrica e inigualável. Meu vocábulo é lapidado, minha literatura é lânguida e mágica, dedico-me à escrita há mais de 20 anos e denomino-a “Morlírica”. Na alcova de meu erotismo, exploro o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo meus leitores em um imersivo deleite — apaixonada pelo tema, criei Lasciven para publicar autores que compartilham dessa paixão. No túmulo de meus escritos, desvelo um terror, horror e mistério ímpares, cheios de profundidade psicológica e de poética absurda — é como uma valsa com a morte. Ler-me é uma experiência, uma vivência para além da leitura em si mesma; e eu te convido a se permitir fascinar.

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