À Escrita
Eterna solidão, noite-mudez | Se tua Olea graciosa não me azeita | À bênção da centelha, a embriaguez | Do elã que lume a letra em mi'a colheita..
Eterna solidão, noite-mudez
Se tua Olea graciosa não me azeita
À bênção da centelha, a embriaguez
Do elã que lume a letra em mi'a colheita..
Amarga perdição, medo-estupor
Se o cântico erudito de tua seiva
É sopro tão fugaz no grã calor
E frígido beijar no frio que m'eiva...
Deitada ao leito Santo de teu lírio
Eu posso ver na vida uma razão
Que amene o caos de todo o meu martírio
Das vezes que velei, pois, teu caixão
E vi-te reencarnar tão de repente
Amálgama de gáudio e aflição
Que eu juro precisar eternamente.
Escrevo
Escrevo, | pois que amanhã | impossível; | Escrevo, | pois que amanhã | não cheguei; | Escrevo, | pois que amanhã | sonho findo;…
Imagem criada por Sahra Melihssa
Escrevo,
pois que amanhã
impossível;
Escrevo,
pois que amanhã
não cheguei;
Escrevo,
pois que amanhã
sonho findo;
Escrevo,
pois que amanhã
já mudei.
Escrevo. Bem além do que ressinto | Ou sinto ou do que vejo. Muito mais. | Escrevo por questão da alma, do instinto, | Do sonho mais que as sombras factuais!