Vontade
Lugares em algures insondáveis, | Tuas mãos que manipulam com ardor... |Se, Dono, tenho as dádivas amáveis | De estar sob teu jugo, por amor,…
Michael Zichy
Lugares em algures insondáveis,
Tuas mãos que manipulam com ardor...
Se, Dono, tenho as dádivas amáveis
De estar sob teu jugo, por amor,
Então resido à alcova do deleite,
Infindo, níveo, doce liquor forte,
Divago e me sorris, sorves do azeite
Na vulva minha e a tez que tem a sorte
Ao manto da dantesca autera essência,
A tua violência em meu prazer
Ó, fira-me, penetra-me... dolência...
Murmura... Sim... Sufoca-me p'ra ver
A lágrima que nasce só por ti,
Imploro açoite como não senti,
Assim faça ao limite eu m'envolver.
O caminho da Sonura iniciou-se em fevereiro de 2021; tenho o registro d’esta ideia em meus arquivos, disponíveis em meu site também. Cingida por significados…
Que sempre, se pudesse, aqui ficar | Os tempos tão felizes de Natal… | As luzes, os docinhos, o aquietar… | E todo o amor que surge cordial…
Balão festivo, alegra o entardecer! | Refulge níveo e vai no sopro-vento; | Menina que o observa a perceber | Que o escuro vem estranho e nevoento…
Perfeito, o Teatro — e nele a decadência | As máscaras são telas luminosas | Personas em suas tantas aparências | Roteiro de ventura confragosa;…
A névoa do passado é melancólica | Lembranças d’este outrora se dispersam: | O outono e sua Maçã tanto simbólica, | O inverno e a solitude que se versam…
Escrevo. Bem além do que ressinto | Ou sinto ou do que vejo. Muito mais. | Escrevo por questão da alma, do instinto, | Do sonho mais que as sombras factuais!
Estive no esplendor d’este lugar | N’algures dos meus sonhos mais serenos | Dormi nos girassóis, ouvi cantar | Os pássaros nas nuvens, contra o vento…
Pungentes os mundanos são à seda | Das pétalas do ser, que quebradiço, | Eu sou por ver-me sempre na vereda | D’um mundo belicoso e tão mortiço…
Que fosses ente e crer-te eu sempre iria | No alvor rogar-te em puro amor vestal | Que fosses a Verdade, eu saberia…
Circunda-me gris noite, estou tão só… | Por vezes dói, minh’alma s’esvazia | E lembro hei de tornar-me reles pó | Da vida cuja bruma é primazia…
Assim fragmentar-me e à tez sentir, | Aroma, calidez, silêncio a sós… | Desvelo uma clareira do existir | Às cordas d’este tempo em rijos nós…
Enquanto no convés observava | Revolto o mar estranho parecia, | A negra tempestade se agravava, | Um som horripilante s’espargia…
Nas grotas d’uma lôbrega passagem, | A balça gris e sôfrega, que à vista, | Ornava em medo fúnebre a viagem | Aos versos d’um plangente sonurista;…
Pressinto as outonais aragens frias | No âmago e às janelas, devagar… | O belo movimento em pradarias | Tão símeis aos meus sonhos — meu lugar;…
Do vinho que deixaste na tua ausência | Recordo-me do gole, seco e rubro… | Da amarga nicotina em decadência | Do beijo que me deste em triste outubro…
Kalimba lacrimosa em noite fria: | Sonido de lamúria em languidez, | Se o toque lhe conduz e acaricia | Silêncios mui se prostram — placidez...
Raríssimos cristais d’olhos chorosos | Regaram-me o jardim do peito e a dor | Nascera envolta n’água, pois ditosos | Langores deram vida à ave Candor*…
À noite, tilintam... | Entre a breve garoa; | E os brilhos longínquos, | Iguais se tilintam... | No firmamento sereno. | Tradições e esperanças: | Tesouros de vida,…
Nos lagos da saudade há tenro orvalho | De lágrimas nativas do meu ser… | Oníricas venturas são-me atalhos | P’ra sôfrega distância combater…