Duro cárcere, sombras da minguança…

Vês que o riso prevê dificuldades
Quando os dias desabam friamente
Mesmo em ápice, a glória, descontente
Não desfaz emoções das finidades,

Ao contrário, resguarda na memória,
Só se aceita a ledice por costume
Nunca o verso nascera, na história,
Desta fé que desagua em grande lume;

Sempre vem o regalo quando o mar
É vistoso e demonstra mansidão
Mas a luz se negrume n’um piscar
Manda as nuvens d’angústia ao coração;

Vês que é fardo, é fado, languidez
Não resiste — a aurora — vir a ser
Nem a calma e a penúria, a torpecer
Nem a noite obscura em morbidez.

 
 
Sahra Melihssa

Escritora e Poetisa, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sou Anfitriã do projeto Castelo Drácula e minha literatura é rara, excêntrica e inigualável. Meu vocábulo é lapidado, minha literatura é lânguida e mágica, dedico-me à escrita há mais de 20 anos e denomino-a “Morlírica”. Na alcova de meu erotismo, exploro o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo meus leitores em um imersivo deleite — apaixonada pelo tema, criei Lasciven para publicar autores que compartilham dessa paixão. No túmulo de meus escritos, desvelo um terror, horror e mistério ímpares, cheios de profundidade psicológica e de poética absurda — é como uma valsa com a morte. Ler-me é uma experiência, uma vivência para além da leitura em si mesma; e eu te convido a se permitir fascinar.

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