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O Que é Morlirismo?
O Que é Sonura?
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Conto Morlírico

Escrito por Sahra Melihssa

Aurollie e o Corvo

Aurollie está morta. Seu corpo esguio e pele seca, com rachaduras infindas que desvelam seu esqueleto putrefato; assim está, sob a luz d’uma noite cuja bioluminescência — reluzente, porém dessaturada — paira no denso e gélido ar. Aurollie está morta, pois lhe roubaram o coração pulsante — e não era pretendido lhe devolver. O sangue dela é negrume, vertendo de seus olhos sem esclera. No peito, como se pode prever: o vazio — orifício de entranhas, sem vestígios cardíacos. Aurollie está morta.

Enquanto seus mórbidos passos se arrastavam no jardim, deixava seu rastro de piche. Do que era feito? Não se sabe. Sangue ou seiva, chorume talvez — tinha odor de dama-da-noite. E o longo vestido, úmido, cor de escuridão-azúlea, estava ornado com ouro-bronze lapidado em acúleos, como o caule seco d’uma rosa rubra. E, em seu pescoço, uma jóia do mesmo material; igualmente lapidada em adornos pontiagudos, parecia segurar seu crânio sobre o pescoço franzino. Era de beleza núrida e terrível. A lágrima negra morria em seus lábios profundamente violáceos. Um pranto imortal, merencório como a chuva gris no entardecer...

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As Crônicas do Castelo Drácula

Escrito por Sahra Melihssa

Vantanúrida: Parte 1

Águas termais acolhiam-me pelo sutil aquecer. Minha cabeça estava apoiada em lanuvenis e aos meus ouvidos vinha o longínquo som de qued’orvalho. Meus olhos se abriram vagarosos e demorei a me acostumar com a luz que, esplendorosa, irradiava na clareira. A cálida lagoa que se abençoava da linha pálida-solar, refletia em suas águas a cintilância iridescente dos céus de Opallihan e das flores de mesmo matiz. Quando distingui as cores e feixes, de imediato avistei, fora da clareira, certo tipo de eletricidade rasgando o espaço.

Iniciara de um ponto absoluto em vazio, pairando no ar e expandindo-se célere para todos os lados. A princípio: fascínio! Era de beleza extraordinária como os fúlmens nuvieanos, porém, atraía-me sem temor. Pouco depois, as faíscas deram espaço ao que eu compreendi como “outro lado”, mostrando-me frondosa e azúlea floresta cingida por soturno mistério. Eu sequer podia piscar, pois estonteante era a experiência. Levantei-me atenta, jamais vi algo tão extravagante. A eletricidade espargia sonidos, estalos e faíscas lívidas que se contorciam n’uma distorção atemporal. Andando envolta de tal “rasgo” — e somente d’esta maneira eu poderia apreendê-lo — nada havia além de sua...

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Fábula Morlírica

Escrito por Sahra Melihssa

A Cisne Pálida

Dançava a Cisne Pálida, “coisa abominável e repugnante” — é o que diziam. Sauter, sauter, tourner, glisser; beleza e fascínio, como flor e como rio. Os homens do Théâtre Étoile Noire lhe tinham grande fetiche, tanto pelos valores exorbitantes das vendas de ingressos para o grã-show de Cisne Pálida...

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As Crônicas do Castelo Drácula

Escrito por Sahra Melihssa

Vantanúrida: Parte 1

Águas termais acolhiam-me pelo sutil aquecer. Minha cabeça estava apoiada em lanuvenis e aos meus ouvidos vinha o longínquo som de qued’orvalho. Meus olhos se abriram vagarosos e demorei a me acostumar com a luz...

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As Crônicas do Castelo Drácula

Escrito por Sahra Melihssa

Fraghvora: Parte 2

— Uma fábula... fascinante. Um capítulo de fábula. Muitas contingências podem se desvelar à Dandeliz a partir deste ponto — proferira Daeron. Seus olhos de lua-nova rutilavam, esporadicamente, um lume argênteo sob a oscilante chama das velas no candelabro...
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Poesia Morlírica

Escrito por Sahra Melihssa

Raro Azul

Anil do teu sorriso cristalino, | Um mar, que azul-mirtilo, me acalenta, | Minh’alma azulescida* em teu destino | É doce, pois te amar me fundamenta; | Cerúlea voz, a tua, cativante, | São índigos os lírios de teu ser…

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Poesia Morlírica

Escrito por Sahra Melihssa

Suspeita

Estou-me à rede, calma, descansando… | O vento é-se regélido e assoviante | E vem só d'uma fresta se apossando | Da noite no horizonte vigilante; | Mi'as pálpebras pesadas cerram lentas | E abrindo-se parecem relutantes;...

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As Crônicas do Castelo Drácula

Escrito por Sahra Melihssa

Pálida Seda: Parte 1

Um mórbido crocitar grotesco rompera minha plácida solidão. Meu torso fora tomado por súbita gelidez e espargia-se, no mesmo instante, certo tipo de som em baixa frequência como zumbido contínuo. Segurei minha adaga — foi meu único movimento possível...

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