Parágrafos Imanentes 01

Jozef Israëls (1824–1911) - 'Contemplation' - 1896

O esperar do existir, a espera, curta anfemeridade sob a mortalha do tempo. Você levará o verso ao abismo da morte enquanto lamenta, no viver, o verso que não conta a própria sílaba? Você será sempre a projeção das máscaras quais tecem suas expectativas inalcançáveis, eu sei disso, porque no suor de sua fronte nada se evidencia mais do que a falta, a falta e a espera, ambas sob o prisma de um sonho mesquinho que a natureza não se importa. Você é ínfimo, como eu, pequenas partículas de nada. Ressuscite o deus que te faz importante enquanto você se volta ao pó, respirando cinzas em suas feridas narinas — as cinzas dos outros, queimados por sua profunda ignorância.

________

The waiting of existence, the waiting, the short aphemerality under the shroud of time. Will you carry the verse to the abyss of death while still lives for lamenting the verse that does not count its own syllable? You will always be the projection of the masks that weave your unattainable expectations, I know that, because in the sweat of your forehead nothing is more evident than the lack, the lack and the waiting, both under the prism of a petty dream that nature don't cares. You are trifling, like me, little particles of nothing. Resurrect the god who makes you important as you turn to dust, breathing ash into your sore nostrils —the ashes of others, burned by your hollow ignorance.

 
 
Sahra Melihssa

Escritora e Poetisa, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sou Anfitriã do projeto Castelo Drácula e minha literatura é rara, excêntrica e inigualável. Meu vocábulo é lapidado, minha literatura é lânguida e mágica, dedico-me à escrita há mais de 20 anos e denomino-a “Morlírica”. Na alcova de meu erotismo, exploro o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo meus leitores em um imersivo deleite — apaixonada pelo tema, criei Lasciven para publicar autores que compartilham dessa paixão. No túmulo de meus escritos, desvelo um terror, horror e mistério ímpares, cheios de profundidade psicológica e de poética absurda — é como uma valsa com a morte. Ler-me é uma experiência, uma vivência para além da leitura em si mesma; e eu te convido a se permitir fascinar.

Anterior
Anterior

Âncora Anfêmera

Próximo
Próximo

A Emersão Transtornada