Flúmen de Amor
Amar d’infindas formas, amar…| E verte o meu amor como o mar | Querendo aos seres todos…
Cruel Delírio
Que ardor… Cri na mendaz ilusão | Teus olhos negros na escuridão | Fisgados por entre…
Elo & Sinfonia
Tenaz opus sonda e cura, | O agravo do agora se cala, | Exornas-me a grã tristura, | Um gesto de benquerença…
Centelha
Tornou-se o lacrimar a chuva minha | E o corpo meu que em medo se convinha | Nas águas puras…
Deste Século
Perceba que são tempos assombrosos | Àqueles cuja essência é tão sensível | Vivendo em vis…
Yeshuah
Ardor d’algures pulsa em sofrimento | Nas sombras de tua imagem sacrossanta, | No peito o lacrimar d’um instrumento | De mor silente essência espelha, encanta...
Dueto com Marujo Poeta
Cruzaste os vastos pélagos cruéis | Dos mares nunca findos regressaste | Versaste amor na luz…
Dueto com Ricardo Zanela
Se credes em minha dor | Quanto odiais a compaixão, | Dama, fazei-me exceção, | Pois angustura e pavor…
Augúrio d’Inverno
Quão frígido há de ser este solstício…| Sinto os ares regélidos soprando | Mesmo à clausura, em febre, é propício | Que este tempo vil beije-me nefando;…
Âmago, tormento
É o soluço d'um pranto febril | Às lacunas d'um rosto amolgado | Pelas sombras de essência hostil | Onde o canto da morte é sagrado;…
Suavinura
Um pranto verossímil em meu peito… | Nublados céus sombrios me absorvem… | Sozinha eu silencio, então me deito, | E os sonhos da existência me comovem;…
Há o Silêncio
O silêncio jamais se desfalece | E mesmo o falatório que oprimindo | Recua-o a si mesmo restringindo | Não o faz menor, pois mais o engrandece;…
Epílogo
Noturno — o silêncio — em sinfonia, | Às notas vagarosas como rios, | Escuto adormecida — a astenia | Do corpo embriagado em mil vazios; | O pêndulo — as horas — sem sentido...
Mar Teu
Estás onde? Em meu quente coração! | Assim adormecido e protegido | Sob uma aura esmeralda de emoção | Que lume, como céu deste infinito…
Sangue Vestal
O sol floresce pálido em meu peito, | Recordo a noite lôbrega e soturna | Enquanto escuto vozes sobre o leito, | A fresta assopra aragem vil, vulturna, | Trazendo-me a fragrância fascinante…
Escrevo
Escrevo, | pois que amanhã | impossível; | Escrevo, | pois que amanhã | não cheguei; | Escrevo, | pois que amanhã | sonho findo;…
Espiral
Saber-me-ei | ao luzir do devir, | nos amanhãs, | turvos outroras…
Laslum
Tuas asas se abrem lívidas ao céu | Tens face em palidez símil às nuvens | Mãos negras estendidas, nenhum fel, | Com olhos carmesim de sangue em flúmens…