No frígido oceano, um coração
Umbroso e azúleo, em trevas olvidado;
Safira de saudade e vastidão,
Cristais salinos, mágoas… insondado…
Nas águas ouço os salmos: solitude,
E pulsa em seu sofrer monumental,
Tão lânguido em sua força e sua virtude,
São águas, nada mais, vida ancestral…
Amei-o e tanto mais que o firmamento,
São poucos os capazes de sentir,
Tão símeis às mi’as lágrimas… tomento…
E intenso em seus caudais, ó! me cingir!
Pois, mar, do âmago à tez, tanto és pujante
Feroz, brando e tão belo, consonante,
Conduz-me, em devoção, submergir…
Sou última nascida em sangue e cinzas | Carrego a carapaça de osso e fúria, | Amálgama d’outrora em boas-vindas | À Vila Séttimor em sua lamúria;…
Que sempre, se pudesse, aqui ficar | Os tempos tão felizes de Natal… | As luzes, os docinhos, o aquietar… | E todo o amor que surge cordial…
Balão festivo, alegra o entardecer! | Refulge níveo e vai no sopro-vento; | Menina que o observa a perceber | Que o escuro vem estranho e nevoento…
Perfeito, o Teatro — e nele a decadência | As máscaras são telas luminosas | Personas em suas tantas aparências | Roteiro de ventura confragosa;…
A névoa do passado é melancólica | Lembranças d’este outrora se dispersam: | O outono e sua Maçã tanto simbólica, | O inverno e a solitude que se versam…
Escrevo. Bem além do que ressinto | Ou sinto ou do que vejo. Muito mais. | Escrevo por questão da alma, do instinto, | Do sonho mais que as sombras factuais!
Nos lagos da saudade há tenro orvalho | De lágrimas nativas do meu ser… | Oníricas venturas são-me atalhos | P’ra sôfrega distância combater…