Ausente

Dante Gabriel Rossetti - The Roman Widow (1874)

Dante Gabriel Rossetti - The Roman Widow (1874)

Venustas solidões quais me declino; vêm-me na compreensão de que estou rumo ao meu uno destino e, mais, confessam-me a ilusão dos campos infindos das sociáveis redes virtuais. Aprendo, como um inseto em metamorfose. Observo na ausência o revitalizar da força que há de retornar ainda mais sólida. Observo as palavras, elas me guiam.

No verso ou nas longas narrativas estão as palavras de meu fundamento. A Escrita é a razão primeira de tudo, o alvor inicial, a única luz possível, sob ou sobre a época, sob ou sobre o movimento.

Da Poesia um gole basta para a eternidade sã embebecida. Como a Escrita, ela perdura sem esforço quando genuína. E de toda a mundanidade estou ausente, com exceção da linguagem, do conhecimento, e pergunto-me por esta atual realidade, sobre quais são os vales que significam… e o que se faz sentido aos olhos meus…

Penso nos antecessores, pondero em seus traços; o que sou no tanto que outrora já fora? Quem sou n’este oceano de beleza vasta em letras pretéritas? A solidão responde-me cautelosamente e digníssima: eu sou idioma a idioma, expressão a expressão, eu sou a linguagem, o verbo, a sílaba, a gramática; sem esforço, sem medo, mesmo errônea e, ainda, tão criança.



Sahra Melihssa

Escritora e Poetisa, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sou Anfitriã do projeto Castelo Drácula e minha literatura é rara, excêntrica e inigualável. Meu vocábulo é lapidado, minha literatura é lânguida e mágica, dedico-me à escrita há mais de 20 anos e denomino-a “Morlírica”. Na alcova de meu erotismo, exploro o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo meus leitores em um imersivo deleite — apaixonada pelo tema, criei Lasciven para publicar autores que compartilham dessa paixão. No túmulo de meus escritos, desvelo um terror, horror e mistério ímpares, cheios de profundidade psicológica e de poética absurda — é como uma valsa com a morte. Ler-me é uma experiência, uma vivência para além da leitura em si mesma; e eu te convido a se permitir fascinar.

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